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Encontro de Dom Odilo com o clero marca o início do ano pastoral na Arquidiocese

A Bispos Auxiliares, Padres e Diáconos, o Cardeal Odilo Scherer reforçou prioridades da Ação Evangelizadora na Igreja em São Paulo

Encontro de Dom Odilo com o clero marca o início do ano pastoral na Arquidiocese - Jornal O São Paulo
Luciney Martins/O SÃO PAULO

Na quinta-feira, 19, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, presidiu o tradicional encontro anual com o clero arquidiocesano, marcando o início do ano pastoral de 2026. Realizado no Colégio Santo Antônio de Lisboa, no Tatuapé, o momento reuniu os bispos auxiliares, padres e diáconos que vivem e atuam na Arquidiocese, em clima de fraternidade, comunhão e renovado compromisso missionário.

Na ocasião, foram acolhidos os dois novos bispos auxiliares da Arquidiocese, Dom Márcio Antônio Vidal de Negreiros, OSA, e Dom Celso Alexandre, recentemente ordenados e empossados nos ofícios. O Arcebispo manifestou gratidão ao Papa Leão XIV pela nomeação dos novos bispos, destacando que Dom Márcio Antônio foi designado para a Região Episcopal Santana e Dom Celso Alexandre para a Região Episcopal Ipiranga. Também foram acolhidos os clérigos que assumiram novos encargos pastorais desde março de 2025. Dom Odilo recordou, ainda, os sacerdotes e diáconos idosos e enfermos, bem como aqueles que faleceram no último ano, confiando-os à misericórdia de Deus.

ESPERANÇA E MEMÓRIA ECLESIAL

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Em sua reflexão, o Cardeal ressaltou que o início do ano pastoral convida todos a renovarem a consciência de serem “trabalhadores na vinha do Senhor”, chamados a servir com dedicação e espírito de fé. “Trabalhar para a Igreja é ter a consciência de que não somos os donos da messe, mas seus servidores”, afirmou, lembrando que a obra é, antes de tudo, de Deus, e que cabe aos ministros agirem em sintonia com o Espírito Santo, “principal animador e garantidor da vida da Igreja”.

Ao recordar a conclusão do Ano Jubilar ordinário, Dom Odilo sublinhou a centralidade da esperança cristã, tema do Jubileu. “Somos sempre peregrinos de esperança, de uma esperança que não desilude”, afirmou. O Cardeal agradeceu aos que promoveram iniciativas jubilares nas comunidades e incentivou que a vivência dessa esperança continue a marcar a ação pastoral.

O Arcebispo também destacou a celebração do Ano Jubilar Franciscano, pelos 800 anos do “trânsito” de São Francisco de Assis, convidando o clero e as comunidades a valorizarem a espiritualidade franciscana e a participarem das iniciativas propostas, inclusive as peregrinações com indulgência plenária, segundo as condições estabelecidas pela Igreja.

Outro ponto recordado foi o 280º aniversário da criação da Diocese de São Paulo, ocasião propícia para agradecer a Deus pela história da Igreja local e reforçar a consciência de pertença à Igreja particular, “porção do povo de Deus confiada a um Bispo com seu presbitério.

PRIORIDADES PASTORAIS

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No contexto da Quaresma, definida como “tempo de graça e salvação”, o Cardeal exortou à intensificação do jejum, da esmola e da oração, bem como à dedicação generosa ao sacramento da Reconciliação. Incentivou, ainda, a realização da Campanha da Fraternidade, que neste ano tem como tema “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), destacando que a falta de moradia digna interpela a consciência cristã e exige atenção pastoral.

Dom Odilo reafirmou a continuidade do Projeto Emergencial de Pastoral, inspirado no 1º sínodo arquidiocesano (2017- 2023), e informou que ao longo deste ano será preparado um novo Plano de Pastoral, em sintonia com as indicações do sínodo arquidiocesano, do Sínodo universal sobre a sinodalidade e das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.

Ao abordar a missão da Igreja, sintetizou-a em três dimensões inseparáveis: anúncio do Evangelho, santificação e testemunho da caridade. Recordou que essas dimensões estruturam a organização pastoral da Arquidiocese em três comissões — Anúncio, Santificação e Testemunho da Caridade — como expressão concreta da “conversão pastoral” desejada pela Igreja.

RECOMENDAÇÕES

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Entre as recomendações ao clero, o Arcebispo destacou a necessidade de promover maior participação dos fiéis, especialmente na missa dominical; cuidar da qualidade da pregação e da formação cristã; valorizar os sacramentos; zelar pela liturgia, evitando exageros e personalismos. Ele sublinhou que a “liturgia não é ‘show da fé’, mas ação sagrada”. Também recomendou o incentivo da prática organizada da caridade, o fortalecimento da pastoral vocacional e o investimento na evangelização da juventude.

O Cardeal mencionou, ainda, o consistório realizado em janeiro, no qual o Santo Padre ouviu os cardeais sobre temas prioritários, com destaque para a evangelização e a sinodalidade. Dom Odilo recordou que “o anúncio do Evangelho é a primeira e mais importante ação da Igreja” e sublinhou que a sinodalidade — comunhão, participação e missão — é exigência da própria natureza eclesial.

Dom Odilo também informou que o Diretório Arquidiocesano da Catequese encontra-se em fase final de elaboração e será instrumento importante para a unidade e a qualidade da formação na Arquidiocese. No campo administrativo, abordou a necessidade de assegurar a sustentabilidade do Fundo de Auxílio Fraterno Presbiteral (FAFPRES), destinado à digna sustentação dos padres idosos e enfermos, e reforçou a importância da observância das normas administrativas e pastorais.

SERVIÇO EM COMUNHÃO

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No final do encontro, Dom Odilo tratou dos questionamentos sobre sua possível sucessão. Recordou que, ao completar 75 anos, em setembro de 2024, apresentou ao Papa Francisco sua carta de renúncia, conforme determina o Direito Canônico. Em outubro daquele ano, foi informado de que o Santo Padre acolhera a carta, dispondo que permanecesse por mais dois anos à frente da Arquidiocese. O Cardeal reiterou que uma eventual decisão sobre a aceitação definitiva da renúncia e a nomeação de um novo Arcebispo compete exclusivamente ao Papa Leão XIV. “Estou para servir à Igreja e, enquanto ela não decidir diversamente, continuarei trabalhando normalmente”, afirmou, encorajando o clero a prosseguir com entusiasmo apostólico.

Concluindo, o Arcebispo desejou a todos um abençoado ano pastoral, exortando os ministros ordenados a caminharem em comunhão, com alegria e generosidade no serviço ao povo de Deus na Arquidiocese de São Paulo.

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