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Formação arquidiocesana destaca a Palavra de Deus na Liturgia

Formação arquidiocesana destaca a Palavra de Deus na Liturgia - Jornal O São Paulo
Luciney Martins/O SÃO PAULO

A Comissão Arquidiocesana de Li­turgia (CAL) promoveu no sábado, 19, uma formação em âmbito arquidio­cesano sobre a Palavra de Deus na Li­turgia, com a assessoria do Padre Luiz Eduardo Pinheiro Baronto, liturgista, professor universitário, Cura da Cate­dral da Sé e Coordenador Arquidioce­sano da Comissão da Santificação.

O encontro no Centro Universitá­rio Assunção, na zona Sul, teve início com a oração das laudes, durante a qual se fez memória do Cônego Hel­mo Cesar Faccioli, que faleceu em 31 de agosto, aos 77 anos. Referência no cuidado com a Liturgia, ele atuou como Assistente Eclesiástico da CAL. “Queremos pedir ao Senhor que o acolha junto aos anjos e santos na li­turgia celeste e o recompense por todo bem que fez”, expressou Dom Edilson de Souza Silva, Bispo Auxiliar da Ar­quidiocese e Referencial para a Litur­gia Arquidiocesana.

Ainda no momento oracional, Dom Edilson exortou: “Que nós, como Maria, possamos meditar a Palavra do Senhor no coração e transformá-la em ação, para que se faça carne em nossa vida por meio do nosso testemunho, e que nossas liturgias ajudem nossos ir­mãos a acolherem, compreenderem e se fortalecerem na fé”.

A PALAVRA DE DEUS TEM ROSTO

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Inicialmente, Padre Baronto su­blinhou que a Palavra de Deus não é um texto nem um livro, mas sim uma pessoa: Jesus Cristo: “Ela tem rosto, tem corpo, tem voz. Não é uma pala­vra etérea, mas que se torna carne; por isso, podemos ouvir o que Ele nos fala”.

O Sacerdote também explicou que a Palavra de Deus, pela qual tudo foi criado, fez-se carne a partir da vinda de Cristo, sendo, assim, a presença real de Deus agindo no mundo.

RELAÇÃO DIALÓGICA

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Padre Baronto lembrou que a Li­turgia da missa é baseada na relação dialógica que Deus estabelece com a humanidade.

O Senhor, em sua grande ternura elevou o homem à dignidade de Seu interlocutor, razão pela qual, na Li­turgia, Deus fala aos fiéis e estes com Ele dialogam. O conferencista recor­dou que a melhor palavra para que se entenda esta relação é “bendizer”: na Liturgia, Deus bendiz o ser humano – fala bem daquele que criou e o aben­çoa, especialmente ao oferecer o seu próprio Filho – ao mesmo tempo em que os fiéis bendizem a Deus, expres­sando gratidão pelo bem que Ele fez.

Entretanto, por mais bem celebrada que seja a Liturgia, a Palavra de Deus só alcançará toda sua potência se en­contrar corações dispostos a acolhê-la, acreditando na Palavra proclamada e abertos à sua novidade, não julgando saber tudo de uma leitura por já tê-la ouvido anteriormente.

O Cura da Catedral da Sé também sublinhou que apenas ao ser procla­mada na celebração é que há sacralida­de na Palavra de Deus. Assim, a sim­ples leitura da Bíblia como um livro não tem valor sacramental. “Quando esta Palavra sai do texto e vira voz, ela é sacramento, deixa de ser um livro e torna-se Palavra dita aqui e agora, e isso se dá pela ação do Espírito Santo”, afirmou, detalhando que essa ação do Espírito se dá tanto no leitor – razão pela qual deve estar bem preparado para proclamar a Palavra – quanto na assembleia de fiéis, que precisa ouvi-la com toda a atenção.

Padre Baronto mencionou que essa dinâmica de diálogo ocorre em diferentes momentos da missa, como na reza em dois coros, nos salmos (a assembleia responde ao salmo procla­mado pelo salmista), no silenciar para a escuta da Palavra, no canto da acla­mação do Evangelho, no Creio e nas preces.

UM SÓ ATO DE CULTO

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Ainda de acordo com o conferen­cista, os sinais sensíveis da Liturgia da Palavra – como o livro com as Sagra­das Escrituras, o leitor com as vestes litúrgicas, o ambão, o incenso, as velas, o crucifixo, a procissão – têm a finali­dade de conduzir as pessoas à realida­de invisível de que Deus dialoga com quem participa da Liturgia.

Padre Baronto também enfatizou que na missa a presença de Cristo está tanto na Palavra proclamada quanto na Eucaristia. Ele citou dois documen­tos conciliares que versam sobre este aspecto: a constituição dogmática Dei Verbum afirma que “a Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como ve­nera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagra­da Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da Palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo” (DV 21); e a constituição con­ciliar Sacrosanctum Concilium aponta que Cristo está sempre presente em sua Igreja, especialmente no sacrifício da missa, quer na pessoa do ministro (o sacerdote), quer nas espécies eu­carísticas, quer na Sagrada Escritura proclamada (cf. SC 7).

Desse modo, a missa é um só ato de culto, que consta de duas partes: a liturgia da Palavra e a liturgia euca­rística, conforme detalhado na Sacro-sanctum Concilium: “Estão tão intima­mente ligadas entre si as duas partes de que se compõe, de algum modo, a missa – a liturgia da Palavra e a liturgia eucarística – que formam um só ato de culto. Por isso, o sagrado Concílio exorta com veemência os pastores de almas a instruírem bem os fiéis, na catequese, sobre o dever de ouvir a missa inteira, especialmente nos do­mingos e festas de preceito” (SC 56).

O conferencista explicou, ainda, que toda liturgia sacramental é sempre precedida de uma liturgia da Palavra, pois “nossa compreensão sobre a ação sacramental depende da nossa com­preensão e da fé na Palavra de Deus”.

ALGUMAS RECOMENDAÇÕES

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Na parte final do encontro, Padre Baronto tratou de alguns aspectos ele­mentares àqueles que participam da organização da Liturgia nas paróquias. Uma orientação é que leiam o Lecio­nário, pois nele se pode encontrar, de modo organizado, as leituras das celebrações.

Também sublinhou que se deve ter ciência de que, por meio do mi­nistério do leitor, Deus realiza seu co­lóquio com a humanidade. Por isso, ao leitor cabe proclamar a Palavra de modo compreensível e com entonação compatível com a mensagem que ela contém.

A todos os que participam da ação litúrgica, recomenda-se especial aten­ção à valorização dos momentos de silêncio para que possam bem ou-vir e meditar a Palavra do Senhor, como apontado pelo Papa Bento XVI na exortação Verbum Domini (cf. VD 124).

Também é importante que se res­guarde a dignidade do ambão, não o usando para discursos ou avisos pa­roquiais. As leituras nele proclamadas devem ser feitas a partir do Lecionário e do Evangeliário, e não de folhetos ou livretos.

Antes da bênção final, Dom Edil­son pediu aos participantes que compartilhem em suas paróquias os conhecimentos que adquiriram e lem­brou que, com estas iniciativas forma­tivas, a Comissão Arquidiocesana de Liturgia tem buscado ajudar cada vez mais os fiéis a melhor celebrar a Litur­gia, na medida em que compreendem o que é celebrado.

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