Logo do Jornal O São Paulo Logo do Jornal O São Paulo

Cardeal Scherer: ‘Deus nos fez para a plenitude da vida’

No ‘Dia de Finados’, Arcebispo Metropolitano presidiu missa pela manhã no Cemitério Gethsêmani Anhanguera

Cardeal Scherer: ‘Deus nos fez para a plenitude da vida’ - Jornal O São Paulo
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, a Igreja reza em sufrágio dos falecidos e reafirma a esperança cristã na ressurreição. Nos cemitérios da área de abrangência da Arquidiocese de São Paulo, missas estão sendo celebradas em diferentes horários nesta segunda-feira, 2.

No Cemitério Gethsêmani Anhanguera, na Vila Sulina, às margens da rodovia Anhanguera, na zona Oeste da capital paulista, a missa das 9h foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, com grande participação de fiéis que lotaram a capela e os corredores da área do velório. Muitos também acompanharam a missa, concelebrada pelo Padre Genésio de Morais, na parte externa do templo, em meio à fina garoa que persistia.

No começo da celebração, o Arcebispo Metropolitano explicou que neste dia a Igreja faz memória e ora em sufrágio dos fiéis defuntos para que Deus os acolha na vida eterna. Enfatizou, portanto, que não se trata de uma celebração em homenagem aos falecidos, tampouco um momento de culto aos mortos.

Cardeal Scherer: ‘Deus nos fez para a plenitude da vida’ - Jornal O São Paulo

A VIDA PARA ALÉM DO QUE É PASSAGEIRO

No começo da homilia, Dom Odilo sublinhou que este é um dia em que todos são chamados a refletir sobre o sentido da própria vida, uma vez que se relembra mais fortemente que um dia a morte do corpo chegará para os que ainda estão vivos – “somos mortais, feitos de carne e osso, somos feitos de natureza e a natureza não é eterna” – mas que o ser humano possui uma alma imortal e que deve buscar alcançar a vida eterna.

Dom Odilo comentou que à luz da fé cristã, revelada na Palavra de Deus, a vida não se limita à dimensão passageira deste mundo: “Deus não nos fez para um pouco de vida; Deus nos fez para a plenitude da vida que não acontece neste mundo”.

CRER NA RESSURREIÇÃO

Ao mencionar a primeira leitura proclamada neste dia (cf. Jó 19, 1.23-27), em que o profeta Jó, mesmo doente, abandonado e tendo passado por grandes provações, dá testemunho de fé de que encontrará com o Redentor após a morte – “Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros” –, o Arcebispo sublinhou que os que creem em Deus têm a firme certeza de que um dia irão habitar na terra dos viventes.

“E o que é a terra dos viventes? É o cemitério? Não, aqui é a terra dos mortos. A terra dos viventes é a vida eterna, é o céu”, detalhou, afirmando que esta é uma confortadora notícia para todos diante do medo da morte.

Recordando a segunda leitura da missa (cf. 1 Cor 15,20-24ª.25-28), Dom Odilo destacou que o apóstolo Paulo fala à comunidade de Corinto que Cristo ressuscitou dos mortos, e que por esta certeza de que Ele está vivo e glorificado, pode-se afirmar que “também existe a ressurreição dos mortos para nós. Ele é a garantia da nossa ressurreição futura”, comentou, lembrando, ainda, que o próprio Jesus se apresentou como o Pão da Vida e quem Dele se alimenta viverá eternamente.

Cardeal Scherer: ‘Deus nos fez para a plenitude da vida’ - Jornal O São Paulo

TER ESPERANÇA NO DEUS DA VIDA

Também o Evangelho proclamado (cf. Jo 11,17-27), que narra a passagem da ressurreição de Lázaro, apresenta – conforme lembrou Dom Odilo – a garantia de que os que creem no Cristo alcançarão a Salvação eterna: “Nós não ressuscitaremos para voltar a esta vida. Ressuscitaremos, como Jesus diz, no último dia, que é uma expressão da Bíblia para dizer o dia do julgamento, quando Deus ressuscitará todos para a vida eterna ou para a morte eterna. Que sejamos nós aqueles que participarão da vida eterna”.

O Arcebispo comparou a vida a um grande banquete, em que as alegrias e belezas vividas nesta terra são apenas “aperitivos” do grande banquete da vida eterna, por isso, o cristão deve viver alimentando a esperança de um dia participar da vida eterna, junto a todos os santos de Deus, e não somente se preocupar com as esperanças humanas passageiras.

“Enquanto arregaçamos as mangas para construir um mundo melhor para nós, para a nossa família e para todos, mantenhamos a esperança no Deus da vida que tem mais para nós”, afirmou.

“Que nossa vida toda seja este buscar a Deus, de coração sincero, para alcançarmos também Sua companhia. E, assim, recomendemos a Deus os nossos falecidos. Eles, por si, já não podem mais fazer nada, mas nós podemos pedir a Deus por eles, oferecer o santo sacrifício da missa em favor deles, em seu sufrágio, para que sejam acolhidos no céu com misericórdia”.

Cardeal Scherer: ‘Deus nos fez para a plenitude da vida’ - Jornal O São Paulo

REZAR SEMPRE PELOS FALECIDOS

Antes da bênção final, o Arcebispo rezou com a assembleia de fiéis a oração em favor dos falecidos e recomendou que todos a façam quando visitarem os túmulos de seus entes queridos ou em família pela intenção de quem já faleceu. Também pediu que nos velórios cristãos a comunidade de fiéis não deixe de rezar e meditar as leituras recomendadas pela Igreja Católica para essa ocasião.

“Que este seja um dia sereno e cheio de fé, em que nós também alimentemos o sentido da nossa vida, entendendo o que estamos fazendo aqui, para onde vamos e o que haverá depois. Diante disso, como devo viver?”, disse Dom Odilo, deixando este convite a uma reflexão individual final.

Além da missa com Dom Odilo às 9h, outra foi presidida às 11h pelo Padre Genésio de Morais, e haverá mais uma, às 14h, presidida por Dom Edilson de Souza Silva, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa.

O Cemitério Gethsêmani Anhanguera é mantido pela Arquidiocese de São Paulo, com cerca de 6,5 mil jazigos. Saiba mais detalhes em https://www.gethsemanianhanguera.org.br.

Cardeal Scherer: ‘Deus nos fez para a plenitude da vida’ - Jornal O São Paulo
CONDIÇÕES PARA A INDULGÊNCIA PLENÁRIA NO ‘DIA DE FINADOS’
Neste 2 de novembro e até o dia 8 deste mês, é possível obter a indulgência plenária – remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados – para si ou para as almas que padecem no Purgatório, mediante as seguintes condições:
– Visita ao cemitério neste período, para rezar pelos fiéis falecidos;
– Rezar pelo Papa e suas intenções de oração;
– Confessar-se;
– Participar da missa e comungar

Deixe um comentário