Dom Odilo: ‘A misericórdia de Deus é completa’

(Foto: Arquivo/Bruno Melo)

Na missa desta terça-feira, 9, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, meditou o tema do perdão, destacado na liturgia da Palavra desta 3ª semana da Quaresma.

A Eucaristia, celebrada na capela da residência arquiepiscopal, foi transmitida pela rádio 9 de Julho e pelas mídias digitais da Arquidiocese.

Na primeira leitura (Dn 3,25.34-43), o profeta Daniel faz uma grande súplica de perdão pelo povo, humilhado no exílio da Babilônia. Dom Odilo ressaltou que o perdão divino não é medido pelos méritos do ser humano, mas na grandeza da misericórdia de Deus.

No Evangelho (Mt 18,21-35), Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deve perdoar o irmão, se até sete vezes. O senhor, porém, responde-lhe: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”.  

O Cardeal recordou que, na Bíblia, o número 7 simboliza a perfeição e, portanto, ao multiplicar e esse número em 70 vezes, Jesus indica que o perdão deve ser dado sempre e nunca deve ser retido.

Perdoar sempre

Em seguida, Cristo conta a parábola do empregado que devia muito e foi perdoado pelo patrão. Esse, no entanto, não foi capaz de perdoar um companheiro que lhe devia pouco. Ao tomar conhecimento desse fato, o chamou o servo novamente e disse: “‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?” Depois disso, mandou prender o empregado até que pagasse toda a dívida.

Ao comentar esse texto, o Arcebispo chamou a atenção para a conclusão da parábola de Jesus, que diz: “É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.

“E nós perdoamos o nosso irmão? Perdoamos integralmente ou mantemos ainda um resquício de mágoa? E se Deus fizesse conosco o que fazemos com o próximo?”, indagou Dom Odilo.

Crer na misericórdia

“Diz o salmo que Deus não conta os nossos pecados, mas nos perdoa integralmente, de maneira que possamos, sempre de novo, viver em paz”, acrescentou.

Por outro lado, o Cardeal chamou a atenção para o perigo de as pessoas que carregam por toda a vida o sentimento de culpa, sem conseguir acreditar no perdão verdadeiro de Deus. “Isso também é contrário à misericórdia divina. Jesus nos ensina que a misericórdia de Deus é completa”, enfatiza o Arcebispo, recordando que isso não anula a atitude de penitência, arrependimento e o propósito sincero de não voltar a pecar.  

“A penitência e a disciplina devem nos ajudar a não cair novamente no pecado e a recordar as nossas fragilidades. Mas, de toda forma, a misericórdia de Deus apaga multidão de pecados se nós recorremos a Ele de modo humilde e sincero”, completou.

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