Destacou o Cardeal Scherer na Solene Vigília Pascal, na Catedral da Sé, em que 36 catecúmenos foram batizados e todos os fiéis fizeram a renovação das promessas batismais, reafirmando o propósito de, como filhos de Deus e herdeiros de Suas promessas, ser ‘povo novo que Jesus conquistou mediante a sua Paixão, Morte e Ressurreição’

“Ó Deus, que pelo vosso Filho trouxestes o clarão da vossa luz àqueles que creem, santificai este fogo novo. Concedei que a festa da Páscoa acenda em nós tal desejo do céu, que possamos chegar purificados à festa da luz eterna”.
Assim rezou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, ao realizar a bênção do fogo novo, no qual foi aceso o Círio Pascal na noite do Sábado Santo, 4, na Praça da Sé, junto ao marco zero da cidade, dando início à Solene Vigília Pascal, a “mãe de todas das vigílias”, na qual se anuncia a Ressurreição de Jesus.
Em procissão, todos seguiram para o interior da Catedral da Sé, na qual a única luz que reluzia era a do Círio, entronizado pelo corredor central, e, a partir dele, pouco a pouco, foram sendo acesas as velas que cada fiel trazia consigo, iluminando o templo com a Luz de Cristo.
Em seguida, já com o Círio colocado em frente ao ambão da Palavra, houve a solene proclamação da Páscoa: “Exulte o céu, e os anjos triunfantes, mensageiros de Deus, desçam cantando; façam soar trombetas fulgurantes, a vitória de um Rei anunciando. Alegre-se também a terra amiga, que em meio a tantas luzes resplandece; e, vendo dissipar-se a treva antiga, ao sol do eterno Rei brilha e se aquece. Que a mãe Igreja alegre-se igualmente, erguendo as velas deste fogo novo, e escute, reboando de repente, o júbilo cantado pelo povo”.

A AÇÃO DO SENHOR NA HISTÓRIA
A Solene Vigília Pascal teve continuidade com a Liturgia da Palavra, com a proclamação de sete leituras do Antigo Testamento, nas quais se relata como o Senhor, outrora, salvou o seu povo e, depois, enviou seu Filho como Redentor.
Entre uma leitura e outra, foram entoados salmos, rezadas orações e o Cardeal Scherer proferiu breves comentários sobre os aspectos centrais dos textos e o quanto ainda são atuais para os que procuram viver à luz da fé cristã.
A primeira leitura proclamada foi a narrativa da Criação no livro do Gênesis; depois, houve o relato da fidelidade de Abrahão a Deus ao levar seu filho Isaac para ser sacrificado, algo que, pela vontade do Senhor, não se concretizou; a terceira leitura foi a da libertação do povo hebreu da escravidão do Egito para a terra prometida, conforme o livro do Êxodo; nas quatro leituras seguintes, os profetas Isaías, Baruc e Ezequiel, enviados por Deus para confortar e consolar o povo em seus momentos de dificuldades, aconselham que todos se voltem para o Senhor e sigam fielmente os seus caminhos.

‘GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS’, CRISTO RESSUSCITOU
Após as leituras do Antigo Testamento, a assembleia cantou o hino de louvor “Glória a Deus nas alturas”.
Na sequência, houve a proclamação da leitura da carta de São Paulo aos Romanos (cf. Rm 6,3-11), na qual o Apóstolo indica que todos os batizados em Cristo estão mortos para o pecado, e com o Ressuscitado são chamados a levar uma vida nova.
Omitido na liturgia durante toda a Quaresma, o “Aleluia” foi, então, solenemente entoado, antes da proclamação do Evangelho segundo Lucas (cf. Lc 24, 1-12), com o relato da Ressurreição de Jesus.
“Acabamos de ouvir no Evangelho da Ressurreição como as santas mulheres foram ao túmulo e lá não encontraram mais o corpo de Jesus. Ele aparece a elas e diz ‘não tenhais medo, sou eu mesmo’, e as encarrega de que se dirijam aos apóstolos, aos discípulos, para dizer que Ele está vivo. Este é o anúncio desta noite: a passagem, do Senhor, da morte para a vida, anúncio que é fundamental na nossa fé”, ressaltou Dom Odilo no início da homilia.

NO BATISMO, RECEBEMOS A VIDA NOVA
Ainda na homilia, o Cardeal comentou que toda a liturgia da Vigília Pascal também é marcada pelo sentido do Batismo, pelo qual os catecúmenos passam da morte para a vida nova, regenerados pelas águas batismais, “a água que brotou do lado de Cristo, perfurado pela lança”.
Dom Odilo explicou que por essa razão a Páscoa tem o significado de passagem, “a nossa passagem da morte para a vida, a vida nova que recebemos pelo Batismo, e que também nós que já fomos batizados precisamos sempre retomar”, comentou, ao detalhar o porquê de na Vigília Pascal os fiéis realizarem a renovação das promessas batismais.
“Durante a Quaresma, fizemos os nossos exercícios quaresmais de penitência, para a conversão, fizemos também nossa Confissão para nesta noite podermos reassumir, com renovado empenho, alegria e gratidão, a grande graça que recebemos no Batismo de sermos filhos e filhas de Deus, herdeiros de Suas promessas, de sermos povo novo que Jesus conquistou mediante a sua Paixão, Morte e Ressurreição”.
Dom Odilo também explicou que ao renovar as promessas batismais, os fiéis se comprometem a não se deixar conduzir por satanás e sempre seguir ao Senhor, crendo, com a Igreja, em Deus Pai, sendo, assim, o povo da aliança, “que caminha com Deus, unido para a proclamação de Suas maravilhas, para testemunhar o Evangelho da vida nova do Reino de Deus que Jesus anunciou, que a Igreja anuncia e que pede a todos os batizados que sejam testemunhas e anunciadores”.
O Arcebispo disse ser muito positivo que cada vez mais no Brasil e em diferentes partes do mundo haja adultos que se preparam para receber os sacramentos da Iniciação à Vida Cristã, muitos dos quais sendo batizados na Vigília Pascal, mantendo uma tradição dos primórdios do Cristianismo.
“Deus chama sempre de novo, quer ter novos filhos, novos membros do seu povo. Por isso, nesta noite, alegramo-nos todos, ao mesmo tempo em que renovamos a graça do nosso Batismo, a nossa firme adesão a Deus pela fé que professamos, a alegria de sermos testemunhas da sua luz, Jesus, luz do mundo, que somos chamados a testemunhar com a nossa vida cristã, vivida segundo os mandamentos de Deus, segundo Sua Palavra e sabedoria”, prosseguiu o Arcebispo, pedindo, por fim, que o Senhor a todos conceda “a graça da firmeza na fé, da alegria da vida cristã, da perseverança e de seus frutos abundantes, mediante as boas obras de cada dia”.

LITURGIA BATISMAL
Após a homilia, passou-se à Liturgia Batismal, iniciada com a Ladainha de Todos os Santos, seguida da bênção da água, na qual foi mergulhado o Círio Pascal, em sinal do próprio Cristo que santifica as águas por seu Batismo.
Depois, as velas dos fiéis foram novamente acesas na luz do Círio, para que realizassem a renovação das promessas batismais, em que cada pessoa, como participante da Luz de Cristo, renunciou ao pecado, a tudo que causa desunião e ao demônio, e afirmou crer em Deus Pai, em Jesus Cristo, no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição dos mortos e na vida eterna.
Desde a Igreja primitiva é tradição que na Vigília Pascal se realizem batizados, nos quais são acolhidos na comunidade cristã aqueles que aceitam a vida nova em Jesus.
Na celebração na Catedral da Sé, 36 adultos receberam os sacramentos do Batismo, da Crisma e a primeira Eucaristia, após terem realizado um itinerário formativo de iniciação à vida cristã na Missão Belém, na qual também encontraram a restauração de sua dignidade de vida.
Por fim, toda a assembleia de fiéis foi aspergida com água, sendo purificada com o Cristo Ressuscitado.

VIDAS NOVAS EM CRISTO
Após a comunhão, o Padre Luiz Eduardo Baronto, Cura da Catedral da Sé, disse aos que foram batizados que nunca se esqueçam de voltar ao templo para rezar, especialmente quando sentirem a necessidade de se fortalecer na fé.
Também o Padre Gianpietro Carraro, fundador da Missão Belém, agradeceu ao Cardeal Scherer por nos últimos anos sempre ter batizado na Vigília Pascal os catecúmenos da Missão Belém.
Padre Gianpietro enfatizou que a Missão Belém é uma obra de evangelização, que restaura vidas a partir de um itinerário de fé, como testemunhou publicamente um dos adultos que foi batizado na Vigília Pascal.

Dom Odilo agradeceu à Missão Belém por ter preparado os catecúmenos para que recebessem o Batismo e enfatizou que a Igreja deve sempre ser uma casa de irmãos.
Antes da bênção final, o Arcebispo se disse feliz pela grande quantidade de fiéis que participou da Vigília Pascal, com especial destaque para a presença dos jovens. Também agradeceu aos que se empenharam para organizar e viabilizar as celebrações do Tríduo Pascal, e desejou feliz Páscoa a todos.
No Domingo da Páscoa, 5, às 11h, O Cardeal Scherer presidirá na Catedral da Sé a missa solene da Páscoa da Ressurreição do Senhor, que será transmitida, ao vivo, pela rádio 9 de Julho e pelas mídias digitais da Arquidiocese. Outras duas missas acontecerão às 9h e às 16h.




