
Os membros das comissões regionais das forças missionárias da Arquidiocese de São Paulo participaram no sábado, 3, no Instituto Pio XI, no Alto da Lapa, de uma formação na qual aprofundaram os desafios e as prioridades da ação evangelizadora na cidade, à luz das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE).
O documento, aprovado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para o período de 2026 a 2032, orienta a missão e a ação pastoral da Igreja no País.
UM CAMINHO DE EVANGELIZAÇÃO

A manhã de formação foi conduzida por Dom Celso Alexandre, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga e Referencial para a Animação Missionária, após um momento oracional presidido por Dom Edilson de Souza Silva, também Bispo Auxiliar da Arquidiocese.
Dom Celso definiu o documento como um caminho de evangelização para os próximos anos, que coloca no centro da ação da Igreja o anúncio de Jesus Cristo, a renovação da consciência missionária das comunidades e o fortalecimento de uma Igreja cada vez mais sinodal, acolhedora e aberta à sociedade.
De acordo com o Bispo, a elaboração do texto passou por um longo processo de reflexão, participação e revisão. Inicialmente pensado para um período de quatro anos, o documento foi ampliado para seis anos, de modo a garantir mais tempo para sua implementação e para que as comunidades possam colocar em prática as orientações propostas.
Dom Celso ressaltou que a intenção é que as Diretrizes não sejam apenas um texto de referência, mas um instrumento concreto para orientar a ação evangelizadora da Igreja no Brasil.
UMA IGREJA SEM PORTAS

Um dos pontos destacados no documento, segundo o Prelado, é a necessidade de renovar a consciência missionária da Igreja. Conforme explicou, as novas Diretrizes propõem uma Igreja que não permaneça fechada em suas estruturas, mas saia ao encontro das pessoas e se faça presente nas diferentes realidades.
“As Diretrizes contemplam a imagem de que somos uma tenda, ou seja, somos presença. A Igreja é a presença do Reino de Deus nesta grande Arquidiocese e, como tal, somos uma Igreja que acolhe, mas que também se expande para alcançar aqueles que estão distantes. Como uma tenda, queremos ser uma Igreja em movimento, que se faz peregrina no anúncio do Evangelho, sobretudo pelo testemunho”, expressou.
Ao O SÃO PAULO, Dom Celso afirmou que o encontro, ao reunir membros das comissões regionais da Arquidiocese, pretende “reacender no coração um ânimo missionário, revigorar as forças missionárias e fortalecer o compromisso com o anúncio do Evangelho”.
FORÇAS EM UNIDADE

Padre Vidal Valentín Cantero Zapattini, CSS, Assessor Eclesiástico arquidiocesano para a Animação Missionária, falou à reportagem sobre como as novas Diretrizes e o trabalho realizado pelas comissões missionárias nas regiões episcopais podem contribuir para fortalecer a unidade entre as diferentes realidades pastorais e regionais.
A proposta, segundo o Sacerdote, é que os conselhos missionários não atuem como uma pastoral a mais, mas como equipes que ajudem a despertar e fortalecer a dimensão missionária em todas as pastorais.
“Quando falamos de forças missionárias, estamos falando de todas as pastorais e todos os carismas. Nessa diversidade, temos um único objetivo, que é levarmos ao anúncio do Evangelho”, afirmou.
Para os próximos anos, conforme salientou Padre Vidal, a expectativa é colocar em prática as orientações das novas Diretrizes e integrá-las ao futuro Plano de Pastoral da Arquidiocese.
Ao recordar o convite das Diretrizes para “alargar as tendas”, Padre Vidal destacou a necessidade de uma Igreja aberta e acolhedora: “Não ter medo de chamar, não ter medo de acolher, não ter medo de dar oportunidades àqueles que estão chegando”.
REALIDADES MISSIONÁRIAS

Missionária na Paróquia Imaculado Coração de Maria, na Região Brasilândia, a Irmã Marlucia do Socorro da Costa, da Congregação das Missionárias de Maria Xaverianas, ressaltou que as DGAE 2026-2032 abrem perspectivas sobre a dimensão missionária, levando à compreensão de que ela percorre toda a vida e a ação da Igreja. Essa perspectiva, segundo ela, também amplia a compreensão sobre quem é chamado a evangelizar: todos são chamados a ser missionários e, conforme destacou a religiosa, as novas Diretrizes incluem, sobretudo, as crianças como protagonistas dessa missão.
Padre João Carlos Deschamps de Almeida, Pároco da Paróquia São João Maria Vianney e Assessor da Comissão Missionária na Região Lapa, explicou que o encontro foi pensado para animar as comunidades a repensar suas ações pastorais a partir de uma perspectiva missionária.
Segundo ele, a expectativa é fortalecer as comissões paroquiais e pastorais, de modo que o espírito missionário esteja no planejamento e nas ações desenvolvidas a partir de 2027. Além disso, em seu entender, a missão precisa ser constantemente renovada: “A cada ano, a cada geração, devemos novamente reativar, reacender, reanimar, despertar, fortalecer e encorajar, cheios de esperança, toda a comunidade”.




