Consagrados, santos e beatos entregaram-se a Deus e ao próximo em São Paulo

Luciney Martins/O SÃO PAULO

No 3º domingo deste mês das vocações, a Igreja recorda os religiosos consagrados, homens e mulheres que “se propõem, sob a moção do Espírito Santo, seguir Cristo mais de perto, entregar-se a Deus amado acima de todas as coisas e, procurando a perfeição da caridade ao serviço do Reino, ser na Igreja sinal e anúncio da glória do mundo que há de vir” (Catecismo da Igreja Católica, no 916). 

As marcas da vida religiosa consagrada estão nas origens da cidade de São Paulo, fundada por missionários da Companhia de Jesus (Jesuítas), em 1554, entre os quais São José de Anchieta, e prosseguiram ao longo dos séculos. Nesta edição, O SÃO PAULO apresenta dois santos e dois beatos que aqui viveram, testemunhando a fé, a esperança e a caridade cristã. 

SANTO ANTÔNIO DE SANT’ANNA GALVÃO (1739 – 1822) 

Reprodução da Internet

Nos anos finais da fase colonial, o governo de Portugal impôs muitas limitações à Igreja no Brasil, impedindo, por exemplo, a fundação de congregações religiosas. Isso, porém, não intimidou Frei Galvão, franciscano que chegou a São Paulo em 1762, após receber a ordenação sacerdotal. 

Em 1770, ao ser designado como confessor do Recolhimento de Santa Teresa, conheceu a Irmã Helena Maria do Espírito Santo, que dizia ter visões nas quais Jesus lhe pedia que se criasse um novo recolhimento. O Frade trabalhou diretamente para construí-lo, entre 1774 e 1788. Surgia, assim, o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência, que se tornaria mosteiro apenas em 1929, sendo incorporado à Ordem da Imaculada Conceição (Concepcionistas). De 1788 a 1802, Frei Galvão empenhou-se na construção da igreja do Mosteiro da Luz. 

Propagador da imaculada conceição de Maria Santíssima, Frei Galvão visitava as famílias e recebia no convento os pobres e doentes, do corpo e do espírito, e, assim, tornou-se conhecido como conselheiro e servidor do povo. “A caridade é mansa e benigna, quem tem essa virtude não se afasta facilmente, não julga mal, nem se perturba por qualquer causa, e é muito capaz de sossegar e compor os ânimos e gênios mais descontrolados”, afirmava. 

Frei Galvão morreu no Recolhimento da Luz, em 23 de dezembro de 1822, aos 84 anos. Foi beatificado em 1998 e canonizado em maio de 2007, pelo Papa Bento XVI, no Campo de Marte, na capital paulista. 

SANTA PAULINA (1865 – 1942) 

Arquivo/Santuário Santa Paulina

Quando seus pais, italianos, estabeleceram-se em Nova Trento (SC), em 1875, Amábile Lúcia Visintainer, então com 10 anos, já se mostrava disposta a ajudar os mais necessitados, viver a intimidade com Deus e ensinar a fé católica. 

Na década de 1890, Amábile, na companhia de Virgínia Rosa Nicolodi, iniciou a comunidade religiosa das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, com atuação em favor dos doentes, sendo reconhecida como congregação em 1895. No mesmo ano, Amábile professou os votos religiosos, passando ao nome de Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus. 

As irmãs chegaram a São Paulo, no bairro do Ipiranga, em dezembro de 1903, e iniciaram a obra “Sagrada Família” para abrigar os ex-escravos e cuidar dos filhos deles, em especial dos órfãos. Em 1909, já não mais como superiora-geral da congregação, foi enviada a Bragança Paulista (SP). 

Retornou à capital paulista em 1918, colocando-se à disposição de sua congregação para servir pela fé, obediência, caridade e humildade: “Sede bem humildes, é Nosso Senhor quem faz tudo, nós somos seus simples instrumentos”. 

Madre Paulina morreu no Ipiranga, em 9 de julho de 1942, aos 76 anos. Foi beatificada em 1991 e canonizada por São João Paulo II em 2002. Recentemente, em 6 de agosto, recebeu o título póstumo de cidadã paulistana pela Câmara Municipal. 

BEATA ASSUNTA MARCHETTI (1871 – 1948) 

beata assunta

A convite de seu irmão, o Venerável Padre José Marchetti, sacerdote italiano que veio ao Brasil na década 1890 para acompanhar as condições de vida dos imigrantes de seu país, Assunta Marchetti chegou a São Paulo, em 1895, aos 24 anos, com a missão de ser a “mãe dos órfãos do Brasil”. 

No orfanato que o Padre ajudou a construir no bairro do Ipiranga, Assunta e outras integrantes da recém-fundada Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu (Scalabrinianas) passaram a cuidar das crianças órfãs italianas. Depois, a acolhida se estendeu às de outras nacionalidades e a filhos de escravos abandonados. 

Anos depois, Madre Assunta abriu uma casa apenas para acolher meninas, o Orfanato Cristóvão Colombo, na Vila Prudente, zona Leste, hoje Casa Madre Assunta Marchetti, que atende crianças no contraturno escolar. 

“A jovem religiosa, habituada a servir, não media esforços para ser mãe carinhosa, enfermeira e catequista daqueles pequenos que a Providência fazia chegar ao Orfanato Cristóvão Colombo”, consta no site das Scalabrinianas. 

Após morar por alguns anos no interior paulista e no Rio Grande do Sul, Madre Assunta teve seus anos finais de vida no Orfanato da Vila Prudente, onde morreu em 1º de julho de 1948, aos 76 anos. Ela foi beatificada em 25 de outubro de 2014, na Catedral da Sé. 

BEATO MARIANO DE LA MATA (1905 – 1983) 

Reprodução da Internet

“A morte não espera” e a “solidão só aumenta o sofrimento.” Quem conviveu com o Beato Mariano de la Mata Aparício ouvia dele com frequência essas frases e podia testemunhar a disposição deste religioso agostiniano em se deslocar pela cidade com seu fusca para estar próximo dos doentes e indigentes. 

Nascido na Espanha, Mariano de la Mata seguiu o caminho de três de seus irmãos e ingressou na Ordem Agostiniana. Ele professou os votos solenes em 1927 e foi ordenado sacerdote em 1930. No ano seguinte, chegou ao Brasil, e após um período de trabalhos em Taquaritinga (SP), foi transferido para o Colégio de Santo Agostinho, na capital paulista, onde atuou na maior parte de sua vida, bem como na Paróquia Santo Agostinho, no bairro da Liberdade. 

A alegria era uma de suas marcas na vivência com os confrades e paroquianos, bem como seu amor para com as crianças, os pobres e os enfermos, aos quais levava não só os sacramentos, mas a esperança cristã. Um de seus feitos foram as Oficinas de Santa Rita de Cássia, nas quais senhoras confeccionam, costuram e distribuem enxovais e roupas para os recém-nascidos e pobres. 

Em 1983, acometido por um câncer, o Padre faleceu aos 77 anos. Foi beatificado em novembro de 2006, na Catedral da Sé. 

(Com informações das congregações e dos sites biográficos dos santos e beatos) 

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