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‘Ele o fez por amor’, destaca Dom Odilo sobre a Paixão de Cristo

‘Ele o fez por amor’, destaca Dom Odilo sobre a Paixão de Cristo - Jornal O São Paulo
Fotos: Luciney Martins/ O SÃO PAULO

Em pé e em profundo silêncio, às 15h da Sexta-feira Santa, 3, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção, a assembleia de fiéis acompanhou a entrada do Arcebispo Metropolitano e dos concelebrantes para a Ação Litúrgica da Paixão de Cristo.

Em frente ao altar, completamente desnudado, eles se prostraram, ao mesmo tempo em que os fiéis se ajoelharam para meditar, silenciosamente, o mistério da Paixão de Cristo, fazendo memória de que o Senhor entregou a própria vida para a salvação da humanidade.

“Ó Deus, pela Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, destruístes a morte que o primeiro pecado transmitiu a todo o gênero humano. Concedei que nos tornemos semelhantes a vosso Filho e, assim como trouxemos pela natureza a imagem do homem terrestre, possamos manter pela graça a imagem do homem celeste”, rezou o Arcebispo.

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O ENVIADO DE DEUS PARA A SALVAÇÃO DO MUNDO

Na homilia, ao mencionar o relato da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo o evangelista João (Jo 18,1–19,42), Dom Odilo convidou os fiéis a refletirem onde eles próprios se situam nesta narrativa e o que a comemoração da Paixão de Cristo tem a dizer ainda hoje.

O Arcebispo ressaltou que mais do que tentar buscar culpados pela morte de Jesus entre os personagens do relato da Paixão, seja pelas ações, seja pelas omissões que tiveram, é fundamental que se olhe para Jesus e se reconheça Nele aquele que Deus enviou ao mundo para a salvação de todos.

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POR ELE, PODEMOS RECEBER O PERDÃO DOS PECADOS

Dom Odilo afirmou que apesar de todos os flagelos e humilhações que sofreu, Jesus Cristo é misericordioso com a humanidade: “Ele não veio para condenar, mas para salvar. Tem misericórdia de todos”.

O Filho Deus – prosseguiu o Arcebispo – que se encarnou e assumiu as fragilidades humanas, veio ao encontro do pecador e estendeu-lhe a mão, ainda que isso tenha custado a Jesus a própria vida: “Por isso, a Sua morte na cruz tem um significado único para nós. A Igreja O reconhece como o Senhor, o nosso Salvador. Por meio Dele, nós podemos receber o perdão, a remissão dos pecados”.

Ao recordar a 1ª leitura proclamada nesta ação litúrgica (Is 52,13–53,12), Dom Odilo disse que o profeta Isaías já previa a vinda do Messias, do Ungido de Deus que carregaria em seus ombros “o peso das nossas culpas e dos nossos pecados. Nas Suas feridas, as nossas feridas seriam curadas. No Seu sangue derramado, nós encontraríamos a paz, encontraríamos a misericórdia de Deus”.

Também a Carta aos Hebreus (Hb 4,14-16; 5,7-9), proclamada na 2ª leitura, aponta que Jesus, ao se submeter ao suplício da cruz e ao derramar o Seu sangue pela humanidade, torna-se “o sacerdote da nova e eterna aliança, que intercede por nós diante de Deus para que possamos obter misericórdia e perdão”.

Dom Odilo também lembrou que a Igreja no Creio afirma de modo direto que Jesus, para a nossa salvação, “desceu do céu, e se fez homem, um de nós, também por nós foi crucificado, faleceu e foi sepultado. Portanto, Ele assumiu a nossa carne, para, da nossa condição humana, poder nos redimir”.

O DIA DA VITÓRIA DE DEUS, NÃO DE LAMENTAÇÃO

“A nossa morte foi redimida pela Sua Morte e na Sua Ressurreição ressurgiu a vida para todos. Portanto, a Paixão e Morte de Jesus são para o nosso maior bem”, explicou Dom Odilo, apontando, ainda, que a Igreja ao compreender pela fé o significado da Morte de Jesus e da sua Ressurreição não adota um tom de lamentação na Sexta-feira Santa, nem fica a procura de culpados, mas sim “nos convida a adorar, a nos colocar diante do misterioso desígnio de Deus que nós não compreendemos. Somos convidados a agradecer de todo o coração ao Redentor, reconhecendo que Ele o fez por amor, não o fez obrigado”.

Por essa razão, prosseguiu o Arcebispo, a celebração da Sexta-feira da Paixão concluiu-se como uma grande vitória, “a vitória de Deus e nos convida a aderirmos também a esta vitória e a superar a lógica da morte, da violência, da falsidade e da inveja”.

Por fim, o Cardeal destacou neste dia a Igreja, em todas as partes do mundo, se reúne para comemorar a Paixão de Jesus para mais uma vez acolher o Salvador, com o fiéis arrependidos dos pecados e reconhecendo o grande sacrifício de Cristo: “Somos convidados a renovar os nossos propósitos de amor, de fé e de fidelidade a Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado para a nossa salvação”.

ORAÇÃO UNIVERSAL

Após a homilia, a assembleia reunida rezou a Oração Universal, recordando as intenções pelas quais Jesus entregou sua vida em favor da humanidade.

As preces foram pela Santa Igreja; pelo Papa; por todos os membros da Igreja; pelos catecúmenos; pela unidade dos cristãos; pelos judeus (aos quais o Senhor Deus falou em primeiro lugar); pelos que não creem no Cristo (a fim de que possam ingressar no caminho da salvação); pelos que não creem em Deus (para que mereçam chegar ao Deus verdadeiro); pelos governantes (para que Deus lhes dirija o espírito e o coração para a verdadeira paz e liberdade de todos) e por todos que sofrem, a fim de que Deus Pai “livre o mundo de todo erro, expulse as doenças e afugente a fome, abra as prisões e liberte os cativos, vele pela segurança dos viajantes, repatrie os exilados, dê a saúde aos doentes e a salvação aos que agonizam”.

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ADORAÇÃO DA CRUZ

Na sequência, pelo corredor central da Catedral, houve a entrada da cruz, ainda encoberta com um tecido. Em frente ao presbitério, ao declamar “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”, o Arcebispo lentamente a desnudou, sendo o primeiro a adorá-la, seguido por Dom Rogério Augusto das Neves, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Sé, demais sacerdotes, diáconos e servidores do altar.

Depois, por cerca de 20 minutos, a assembleia de fiéis realizou a adoração ao Cristo crucificado, ao som de antífonas e cânticos tradicionais, “Fiel Madeiro”, “Vitória, tu reinarás”, “Nossa glória é a cruz”.

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COLETA PARA OS LUGARES SANTOS

Também nesta celebração foi realizada a Coleta para os Lugares Santos, onde, conforme lembrou o Padre Luiz Eduardo Baronto, Cura da Catedral, a presença da Igreja depende da generosidade dos fiéis do mundo todo.

Este gesto de reconhecimento ao dom que cada pessoa recebeu e de generosa partilha ajuda a sustentar os que continuam testemunhando Cristo nos locais em que Ele nasceu, anunciou o Evangelho, entregou Sua vida em favor da humanidade e ressuscitou, conforme relatam as Sagradas Escrituras.

Posteriormente, foi estendida sobre o altar a toalha e o corporal, rezou-se a oração do Pai-Nosso e teve sequência o rito da comunhão, pois ainda que não se celebre a Eucaristia neste dia é feita a comunhão eucarística, com as hóstias que foram consagradas na missa da noite anterior.

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COM O SENHOR MORTO E NOSSA SENHORA PELAS RUAS DO CENTRO

Antes que se iniciasse a tradicional procissão com as imagens do Senhor Morto e de Nossa Senhora das Dores pelas ruas do centro, organizada pela Confraria de Nossa Senhora das Dores, o Arcebispo Metropolitano exortou os fiéis a rezarem as Laudes na manhã do Sábado Santo, dia de vigília, silêncio e oração à espera da Ressurreição de Cristo.

Após a procissão, os fiéis retornaram à Catedral da Sé, onde houve a meditação sobre o Sermão das 7 Palavras, conduzida pelo biblista Mathias Grenzer, professor da Faculdade de Teologia da PUC-SP, com reflexões acerca das últimas palavras de Jesus no Monte Calvário antes de sua morte de cruz.

No Sábado Santo, 4, Dom Odilo presidirá a Solene Vigília Pascal às 19h na Catedral Metropolitana. No domingo de Páscoa, 5, a missa a ser presidida por ele na igreja-mãe da Arquidiocese será às 11h.

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