Com exemplo de vida coerente, professores levam os alunos ao caminho do bem

Em missa na Catedral da Sé, Arquidiocese de São Paulo rendeu graças a Deus pela vida e missão dos educadores

Dom Carlos Lema Garcia preside missa, na Catedral da Sé, em ação de graças pela vida e missão dos professores (fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

No Dia do Professor, comemorado em todo o Brasil na sexta-feira, 15, a Arquidiocese de São Paulo rendeu graças a Deus pela vida e missão dos professores em uma missa no começo da tarde, organizada pelo Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade, na Catedral da Sé, e presidida por Dom Carlos Lema Garcia.

“Este ano, esta missa tem um motivo ainda mais especial: queremos agradecer a Deus pela vida e pela missão dos educadores, que se mostram generosos e dedicados em sua missão, enfrentando corajosamente as limitações impostas pela pandemia, esforçando-se para transmitir os ensinamentos aos alunos”, afirmou o Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e Vigário Episcopal para a Educação e a Universidade.

Participaram da missa professores, estudantes, diretores de escolas e demais profissionais da área do ensino, além de reitores de universidades católicas instaladas na cidade de São Paulo, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes; e o secretário municipal de Educação, Fernando Padula.

Atenção da Igreja com a educação

Na homilia, Dom Carlos Lema recordou que o Papa Francisco recorrentemente tem chamado toda a sociedade a se mobilizar em favor da causa da educação, reforçando este que é um compromisso histórico da Igreja. Ele lembrou que o assunto será tratado na Campanha da Fraternidade de 2022, com o tema “Fraternidade e Educação” e lema “Fala com sabedoria, ensina com amor” (cf. Pr 31,26).  

“Com o tema da educação na Campanha da Fraternidade, a Igreja nos lembra que se queremos um futuro melhor, se queremos conseguir a verdadeira renovação da sociedade e o crescimento harmônico das nossas famílias, precisamos investir na educação”, ressaltou o Bispo.

O papel dos pais e professores

Dom Carlos reforçou que a família deve assumir o protagonismo na educação das crianças, estejam elas em escolas públicas, particulares ou comunitárias, favorecendo, assim, a formação integral dos estudantes, não apenas para o domínio dos diferentes saberes, mas enquanto cidadãos e filhos de Deus.

“Nisso está a importância da transcendência na escola. Sabemos que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) prevê o ensino religioso em todos os anos, desde o ensino fundamental. Dessa forma, também o Estado reconhece que para a boa formação do cidadão, é preciso que ele aprofunde o sentido religioso da vida”, comentou o Bispo.

Ao recordar que toda a pessoa deve ter sua dignidade respeitada, Dom Carlos Lema afirmou que os bons educadores olham a dimensão humana de cada estudante, respeitam suas origens e, cientes de suas condições de vida e talentos, ajudam a superar os limites para que alcancem seus objetivos.

O Vigário Episcopal para a Educação e a Universidade ressaltou que Jesus Cristo é modelo a ser seguido pelos educadores: “Ele é o grande mestre e veio nos ensinar, dando exemplo a todos os educadores. Os professores e todos os educadores têm que se esforçar para ser exemplo de vida coerente e arrastar os seus alunos para o caminho do bem”. O Bispo lembrou também que é a missão de todas as pessoas envolvidas com a educação colaborar para a formação e consolidação do caráter de crianças, adolescentes e jovens.

Gratidão

Ao final da missa, a professora Marcia Cristina Camargo de Souza, coordenadora pedagógica no Colégio Santa Catarina de Sena, leu uma mensagem em agradecimento aos professores que bem desempenham sua missão.

“Recentemente, fomos atropelados por algo denominado pandemia e mais uma vez nos reinventamos e aprimoramos os talentos já existentes, fazendo surgir alguns que nem imaginávamos sermos capazes. Nossa missão diária e contínua é formar nada mais e nada menos que as mentes e os corações das crianças, dos jovens e dos adultos que passam por nossas mãos”, disse em um dos trechos da homenagem.

Também o prefeito Ricardo Nunes agradeceu o empenho de todos os profissionais da educação da cidade de São Paulo na missão de ajudar a bem formar as novas gerações. “Não tenho dúvidas de que cada professor tem uma bênção especial de Deus e uma missão a cumprir na sua vocação”, afirmou, assegurando que a Prefeitura prosseguirá nos esforços para assegurar as boas condições das escolas.

Reconhecimento

Professores e diretores de escola que participaram da missa na Catedral da Sé falaram ao O SÃO PAULO sobre a celebração da data e a missão que desempenham:

“Nesta pandemia, a figura do professor voltou à centralidade, assim como a figura da família. Às vezes, se dá muita atenção a políticas públicas, projetos, coisas externas à escola, mas no fundo o que faz a diferença são as coisas que acontecem no dia a dia na escola, essa relação professor-aluno, relação escola-família. Por tudo isso, foi uma alegria realizarmos esta celebração”.

Edivan Mota, diretor do Instituto de Estudos avançados em Educação, membro da Sociedade Thomas More e diretor de escola pública.

“Neste dia, o melhor presente que nós podemos oferecer aos nossos professores é a celebração eucarística, pois recebendo Jesus, eles e elas terão forças suficientes para cumprir a missão que uma escola católica tem, que é de transformar o mundo por meio da evangelização das crianças e dos jovens”.

Irmã Maria Izabel Coenca, diretora do Colégio Santa Catarina de Sena.

“Hoje, além do papel pedagógico de ensinar letras e matemática, por exemplo, o nosso dever é também de ajudar que os estudantes se recomponham no dia a dia como cidadãos, principalmente por meio da nossa fé católica, para que possam transmitir o que eles têm dentro deles e não só receber conteúdos. Essa missa de hoje representa um reconhecimento e um momento de se entregar para Deus para uma renovação”.

Débora Adelaide, professora do Colégio Maria Rainha do Amor, educadora há mais de 20 anos.

SOBRE A ORIGEM DA DATA
A comemoração do dia do professor remonta ao dia 15 de outubro de 1827, quando Dom Pedro I decretou a obrigatoriedade do ensino elementar no Brasil, de modo que todas as cidades, vilas e vilarejos passassem a ter escolas de primeiras letras. Em 1947, por iniciativa do professor paulista Salomão Becker (1922-2006), a data se tornou ocasião para festejar o trabalho dos professores. A ele se atribuiu a seguinte frase: “professor é profissão, educador é missão”. E foi apenas em 14 de outubro de 1963, por meio do decreto federal 52.682, que se oficializou o Dia do Professor, a ser comemorado sempre no dia 15 de outubro.

Desafios e esperanças com a volta às aulas presenciais

Desde a segunda-feira, 18, tornou-se obrigatória a retomada das aulas presenciais nas escolas das redes estadual, municipal e particular vinculadas ao Conselho Estadual de Educação, conforme a capacidade de ocupação física da unidade escolar para que se mantenham os protocolos sanitários.

A partir de 3 de novembro, em todo o estado, não será mais necessário manter o distanciamento de um metro entre as carteiras nas salas de aula e, assim, todas as escolas poderão receber 100% dos alunos simultaneamente em seus respectivos horários de estudos.

Professores e diretores ouvidos pelo O SÃO PAULO durante a missa na Catedral da Sé (leia mais acima) falaram a respeito das expectativas e desafios para essa retomada completa das aulas presenciais.

Para Edivan Mota, diretor do Instituto de Estudos Avançados em Educação, membro da Sociedade Thomas More e diretor de escola pública, o mais desafiador tem sido romper o medo dos pais. “Eles estão muito receosos ainda, temem pela questão da quantidade de alunos, de como os filhos vão reagir a essa volta”, comentou, destacando, porém, que entre os alunos a sensação é oposta. “Para os estudantes, tem sido uma alegria. Afinal, a escola não é só um lugar de aprendizado para eles, mas de encontrar o amigo, lugar de partilha. Com eles, a preocupação que temos é a de relembrar os protocolos a serem seguidos”, detalhou, ressaltando que ao longo da pandemia a figura do professor e da família retomaram a centralidade no processo educativo.

Professora há 20 anos, Débora Adelaide, que leciona no Colégio Maria Rainha do Amor, esteve na missa com cerca de 30 alunos do 5º ano do ensino fundamental. “Hoje, além do papel pedagógico de ensinar, nosso dever é também o de ajudar que os estudantes se recomponham no dia a dia como cidadãos, principalmente por meio da nossa fé católica, para que possam transmitir o que eles têm dentro de si e não só receber conteúdos”, afirmou, detalhando que desde o começo da pandemia tem percebido um olhar de maior respeito dos pais e dos alunos pelos professores. “A missa de hoje representa um reconhecimento para nós, professores, e um momento de nos entregar a Deus para uma renovação da missão”, complementou.

Diretora do Colégio Santa Catarina de Sena, a Irmã Maria Izabel Coenca também enalteceu a realização da missa pela Arquidiocese: “Neste dia, o melhor presente que nós podemos oferecer aos nossos professores é a celebração eucarística, pois, recebendo Jesus, eles terão forças suficientes para cumprir a missão que uma escola católica tem, que é a de transformar o mundo por meio da evangelização das crianças e dos jovens”, afirmou.

Irmã Maria Izabel recordou que, ao longo da pandemia, os professores do colégio adaptaram estratégias para manter o nível de ensino e dialogar com as famílias, e que na retomada das aulas presenciais o maior desafio será o de manter os estudantes empenhados nos estudos em sala de aula após um período com tantas atividades on-line. “Com a ajuda dos professores conscientes sobre a missão de educar mentes e corações, acho que vamos fazer um bom trabalho”, concluiu.

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