Caritas Arquidiocesana integra refugiados em atividades para conscientizar a sociedade sobre o tema do refúgio

Em junho, refugiados acompanhados pela CASP estiveram em eventos esportivos na cidade de São Paulo. A iniciativa foi realizada em parceria com o ACNUR, Sport Club Corinthians Paulista e a Secretaria Municipal de Esportes

POR COMUNICAÇÃO DA CASP

Fotos: Comunicação Cáritas Arquidiocesana de São Paulo

Ao longo de junho, o Mês dos Refugiados, a Caritas Arquidiocesana de São Paulo (CASP), em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o Departamento de Responsabilidade Social do Corinthians, a Regional São Paulo da Cáritas Brasileira e a Secretaria Municipal de Esportes de São Paulo, promoveu uma série de atividades para conscientizar a sociedade brasileira a respeito da importância do tema do refúgio.

O mês de junho foi escolhido porque, no dia 20, foi instituído o Dia Mundial dos Refugiados, data indicada pela ONU (Organização das Nações Unidas) no ano 2000 para marcar o aniversário da Convenção de Genebra de 1951, evento que atualizou o conceito de refugiado.

NO ESTÁDIO DE FUTEBOL

Entre as primeiras iniciativas da CASP, em parceria com o Departamento de Responsabilidade Social e Cidadania do Corinthians, estiveram a visita de refugiados na Arena Neo Química, ao Parque São Jorge, e o jogo das Brabas, time de futebol feminino do Corinthians, pelo Campeonato Paulista 2023, ambos na zona leste de São Paulo.

Somente essas duas primeiras ações envolveram cerca de 130 pessoas.

Na manhã do dia 22, um grupo de refugiados afegãos, abrigados na Casa de Acolhida “Todos Irmãos”, em Guarulhos (SP), acompanhados de funcionários e voluntários da CASP, foram ciceroneados pela equipe do Corinthians para um tour na Arena Neo Química, na zona leste de São Paulo.

A Casa de Acolhida é gerida pela CASP em parceria com a Caritas Diocesana de Guarulhos, a Prefeitura de Guarulhos e o ACNUR, e tem capacidade para 27 pessoas.

A coordenadora da casa, a assistente social Vanessa Pimenta, disse que a experiência de visitar a Arena foi muito especial para os afegãos. “Tivemos um tempo de descontração com refugiados, que passaram por situações muito difíceis até chegarem ao Brasil. Foram momentos de descanso, risos e imersão na cultura brasileira, já que o futebol brasileiro é destaque em qualquer parte do mundo”, apontou.

À tarde, um grupo de refugiados do abrigo Repúblicas, na capital paulista, gerido pela Caritas Brasileira-Regional São Paulo, acompanharam o jogo do time feminino do Corinthians contra o Bragantino, pelo Campeonato Paulista de Futebol Feminino 2023, no Parque São Jorge (Fazendinha).

Onze crianças em situação de refúgio entraram em campo com as Brabas, como é conhecido o time, simbolizando a solidariedade e empatia entre os povos.

O administrador de empresas afegão Ahmad Khalid Omid estava com sua esposa, Hamira, acompanhando a partida no estádio.

Ele, que chegou ao Brasil fugindo do regime Talibã, que voltou ao poder no país em 2021, disse que foi a primeira vez que assistiu a uma partida de futebol no Brasil, mas que há havia acompanhado o esporte em seu país.

Engana-se quem pensa que o futebol nunca foi popular no Afeganistão. “Em 2013, o Afeganistão ganhou a Copa da Federação de Futebol do Sul da Ásia. Depois que o Talibã tomou o poder, não existe mais nada no país”, disse Omid, referindo-se ao primeiro título da história afegã nesse esporte.

VISITA AO PARQUE SÃO JORGE

Na tarde do dia 23, foi a vez de refugiados abrigados na Casa de Passagem, em São Paulo, também gerida pela Regional São Paulo da Caritas Brasileira, fazerem uma visita monitorada ao Parque São Jorge. Eles foram monitorados por funcionários e voluntários da CASP e da Cáritas Brasileira SP.

O grupo conheceu o Memorial Corinthiano, a Fazendinha, o ginásio Wlamir Marques e também puderam saber um pouco da história do timão.

Em um gesto muito singelo, dois refugiados afegãos presentearam a equipe do Corinthians com um quadro feito por eles com o símbolo do Corinthians, em uma demonstração de agradecimento pela acolhida.

BEISEBOL PARA VENEZUELANOS

No domingo, 26 de junho, a CASP promoveu um jogo de beisebol com refugiados venezuelanos..

O jogo foi realizado no Estádio Municipal de Beisebol Mie Nishi, no centro da capital paulista, disponibilizado pela Secretaria Municipal de Esportes para o evento que envolveu mais de 80 pessoas, sendo a maioria delas formada por crianças e adolescentes em situação de refúgio no país.

As crianças contaram com piscina de bolinhas, cama elástica, mesa de pebolim, entre outros brinquedos, e com monitores que prestaram toda a assistência.

Enquanto os pequenos se divertiam, os adultos venezuelanos ensinaram os princípios básicos do beisebol aos brasileiros.

Os diretores da CASP, o Diácono Márcio José Ribeiro e Fábio Krubiniki participaram das atividades, inclusive em campo.

“É uma alegria para a CASP poder contribuir para trazer um pouco de alegria a nossos irmãos e irmãs venezuelanos, que enfrentaram e continuam enfrentando muitas adversidades para chegarem até aqui”, disse o Diácono Márcio.

“Ficamos mesmo muito felizes de olhar para os rostos de todos, principalmente das crianças, e constatarmos que estavam tendo um dia feliz”, completou Fábio.

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A presidente da Asovembra, Alejandra Ribas, destacou que o jogo de beisebol foi uma oportunidade de trazer um pouco do universo lúdico que as crianças tinham em seu país de origem.

Como o beisebol não é um esporte tão popular no Brasil – o estádio Mie Nishi é um dos poucos locais públicos para a prática no país –, os venezuelanos não conseguem ter acesso fácil à modalidade aqui.

“É a primeira vez que as crianças venezuelanas e a Asovembra vêm a um estádio de beisebol no Brasil. Eles tiveram a chance de agarrar um bat (taco), uma luva [equipamentos do esporte] depois de terem saído da Venezuela. Como você pode ver, eles estão muito felizes e emocionados, e não querem mais parar de jogar”, disse sorrindo.

Alejandra agradeceu à CASP e ao ACNUR por proporcionarem o evento, enfatizando que essa foi uma oportunidade de os venezuelanos se sentirem um pouco em casa e, ao mesmo tempo, compartilharem algo tão importante em sua cultura com os brasileiros.

A presidente da Asovembra disse que meta da Asovembra é possibilitar que, no futuro, as crianças possam praticar todos os dias o beisebol, como faziam na Venezuela. “O beisebol para nós é um esporte fácil e que está muito inserido em nossa cultura, assim como o futebol é para vocês”, comparou.

BRASILEIRÃO

Para fechar as ações do mês dos refugiados promovidas pela CASP, pessoas em situação de refúgio acolhidas no abrigo Repúblicas, gerido pela Regional São Paulo da Caritas Brasileira, assistiram ao jogo do time feminino do Corinthians contra o Cruzeiro pelas Quartas de Final do Brasileirão 2023, no dia 26 de junho, na Fazendinha, zona leste de São Paulo. O diretor da CASP, Diácono Márcio José Ribeiro, esteve presente na partida.

A convite do Departamento de Responsabilidade Social do Corinthians, um grupo de mulheres em situação de refúgio do Afeganistão, Venezuela e Angola, além de colaboradores da CASP e da Cáritas Brasileira-SP, entraram em campo com as Brabas, como é conhecido o time feminino do Corinthians, antes do início da partida.

Há cinco meses no Brasil, a angolana Helena Umba, 47 anos, era uma das mais felizes. Ela estava acompanhada dos filhos Josué, William e Billy.

Questionada sobre se já havia assistido a alguma partida de futebol em seu país ou no Brasil, ela disse que não. Ao responder o que sentiu de estar em um estádio pela primeira vez, ela foi categórica: “É um momento em que me sinto livre”. E complementou: “Eu apertei as mãos das jogadoras e lhes desejei muito boa sorte”.

O desejo de sorte deu resultado: as Brabas venceram o Cruzeiro por quatro a dois. A semifinal será disputada em agosto.

MAIS PARCERIAS

Um dos idealizadores da Democracia Corinthiana, movimento que lutou pelo fim da ditadura militar no Brasil, o diretor do clube paulista Adilson Monteiro, explicou que para eles foi uma honra receber o grupo de refugiados, pois faz parte da história do Corinthians promover iniciativas desse tipo.

“Nós temos um Departamento de Responsabilidade Social, pois faz parte de nossa história ter esse olhar social e de cidadania dentro do clube. Para nós foi um privilégio ter essa parceria com a Caritas. Foi muito emocionante tudo o que aconteceu aqui na semana em que se celebra o Dia Mundial dos Refugiados [20 de junho]. É uma experiência que queremos repetir para sempre com vocês”, disse.

Também feliz com o resultado, o diretor da CASP salientou a importância do evento para divulgar e conscientizar a sociedade acerca do tema refúgio.

“Para nós é uma honra ter contado com o convite do Corinthians para todas essas ações e, também, a parceria do ACNUR e da Caritas Brasileira para que pudéssemos proporcionar também um pouco de alegria aos nossos irmãos e irmãs refugiados”, frisou.

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