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Arquidiocese de São Paulo tem cinco novos sacerdotes

Arquidiocese de São Paulo tem cinco novos sacerdotes
Padres Allan Santos Leite, Cleyton Pontes da Silva, Lucas Antonio Silva Martinez, Nilo Shinen e Elias Honório, ordenados pelo Cardeal Odilo Scherer, na Catedral da Sé, no sábado, 3
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

A Catedral da Sé estava lotada na tarde do sábado, 3, para a ordenação de cinco padres para a Arquidiocese de São Paulo. Pela imposição das mãos do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, receberam o segundo grau do sacramento da Ordem os até então diáconos Allan Santos Leite, 34; Cleyton Pontes da Silva, 27; Lucas Antonio Silva Martinez, 27; Nilo Shi- nen, 44; e Elias Honório, 27. 

A missa contou com a presença dos bispos auxiliares, padres, familiares e inúmeros fiéis das comunidades por onde os novos padres passaram durante o período de formação. 

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DOM E MISTÉRIO 

Na homilia, Dom Odilo meditou sobre o mistério da vocação sacerdotal como dom de Deus concedido à humanidade. 

“Somos sacerdotes em Cristo Sacerdote. Vocês, ao serem ordenados sacerdotes, irão agir em nome da Igreja, não em função de si próprios. Nós somos ‘emprestados’ à pessoa de Jesus Cristo, que age por meio de seus ministros”, afirmou o Arcebispo, acrescentando que a vocação sacerdotal é uma grande graça não merecida, mas que Deus escolhe e concede livremente segundo sua vontade e misericórdia. “Jesus escolheu aqueles que Ele quis e, assim, continua a chamar”, disse. 

O Cardeal ressaltou, ainda, que os sacerdotes são ordenados para anunciar a Palavra de Deus das mais variadas formas, santificar o povo, especialmente por meio dos sacramentos, e pastorear a humanidade para o encontro com o Divino Pastor. “Sejam bons pastores, a exemplo de Jesus, o Bom Pastor”, exortou aos novos padres. 

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ANO VOCACIONAL 

Destacando a realização do 3º Ano Vocacional no Brasil, Dom Odilo convidou todos a refletirem sobre o mistério do chamado de Deus e tomarem renovada consciência da grandeza e beleza da vocação, sobretudo daquelas de especial consagração para o serviço ao povo de Deus. 

“Todos são chamados a se colocar em posição de escuta e correspondência, para dizer o alegre ‘sim’ de cada dia à própria vocação e, desta maneira, colaborarem na edificação do corpo de Cristo, que é a Igreja”, acrescentou o Arcebispo, sublinhando a necessidade de valorizar, em primeiro lugar, a vocação batismal e o chamado universal à santidade. 

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RITO 

No rito de ordenação, logo após a proclamação do Evangelho, os candidatos são chamados a se apresentarem diante do Arcebispo. Em seguida, após serem interrogados pelo Cardeal e fazerem suas promessas sacerdotais, os diáconos se prostraram diante do altar enquanto toda a assembleia invoca a intercessão de todos os santos. 

O momento central da ordenação é a imposição das mãos sobre os eleitos, seguida da prece de ordenação, na qual o Arcebispo invoca a força do Espírito Santo para constituí-los na dignidade de presbíteros. 

Após serem revestidos dos para- mentos litúrgicos sacerdotais – a estola e a casula –, os novos padres têm suas mãos ungidas com o óleo do Crisma, que, como sublinha a oração do ritual, os reveste de poder para “a santificação do povo fiel e para oferecer a Deus o santo sacrifício”. 

Em seguida, os recém-ordenados recebem o pão e o vinho que serão oferecidos a consagrados no Corpo e Sangue de Cristo, na missa. “Toma consciência do que vais fazer e põe em prática o que vais celebrar, conformando tua vida ao ministério da cruz do Senhor”, disse o Arcebispo, segundo prevê o rito. 

No fim da celebração, foi anunciada em quais regiões episcopais os novos padres iniciarão seu ministério: 

  • Padre Allan, na Região Santana;
  • Padre Cleyton, na Região Brasilândia; 
  • Padre Lucas, na Região Lapa; 
  • Padre Nilo, na Região Sé; 
  • Padre Elias, na Região Belém.
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Deus chama em qualquer tempo e lugar 

A ordenação sacerdotal é também ocasião de contemplar a ação divina na vida de jovens que um dia foram interpelados por Deus em contextos concretos de suas histórias. 

Para o Padre Alan, esse chamado aconteceu por volta de 2007, em uma comunidade da zona Sul de São Paulo, na Diocese de Campo Limpo. Nessa época, ele fazia cursinho pré-vestibular e, como a maioria dos jovens, desejava constituir uma família e ter uma carreira profissional. 

“Eu participava do TLC [Treinamento de Liderança Cristã], movimento de encontros querigmáticos muito forte em áreas de vulnerabilidade social, e da Renovação Carismática Católica (RCC). Um dia, eu participava de um momento de oração em preparação para uma vigília para jovens quando, diante de Jesus Sacramentado, ‘senti’ o chamado, algo inusitado”, contou. 

A partir de então, iniciou o discernimento vocacional, até ingressar no seminário arquidiocesano, em 2014. 

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Já o Padre Nilo, natural de São Paulo, teve o despertar vocacional por volta dos 20 anos, após receber o sacramento da Confirmação. Na época, cursava a faculdade de Odontologia. No entanto, ele se formou e seguiu o caminho profissional. Anos depois, quando seu pai estava internado no Hospital do Câncer, sentiu-se tocado pelo testemunho de um sacerdote que levou a Unção dos Enfermos e a Eucaristia ao seu pai antes da morte. “Este foi um momento forte em minha vida”, relatou o neossacerdote, destacando que essa é também uma forma de levar Jesus às “periferias existenciais” das quais fala o Papa Francisco. Ele, então, decidiu deixar a carreira profissional e ingressar no seminário. 

Foi o exemplo de um sacerdote que também atraiu o Padre Lucas para a vocação sacerdotal, na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no Butantã. “Desde pequeno, acompanhava meus pais às missas. Na juventude, comecei a me engajar na paróquia a partir de um retiro de jovens. Depois, passei a tocar nas missas e grupos de oração e a ajudar na liturgia. Porém, nunca tinha pensado em ser padre. Acompanhando o pároco em suas atividades pastorais, pude perceber que Deus me chamava para algo que ainda não sabia o que era. Após o discernimento, percebi que a vontade Dele era que eu pudesse segui-lo de maneira mais próxima, por meio do sacramento da Ordem”, contou o jovem, que ingressou no seminário em 2013, aos 17 anos, quando cursava o primeiro semestre da Faculdade de Administração e trabalhava num escritório de contabilidade. 

A comunidade paroquial também foi o lugar onde o Padre Cleyton sentiu a primeira chama do chamado vocacional. Desde criança, participava da Paróquia São João Gualberto, em Pirituba, e tinha envolvimento com as atividades eclesiais. “Com o passar do tempo, tive maior engajamento e passei a ajudar na Catequese, movimentos, grupo de jovens, coroinhas. Entre 2012 e 2013, conheci o trabalho da Comunidade Eucarística Voz dos Pobres e, nesse contato com os mais humildes, além da adoração Eucarística, senti cada vez mais forte o chamado ao caminho presbiteral”, relatou. 

Enquanto cursava o terceiro ano do Ensino Médio, Cleyton seguia o acompanhamento da Pastoral Vocacional, até que ingressou no seminário em 2014. 

Já o despertar vocacional do Padre Elias se deu em sua terra natal, Brasília (DF). “A história da minha vocação está intimamente ligada à história de fé que me foi transmitida pelos meus pais. Assim, podendo crescer dentro da Igreja em uma família numerosa e rezando com meus pais, pude receber os ensinamentos e ver como era uma maravilha viver em uma comunidade cristã”, relatou o jovem que, aos 15 anos, após um tempo de crises internas próprias da adolescência, ingressou numa Comunidade Neocatecumenal, na qual, segundo ele, Deus lhe falou forte ao coração, pela vida e a história dos irmãos, pela Palavra e os sacramentos. 

“Durante um bom tempo, resisti ao chamado ao presbiterato, porém, via que Deus havia me dado muitas graças e não poderia guardá-las somente para mim. Então, com 17 anos, no contexto de uma convivência em comunidade, senti a força da Palavra que me chamava a entregar minha vida totalmente a Cristo. Tive, ainda, muitos medos e reservas, porém, via como Deus me chamava concretamente a poder servi-lo por meio do sacerdócio”, disse Elias, que ingressou, com 18 anos, no Seminário Missionário Internacional Redemptoris Mater São Paulo Apóstolo, ligado ao Caminho Neocatecumenal e destinado à formação de padres diocesanos para as missões. 

LEMA SACERDOTAL 

Ao serem ordenados, os candidatos escolhem um lema sacerdotal, em geral, tirado de um texto bíblico, que resume e inspira a caminhada vocacional e como buscam viver o ministério. 

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Para o Padre Elias, o lema escolhido foi: “Antes mesmo de te formar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei. Eu te constituí profeta para as nações” (Jr 1,5). “Vejo como o amor de Deus me antecede, me acompanha e me ultrapassa. Não é simplesmente algo pontual, mas tudo é um caminho para que eu possa me encontrar profundamente com Ele. Até agora, o Senhor tem me amado muito, e eu devo dar a minha liberdade em servi-lo e levar essa Palavra a todos aqueles que necessitam”, afirmou. 

Padre Alan escolheu o versículo “Para Deus, nada é impossível” (Lc 1,37). “Escolhi esse lema porque, quando olho para a minha vida, vejo perseverança. Apesar das minhas fragilidades, limitações e pecados, Deus me amou ao extremo, a ponto de crer que o impossível dele ultrapassa o meu possível. Desejo encarnar esse lema em minha vida de tal forma que meu ministério sacerdotal possa introjetar fé e esperança nas pessoas”, afirmou. 

Padre Nilo escolheu o versículo “Nele não sereis confundidos” (Rm 10,11), pois expressa seu desejo de ser sacerdote “para levar Jesus, transparecer sua luz num mundo cada vez mais envolto pelas trevas do ateísmo e hedonismo”. “A Verdade é o que sempre busquei. No mundo, só vi superficialidade, é Jesus a única Verdade”, completou. 

“Onde está o teu tesouro, aí estará o teu coração” (Mt 6,21) é o lema do Padre Cleyton. “Este versículo sempre chamou minha atenção. Todas as vezes que o leio, lembro que o meu coração deve estar no próprio Cristo. Ele é o autêntico tesouro e não as preocupações e as futilidades da vida. Ele deve ser o centro em que o nosso coração precisa repousar”, destacou. 

O lema do Padre Lucas – “Sei que o semeador saiu a semear” (Mt 13,3) – destaca a relação do sacerdote com o semeador da Palavra de Deus. “Percebo, desde já, que, na verdade, o semeador é um instrumento da própria Palavra, ou seja, a força e o poder de frutificar brotam da própria semente. Quero, portanto, ser, por meio do sacerdócio, como esse semeador do Evangelho: um cooperador de Cristo na semeadura do Reino.” 

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