Dom Carlos Silva e clero atuante na Brasilândia emitem nota sobre o caos em hospital para COVID-19

Os padres que atuam em paróquias da Região Episcopal Brasilândia da Arquidiocese de São Paulo e Dom Carlos Silva, OFMCap, Bispo Auxiliar da Arquidiocese e Vigário Episcopal nesta Região, emitiram na noite da terça-feira, 27, uma nota de repúdio sobre as condições do Hospital Municipal da Brasilândia.

Fachada do Hospital Municipal da Brasilândia (Imagem a partir de foto da Prefeitura de São Paulo)

Inaugurada no ano passado, a unidade hospitalar tem sido destinada exclusivamente para receber pacientes com a COVID-19. Atualmente, está com mais de 90% dos leitos ocupados. Médicos que atuam no local registraram em vídeos a falta de medicamentos sedativos e outros utilizados para a intubação dos pacientes nos leitos de UTI. As imagens foram apresentadas em reportagem da TV Globo em 26 de abril.

Diante das condições do hospital, os padres e o Bispo manifestam repúdio pela “incompetência das instâncias administrativas e, ao mesmo tempo, nossa preocupação com as atuais e próximas internações de infectados nesta pandemia”.

É ressaltado, ainda, que “a ausência de medicamentos para os procedimentos que visam a garantia da vida e o alívio do sofrimento, num momento delicado e doloroso, atenta contra a dignidade e a vida das pessoas. O desrespeitar desse direito, primeiro e fundamental, causa-nos perplexidade e estarrecimento”.

Os padres e Dom Carlos Silva afirmam, também, que “como discípulos de Jesus Cristo, o Bom Pastor”, que sente compaixão do povo, exigem “que sejam concretizadas as políticas públicas de saúde para a garantia do tratamento da COVID-19”, uma vez que “está em jogo a vida humana, dom inestimável de Deus”.

Na nota é recordada a presença solidária da Igreja com as famílias necessitadas e pessoas mais prejudicadas nesta pandemia, em ações como a distribuição de cestas básicas, orações pelos aflitos e proximidade aos sofredores nos hospitais e cemitérios, além de celebrações pelos falecidos.

“Em um momento em que não se pode fugir das responsabilidades, exigimos que os nossos governantes cumpram não simplesmente suas promessas, mas seu dever de respeitar e proteger a vida humana”, consta na conclusão da nota, que é assinada por Dom Carlos Silva e pelo Padre Cilto José Rosembach, Coordenador dos Presbíteros na Região Brasilândia.

A íntegra da nota, que reproduzimos a seguir, foi disponibilizada pela Pastoral da Comunicação da Brasilândia.

O que diz a Prefeitura?

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, emitiu a seguinte nota à imprensa sobre a reportagem da TV Globo:

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), informa que a situação geral de abastecimento dos medicamentos para intubação na rede municipal é considerada regular e esclarece que há diferentes medicamentos utilizados, como bloqueadores neuromusculares necessários para indução e manutenção da intubação, com mesma ação terapêutica. A Pasta tem realizado a compra desses medicamentos para que não falte tratamento adequado, mesmo com as incertezas do mercado e dificuldade por parte das empresas em atender a demanda nacional. Os estoques dos medicamentos são verificados rotineiramente, caso seja necessário, é possível o remanejamento entre as Unidades de Saúde.

As compras de medicações do chamado “kit intubação” são realizadas por meio de pregões eletrônicos junto a laboratórios e distribuidoras nacionais. As empresas vencedoras desses pregões têm honrado com os seus compromissos de fornecimento em condições de manter os estoques necessários para o abastecimento dos hospitais municipais. Compras emergenciais podem ser acionadas no caso de atrasos de entregas pelos detentores das ATA’s.

A SMS, juntamente com o Instituto de Atenção Básica e Avançada em Saúde (IABAS), órgão esclarece que durante o processo de extubação – quando são retirados do paciente os medicamentos da intubação – as medicações sedativas são retiradas gradualmente para que o paciente acorde e retome a consciência.

Durante esse processo, em alguns casos, o paciente fica agitado e, para que não se machuque, é necessária a imobilização física. Nesses casos, não há qualquer relação com o procedimento de intubação e medicamentos utilizados para tal operação, o chamado “kit intubação”.

A SMS ressalta que este tipo de denúncia visa instalar clima de instabilidade entre profissionais e familiares que, neste momento, em nada contribuem para o enfrentamento da pandemia.

Fontes: G1 e Pascom Brasilândia

Comentários

  1. Eu quero aplaudir de pé a atitude e a ação da igreja católica e deses valorosos religiosos. É ciente de minha humilde luta humanista me oferecer como mais um ello dessa corrente
    Ativista humanista conselheiro de saúde de São Paulo poeta: jonas Cesar Lima

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe!

Últimas Notícias

Assine nossa Newsletter