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Cardeal Scherer promulga o Diretório Arquidiocesano da Catequese

Documento orienta a ação catequética na Arquidiocese de São Paulo e propõe renovação à luz do caminho sinodal e do magistério da Igreja

Cardeal Scherer promulga o Diretório Arquidiocesano da Catequese - Jornal O São Paulo
Catequistas recebendo a investidura do ministéio em 2025 (Luciney Martins/O SÃO PAULO)

A Arquidiocese de São Paulo lançou o Diretório Arquidiocesano da Catequese, documento que reúne normas e diretrizes pastorais destinadas a orientar, fortalecer e unificar a ação catequética em todo o ter­ritório arquidiocesano. Fruto do caminho sinodal realizado entre 2017 e 2023, o tex­to traduz o esforço de renovação da cate­quese à luz do Magistério da Igreja e das exigências da evangelização no contexto urbano contemporâneo.

Na apresentação, o Cardeal Odilo Pe­dro Scherer, Arcebispo Metropolitano, destaca que o Diretório é “mais um fruto amadurecido do 1º sínodo arquidiocesa­no” e expressão do propósito de “comu­nhão, conversão e renovação missionária”. Ao mesmo tempo, ressalta a importância central da catequese para a vida e a mis­são da Igreja, afirmando que “a catequese é essencial no processo de evangelização, na transmissão da fé cristã e na gradual iniciação e inserção na prática da fé e da vida eclesial”.

Composto de 17 capítulos, o docu­mento apresenta de forma orgânica os fundamentos teológicos, os critérios pastorais e as orientações práticas para a catequese, articulando princípios doutri­nais com indicações concretas para a ação pastoral.

NATUREZA E FINALIDADE DA CATEQUESE

O Diretório define a catequese como “uma ação eclesial, na qual a Igreja trans­mite a fé que ela recebeu e vive”, sendo também “o eixo unificador de toda ação evangelizadora e pastoral”. Trata-se de um processo de educação da fé que “se concen­tra naquilo que é comum para o cristão, educa para a vida de comunidade, celebra e testemunha o compromisso com Jesus”. Sua finalidade é formar discípulos mis­sionários, conduzindo o catequizando a “conhecer, acolher, celebrar e vivenciar o mistério de Deus, manifestado em Jesus Cristo”, favorecendo sua inserção na vida e na missão da Igreja e sua participação ati­va na comunidade.

INSPIRAÇÃO CATECUMENAL E INICIAÇÃO CRISTÃ

Um dos eixos estruturantes do docu­mento é a retomada da inspiração catecu­menal. A catequese é compreendida como um caminho progressivo, organizado em etapas – querigma, catecumenato, puri­ficação/iluminação e mistagogia – que conduzem ao amadurecimento da fé. Nesse sentido, o texto recomenda “rever, profundamente, não apenas os ‘cursos de Batismo e de noivos’, mas todo o processo de catequese”.

A iniciação cristã é apresentada como um processo unitário, centrado nos sacra­mentos do Batismo, Crisma e Eucaristia, que inserem o fiel na vida da Igreja e o colocam no caminho do seguimento de Cristo, com implicações concretas na vida cotidiana.

ITINERÁRIOS CATEQUÉTICOS POR ETAPAS DE VIDA

O Diretório estabelece orientações es­pecíficas conforme as idades e situações dos catequizandos:

Crianças: a catequese deve “favorecer o encontro pessoal com Jesus Cristo” e promover a inserção na comunidade, edu­cando para a oração, a escuta da Palavra e a participação na liturgia;

Adolescentes e jovens: o percurso formativo deve ir “além da sensibilização e do entretenimento”, priorizando o cres­cimento espiritual, o discernimento voca­cional e o compromisso cristão;

Adultos: o texto destaca a urgência de “tornar efetiva a prioridade da for­mação cristã dos adultos, como resposta às novas exigências da evangelização”, valorizando suas experiências de vida e promovendo uma adesão consciente e responsável à fé.

Em todos os casos, a catequese deve integrar fé, celebração e vida, favorecendo a participação ativa na comunidade e a abertura à missão.

VOCAÇÃO, IDENTIDADE E FORMAÇÃO DO CATEQUISTA

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Congresso Arquidiocesano de Catequese na Expo Católica 2025

O Diretório enfatiza o papel central do catequista no processo catequéti­co. Ele é apresentado como alguém que vive uma experiência de fé e a comunica aos outros, consciente de que “recebeu um dom: o dom da fé; e dela faz dom aos outros”. É também definido como “testemunha da fé, mestre e mistago­go, acompanhante e pedagogo”, chama­do a atuar em comunhão com a Igreja. A formação dos catequistas deve ser inte­gral e permanente, contemplando as di­mensões do ser, do saber e do saber fazer, com atenção à espiritualidade, ao conhe­cimento da doutrina e à capacidade peda­gógica, de modo a garantir a qualidade do serviço catequético.

DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS DA CATEQUESE

O documento incorpora temas atuais que impactam diretamente a evangelização:

Cultura digital: reconhece que “a evangelização não pode prescindir, hoje, dos meios de comunicação”, ao mesmo tempo em que ressalta que es­ses recursos não substituem o encontro pessoal, a vida sacramental e a convi­vência comunitária;

Catequese inclusiva: enfatiza a neces­sidade de adaptar linguagens, métodos e espaços, de modo a acolher pessoas com deficiência, com dificuldades de aprendi­zagem ou em situações de vulnerabilida­de, assegurando sua participação ativa na vida comunitária;

Família: reforça o papel dos pais como primeiros catequistas e incentiva sua participação ativa no processo for­mativo e na vida da comunidade, pro­movendo maior integração entre a famí­lia e a paróquia.

ORGANIZAÇÃO PASTORAL E CUIDADO COM AS PESSOAS

O Diretório define a estrutura da ca­tequese na Arquidiocese, estabelecendo responsabilidades nos níveis arquidioce­sano, regional e paroquial, e reafirmando o pároco como primeiro responsável pela catequese, em comunhão com os demais agentes pastorais.

Também dedica atenção à proteção de menores e adultos vulneráveis, destacan­do que é dever de todos promover “am­bientes e relações seguros, respeitosos e protegidos”, com ações de prevenção, for­mação e acompanhamento, assegurando a integridade e o cuidado das pessoas.

Com a publicação do Diretório Ar­quidiocesano da Catequese, a Arquidio­cese de São Paulo oferece um instru­mento de referência para a renovação da ação catequética, integrando tradição e desafios contemporâneos e propondo caminhos concretos para a evangeliza­ção. Como concluiu o Cardeal Scherer, a acolhida e aplicação de suas orientações trarão frutos para toda a Igreja parti­cular, pois “os frutos, certamente, serão muitos e os principais beneficiários, os catequizandos”.

Documento expressa compreensão da catequese como ‘parte integrante e importantíssima da missão da Igreja’

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Dom Edilson de Souza Silva, Bis­po Auxiliar de São Paulo e Referencial para a Animação Bíblico-Catequética na Arquidiocese, destacou ao O SÃO PAULO o significado pastoral do Di­retório Arquidiocesano da Catequese e a inserção do documento na missão evangelizadora da Igreja. Ele explicou que, mais do que apresentar normas, o texto expressa uma compreensão reno­vada da catequese como parte essencial da vida e da ação eclesial.

O Bispo recordou que a catequese não é uma atividade isolada, mas “parte integrante e importantíssima da missão da Igreja, que existe para evangelizar e introduzir na vida nova com Cristo”. Nessa perspectiva, enfatizou que o Dire­tório retoma o sentido mais profundo da catequese: formar discípulos, ajudando­-os a crer em Jesus Cristo e a viver a fé de modo consciente e comprometido.

Ao desenvolver essa perspectiva, Dom Edilson retomou o mandato missionário de Cristo e sublinhou o caráter formativo da catequese. “Fazer discípulos, ajudá­-los a crer que Jesus é o Filho de Deus, de modo que, pela fé, recebam a vida em seu nome e sejam educados e instruídos nes­ta vida nova”, explicou, evidenciando que a ação catequética conduz a uma adesão consciente e progressiva à fé.

UNIDADE DOUTRINAL

O Bispo também enfatizou o caráter eclesial da catequese, que deve ser vivi­da de forma articulada e em comunhão entre os diversos agentes. “A catequese deve ser uma ação orgânica, coordena­da, acompanhada de perto, que reúna os melhores recursos e aconteça na dinâmi­ca da comunhão eclesial”, ressaltou, indi­cando a necessidade de unidade pastoral.

Outro ponto destacado é a sólida fundamentação do Diretório. Dom Edilson observou que o documento está em continuidade com o Magistério e com a caminhada da Igreja no Brasil. “Está alicerçado nos documentos do Magistério, de modo especial no Diretó­rio Geral para a Catequese, no Diretório Nacional de Catequese da CNBB e no Documento 107”, frisou, reforçando sua fidelidade doutrinal.

Ao tratar da proposta central do tex­to, o Bispo evidenciou a inspiração cate­cumenal da catequese, entendida como processo de iniciação à vida cristã. Ele explicou que isso acontece “na dinâmica de inserção na vida eclesial”, e indicou que o objetivo é integrar os fiéis na vida da comunidade e não apenas prepará-los para os sacramentos.

FONTES DA IGREJA

O Bispo também chamou a atenção para as fontes da catequese e para os su­jeitos envolvidos nesse processo formati­vo. “A centralidade da Sagrada Escritura e do Catecismo da Igreja Católica são refe­rências fundamentais para a transmissão da fé”, ressaltou, ao mesmo tempo em que valoriza o papel da família e da comuni­dade na vivência da fé.

Outro aspecto evidenciado é a am­pliação do entendimento das ações cate­quéticas na vida eclesial. “A preparação de pais e padrinhos para o Batismo dos filhos e a preparação dos noivos para o Matrimônio são verdadeiras e próprias ações catequéticas”, afirmou, indicando que a formação cristã se dá em diversos momentos da vida.

PROCESSO SINODAL

Ao abordar a elaboração do docu­mento, Dom Edilson sublinhou seu ca­ráter sinodal e o caminho percorrido até sua publicação. “O Diretório não nasceu de uma hora para a outra, mas percor­reu um longo caminho, coordenado pela Comissão Arquidiocesana de Catequese, sendo um trabalho de muitas mentes e corações, feito em mutirão, sinodalmen­te”, recordou, evidenciando a participação de diversos agentes em sua construção.

A partir dessas considerações, Dom Edilson reforçou que o Diretório Ar­quidiocesano da Catequese se apresenta como um instrumento a serviço da mis­são, oferecendo critérios e orientações para a organização da catequese e para a vivência da comunhão eclesial. Trata-se, portanto, de um convite à renovação da ação catequética, em fidelidade ao Evan­gelho e em diálogo com os desafios do tempo presente.

Leia a íntegra do artigo de Dom Edilson AQUI

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