
Em fevereiro de 2022, os frades da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil assumiram a Paróquia Santa Cruz, no Jardim Peri Alto, Região Brasilândia, e desde então têm se colocado ao lado da população na busca de melhorias das condições habitacionais e de infraestrutura no bairro localizado na zona Noroeste da cidade.
“Na região do Jardim Peri Alto, na área da Cachoeirinha, onde está a Comunidade Nossa Senhora Aparecida, encontramos uma realidade bastante desafiadora no que diz respeito à habitação. Trata-se de um território com mais de 4 mil famílias, muitas delas vivendo em condições de grande vulnerabilidade. Há áreas com moradias extremamente precárias, especialmente nas proximidades de um córrego, com casas de madeira, pequenas, frequentemente abrigando um número elevado de pessoas”, detalha à reportagem o Frei Marx Rodrigues dos Reis, OFM, atual Pároco, que conduz a Paróquia com os confrades Frei João Manoel e Frei João Lopes.
Frei Marx conta que grande parte das famílias é chefiada por mulheres de baixa renda. No bairro, segundo ele, não há oferta adequada de equipamentos públicos como Unidades Básicas de Saúde (UBSs), delegacias e escolas para todas as faixas etárias.
“Há mais de 30 anos, grupos organizados de moradores atuam na busca de melhores condições de moradia, e hoje nos somamos a esse caminho por meio da parceria com a Associação Futuro Melhor. Participamos ativamente de reuniões, visitas ao território e iniciativas como o plano popular de regularização fundiária. Também estamos projetando ações concretas, como mutirões para melhorias das moradias, além de apoiar processos de organização comunitária e de acesso à assistência social”, detalha Frei Marx. “Muitas vezes, a sociedade espera que famílias com renda mínima consigam arcar com todos os custos de vida – moradia, alimentação, água, luz – sem qualquer suporte Isso revela uma lógica injusta, que precisa ser transformada”, enfatiza.

O Pároco comenta que a precariedade habitacional impacta profundamente a vida das pessoas: “A insegurança em relação à moradia gera instabilidade constante, pois muitas famílias vivem sem saber se poderão permanecer no local, o que dificulta qualquer planejamento de vida. Também a ausência de regularização fundiária impede investimentos públicos em infraestrutura, o que agrava problemas como a falta de saneamento, segurança e acesso a serviços. Isso repercute diretamente na saúde, na educação e nas oportunidades de trabalho”.
Ainda de acordo com o Frade, essa condição de vida traz às pessoas tanto impactos psicológicos – “viver durante anos em um lugar sem garantia de permanência, sem poder melhorar a própria casa por medo do futuro, gera angústia, insegurança e sofrimento” – quanto espirituais – “crer em Deus em meio a tantas dificuldades exige uma fé profunda, que se torna também profética. É uma fé que clama por justiça, que denuncia a desigualdade e que anuncia a dignidade de cada pessoa”. E para que a luz da fé não se apague, a Paróquia tem ampliado ações nos campos pastoral e sacramental, por meio da reestruturação da Catequese, da realização de visitas missionárias, procissões pelas vielas, identificação das pessoas que ainda não receberam os sacramentos da Iniciação à Vida Cristã, acompanhamento aos doentes e incentivo para que as pessoas vivam a fé em comunidade. “Mesmo em meio às dificuldades,





