‘Deus conduz a nossa história e, na sua vontade, está o nosso bem’

Cardeal Odilo Pedro Scherer (foto: Bruno Melo/arquivo)

O Cardeal Odilo Pedro Scherer presidiu, na manhã da quarta-feira, 4, a missa da memória de São João Maria Vianney, patrono dos sacerdotes. Por essa razão, nesta data, é comemorado o Dia do Padre. 

A Eucaristia, celebrada na capela da residência arquiepiscopal, foi transmitida pela rádio 9 de Julho e pelas mídias digitais da Arquidiocese.

Também conhecido como o Cura d’Ars, este sano nasceu em Lião, na França, em 1786. Após superar muitas dificuldades, pôde ser ordenado sacerdote. Tendo-lhe sido confiada a paróquia de Ars, na diocese de Beley, nela promoveu admiravelmente a vida cristã, por meio de uma pregação eficaz, com a mortificação, a oração e a caridade. Revelou especiais qualidades na administração do sacramento da Reconciliação (Confissão). Por isso, acorriam fiéis de todas as partes para receber os santos conselhos que dava. Morreu em 1859.

“Rezemos por todos os padres para que o Senhor os abençoe os recompense, que tenham a alegria no exercício desse ministério, na vivência de sua vocação para a edificação do povo de Deus”, manifestou Dom Odilo, no início da celebração.

Testemunho de fé

Na homilia, o Cardeal ressaltou que os textos bíblicos da liturgia do dia apresentam dois exemplos contrastantes : de um lado, a mulher cananeia do Evangelho (Mt 15,21-28) que tem fé e, na primeira leitura (Nm 13,1-2.25-14,1.26-30.34-35), o povo hebreu que vacila na fé no deserto.

A mulher pagã pede a Jesus a cura de sua filha. Jesus, por sua vez, afirma: “Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel” e acrescenta que “não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-los aos cachorrinhos”. A cananeia, então, insiste: “É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!” Diante o testemunho de fé da mulher, Jesus realiza a cura.

Murmuração no deserto

Já o trecho do livro dos Números narra as murmurações dos hebreus durante o caminho para a terra prometida, questionado porque foram tirados do Egito para sofrer no deserto.

O Cardeal ressaltou que a história do povo de Israel, com seus momentos de crise e de falta de fé, é como que um protótipo da história pessoal de cada ser humano e das comunidades em geral.

“Diante de muitas coisas, reclamamos de Deus, queremos que tudo seja conforme a nossa vontade e não temos confiança no Senhor. Por isso, desanimamos, lamentamos”, afirmou Dom Odilo, lembrando que os murmuradores do deserto não entraram na terra prometida.

“Deus conduz a nossa história e sempre nos conduz para um fim bom. Devemos, também nós, te confiança nele e não querer impor as nossas vontades. Na vontade de Deus está o nosso bem, está a nossa paz”.

Pároco admirável

O Arcebispo sublinhou que o Santo Cura d’Ars foi um exemplo daquele que realizou a vontade de Deus em sua vida. O Cardeal recordou que esse sacerdote foi enviado a uma paróquia difícil, para qual nenhum outro padre queria ir.

“O começo de seu trabalho foi difícil. Porém, ele começou a rezar, a fazer penitência, visitar o povo, mostrar interesse pelas pessoas. Assim, aos poucos, conquistou não só aquela paróquia como muitas pessoas de longe que iam até lá ouvir suas homilias e catequeses, confessar-se com ele, porque viam nele a figura de um santo sacerdote”, destacou Dom Odilo.

Recordando os muitos sacerdotes que enfrentam dificuldades para exercer o ministério em um mundo que oferece tantos caminhos contrários à vida cristã, o Cardeal enfatizou que também os padres são tentados pelo desânimo. “Peçamos a São João Maria Vianney, pároco admirável, a confiança e a perseverança em Deus”, concluiu.  

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