
O Santuário São Francisco, na Região Sé, teve intensa programação no sábado, 3, e no domingo, 4, na festa de seu padroeiro, desta vez ainda mais especial na memória dos 800 anos da morte de São Francisco de Assis. Aconteceram momentos oracionais, a tradicional bênção aos animais, o rito solene do Trânsito de São Francisco – que rememora a morte do Santo – e missas, a última delas solene, no domingo, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer e concelebrada pelo Frei Gustavo Medella, OFM, Guardião e Reitor do Santuário.
“Hoje é um dia muito especial, não só porque celebramos o dia de São Francisco, 4 de outubro, mas porque acontece logo depois da comemoração dos 800 anos da morte de São Francisco, que entregou a sua vida a Deus depois de ter vivido intensamente em comunhão com Ele e acolhido os muitos sinais da presença de Deus já neste mundo, sobretudo nos doentes e pobres, mas também na Igreja, em que, de maneira toda especial, encontrou esta presença de Jesus e do Evangelho que ele viveu profundamente”, disse o Arcebispo Metropolitano ao iniciar a homilia.
AMPLO TESTEMUNHO DA FÉ


Dom Odilo sublinhou que São Francisco de Assis, hoje reconhecido como um exemplo de quem bem viveu a fé, “nunca pretendeu ser grande, mas simples, humilde, e, assim, tornou-se importante. Embora vivesse a pobreza absoluta, por escolha própria, desapegado de todos os bens, quanta riqueza este Santo deixou para todos nós”.
O Arcebispo recordou que o ‘Pobrezinho de Assis’, ao longo de seu processo de conversão, procurou sempre discernir qual era a vontade de Deus na sua vida e fez-se penitente. “A conversão não se dá por um processo de castigo de si mesmo, mas por uma aproximação cada vez maior de Jesus do exemplo que Ele deixou e do Evangelho”, explicou.
Após converter-se, o Santo procurou viver intensamente o caminho do Evangelho, anunciando-o primeiro aos que encontrou e depois partindo em missão. Também viveu intensamente a dimensão da fraternidade. “São Francisco pôde unir-se com toda simplicidade aos pobres, aos doentes, aos pequenos e, também, às pessoas importantes, aquelas com autoridade, mas sempre com a mesma simplicidade, transparência e verdade. Ele se tornou como um irmão universal e por isso também amou e promoveu a paz”, detalhou Dom Odilo.

O Cardeal lembrou ainda que o Santo era hábil em dialogar como ocorreu quando conseguiu que o Papa aprovasse as regras da Ordem franciscana e na ocasião em que foi ao Egito para conversar com o sultão, a fim de assegurar a presença cristã na Terra Santa. Sublinhou, ainda, que São Francisco viveu entregue à providência divina e foi um verdadeiro místico, no sentido daquele que “a partir da fé, à luz de Deus, pode contemplar todas as coisas com um olhar límpido, com o coração desapegado”, e foi assim que enxergou que “todas as criaturas são criaturas de Deus”.
(Colaborou: Fernando Arthur)


