
Mais cedo ou mais tarde, o luto se torna uma realidade na vida de todos, com a morte de algum familiar ou outra pessoa querida. Mesmo os que parecem resilientes a todas as situações da vida nem sempre são capazes de enfrentar este momento. Entretanto, é nestas horas que todos podem perceber que não estão sós, que contam com a força de seus irmãos na fé.
“No povo de Deus, com a graça da Sua compaixão dada em Jesus, muitas famílias demonstram concretamente que a morte não tem a última palavra: trata-se de um verdadeiro ato de fé. Todas as vezes que a família em luto – mesmo terrível – encontra a força de conservar a fé e o amor que nos unem a quantos amamos, ela impede desde já que a morte arrebate tudo. A escuridão da morte deve ser enfrentada com um esforço de amor mais intenso (…) Nesta fé, podemos consolar-nos uns aos outros, conscientes de que o Senhor venceu a morte de uma vez para sempre. Os nossos entes queridos não desapareceram nas trevas do nada: a esperança assegura-nos que eles estão nas mãos bondosas e vigorosas de Deus”, disse o Papa Francisco na audiência geral de 17 de junho de 2015.
INDO AO ENCONTRO DOS QUE SOFREM
Chamada a ser presença acolhedora da Igreja às pessoas que enfrentam o luto, a Pastoral da Esperança tem buscado aprimorar suas ações perante uma missão que exige escuta atenta, sensibilidade pastoral e novas formas de acompanhar as famílias, um desafio que se amplifica em uma cidade como São Paulo, na qual o ritmo acelerado da vida urbana nem sempre proporciona que as pessoas encontrem quem possa ouvi-las, respeitando suas histórias, sentimentos e diferentes formas de vivenciar o luto.
Frei Gustavo Medella, OFM, Vigário da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e autor do livro “Há vida após o luto! Palavras de Esperança”, publicado em 2013, destaca que a Pastoral da Esperança “é a expressão da própria atitude de Jesus Cristo de ir ao encontro das pessoas em suas dores, inclusive na dor do luto”.
“A Igreja deseja ser esperança desse abraço solidário que acolhe a dor e ajuda o fiel a nutrir no coração a esperança da ressurreição. E essa certeza nos permite organizar uma prática concreta de ir ao encontro, ouvir, abraçar, aconselhar e caminhar junto com as pessoas que estão vivendo o difícil momento da perda e da separação que a morte produz”, detalhou Frei Gustavo ao O SÃO PAULO.
OS DESAFIOS PARA O AGIR DA PASTORAL
Acolher pessoas que vivem diferentes situações de luto, sem julgá-las e respeitando seus sentimentos e necessidades próprias, estão entre os desafios da Pastoral da Esperança.
Neste agir pastoral, também se impõe a tarefa de ser mão estendida aos diferentes núcleos familiares atuais, como as famílias monoparentais, pessoas que vivem sozinhas, famílias recompostas e com vínculos afetivos diversos.
Frei Gustavo cita, ainda, o desafio de que esta Pastoral dialogue com as outras nas paróquias, a fim de que trabalhe em sintonia com as demais.
Padre José Mário Ribeiro, Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, na Região Belém, e Assessor Eclesiástico da Pastoral da Esperança nesta Região, aponta como missões essenciais desta Pastoral acolher quem sofre a perda de um ente querido, oferecer escuta, consolo e apoio espiritual, acompanhar as famílias após o falecimento e, sobretudo, preparar agentes com sensibilidade e fé para anunciar a esperança da ressurreição mesmo diante da dor.
“Com o apoio dos padres e das paróquias, a Pastoral da Esperança fortalece sua missão de acolher, consolar e levar a esperança de Cristo às famílias enlutadas. Precisamos melhorar muito, mas estamos a caminho”, disse o Sacerdote.
A ESPERANÇA FUTURA

Nas celebrações por ocasião no Dia de Finados, na segunda-feira, 2, alguns grupos de Pastoral da Esperança estiveram nos cemitérios para dialogar com os que foram rezar pelos falecidos e participar das missas, nas quais ressoou a esperança cristã na ressurreição.
“A fé cristã, fundada na Páscoa de Cristo, ajuda-nos a viver a memória não apenas como uma lembrança do passado, mas sobretudo como uma esperança futura. Não se trata tanto de olhar para trás, trata-se antes de olhar para a frente, para a meta do nosso caminho, para o porto seguro que Deus nos prometeu, para a festa sem fim que nos espera. Lá, em torno do Senhor Ressuscitado e dos nossos, saborearemos a alegria do banquete eterno (…) Esta ‘esperança futura’ anima a nossa memória e a nossa oração no dia de hoje. Não se trata de uma ilusão que serve para aplacar a dor da separação das pessoas amadas, nem de um simples otimismo humano. É a esperança fundada na ressurreição de Jesus, que venceu a morte e abriu, também a nós, a passagem para a plenitude da vida”, disse o Papa Leão XIV na homilia da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, em 2 de novembro de 2025, no Cemitério de Verano, em Roma.

O que é o luto?
O luto é a resposta natural que cada pessoa tem à perda de alguém querido ou de algo significativo. Cada um vive o luto à sua maneira, e não existe um tempo certo para “superar” a perda. O luto pode se apresentar por fases como negação, raiva, barganha, depressão e aceitação, mas nem todos passam por todas essas fases ou na mesma ordem. Ter uma rede de apoio, incluindo familiares, amigos e profissionais, pode ajudar a enfrentar o luto.
Fonte: Ministério da Saúde


