Missa em Ação de Graças, presidida por Dom Odilo, foi celebrada na sexta-feira, 22, na Paróquia Santo Agostinho, na Aclimação

Inspirado na experiência de senhoras espanholas que costuravam roupas para pessoas carentes, em 1926, o Padre Domingos de Lemos, OSA, à época à frente da Igreja Santo Agostinho, no bairro da Aclimação, convidou a senhora Constança Naclério Toloza Oliveira e Costa para fazer o mesmo com outras amigas. Assim começava, em junho daquele ano, com a autorização de Dom Duarte Leopoldo e Silva, então Arcebispo de São Paulo, a Associação e Oficinas de Caridade Santa Rita de Cássia.
Cem anos depois, as “ritinhas” continuam empenhadas em “vestir os nus”, confeccionando roupas para pessoas carentes, especialmente enxovais para recém-nascidos, mas também realizam outra obra de misericórdia cristã: “dar de comer a quem tem fome”, com a ajuda de homens, os “ritinhos”, mobilizando benfeitores para a doação de cestas básicas.
Na tarde da sexta-feira, 22, na memória litúrgica de Santa Rita de Cássia, centenas de devotos, com rosas nas mãos, foram à Paróquia Santo Agostinho para festejar a Santa das causas impossíveis e render graças a Deus pelo centenário da Associação, na missa presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, e concelebrada pelo Frei Maciel Bueno, OSA, Pároco.
FORTALECIDA PELA PAIXÃO DE CRISTO


Na homilia, Dom Odilo ressaltou como Santa Rita suportou com paciência e fé as adversidades da vida em família – o esposo foi assassinado e os dois filhos morreram adoentados – e testemunhou a caridade cristã como religiosa em um mosteiro da Ordem de Santo Agostinho.
O Arcebispo apontou que a biografia de Santa Rita indica que a vida só tem sentido quando se torna doação de amor ao próximo e se alimenta da esperança cristã. “Ela encontrava sua força na Paixão de Jesus, olhando para Ele e meditando sobre Seu infinito amor pela humanidade. Santa Rita vivia a mística da cruz de Cristo”, afirmou Dom Odilo, apontando que os santos, além de intercessores junto a Deus, são exemplos de vida cristã.
O Cardeal fez votos de que os participantes e benfeitores da Associação perseverem nesta iniciativa caritativa, sob a intercessão de Santa Rita de Cássia.
AMPLIAÇÃO E APRIMORAMENTOS


Atualmente, cerca de 250 pessoas participam de 30 oficinas da Associação na capital paulista.
Em entrevista ao O SÃO PAULO, Maria Inês Magalhães Gomes Collet Silva, presidente geral da Associação e neta da fundadora, recordou que por quase 40 anos o Beato Padre Mariano de la Mata Aparício, OSA, foi o Diretor Espiritual da iniciativa e ia às reuniões das oficinas, as quais tiveram grande impulso também pela atuação da senhora Chantal Prado Guimarães e de sua família.
Maria Luisa Bloise, coordenadora administrativa da Associação, afirmou que as associadas “costuravam as peças durante o mês e as levavam às reuniões ou se reuniam nas casas para costurar. Assim eram montados os enxovais, posteriormente distribuídos às pessoas carentes e instituições”.
Maria Inês e Maria Rita Toloza Oliveira Costa, tesoureira geral e igualmente neta da fundadora, detalharam que as oficinas podem ser tanto na casa de cada associada quanto nos espaços em que elas se reúnem nas paróquias.
“Todo mês, há a missa votiva a Santa Rita. Antes da reunião, rezamos, fazemos a leitura da Bíblia e refletimos sobre as virtudes de Santa Rita e os ensinamentos de Santo Agostinho. Somos muito ligadas a Santo Agostinho e ao carisma agostiniano: ‘uma só alma e um só coração orientados para Deus’”, contou Maria Inês.
Durante a pandemia de COVID-19, os associados mudaram o estatuto da Associação para também poder contribuir com cestas básicas às instituições que auxiliam os mais vulneráveis. Além disso, as “ritinhas” produziram e doaram mais de 10 mil máscaras.
A Associação não recebe verbas do poder público. Mensalmente, são distribuí-das cerca de 250 cestas básicas, enviadas a diversas entidades. A cada ano, em novembro, é realizado um grande show de prêmios, cujos recursos arrecadados permitem a distribuição de outras mil cestas básicas.
TESTEMUNHO DE FÉ E CARIDADE


Ao final da missa em ação de graças pelo centenário, Frei Maciel agradeceu aos associados pelo bem que fazem. À reportagem, enfatizou: “As ‘ritinhas’ são um patrimônio da Paróquia. São uma luz aqui dentro e cooperam com tudo que é necessário. Nós distribuímos muitos dos enxovais que elas fazem, pois apesar de estarmos em uma região que aparentemente não é tão carente, há a pobreza escondida, muitos cortiços, e muitas pessoas que passam necessidades recorrem à Paróquia”.
Após a procissão com a imagem de Santa Rita, seis pessoas receberam a fita como membros da Associação, entre estas Camila Pilosio Botelho, que participa de uma das oficinas na Vila Madalena: “Conheci a história do Padre Mariano de la Mata, me encantei e fiquei. Nós sentimos uma gratidão muito grande em poder ajudar alguém que não conhecemos, mas que sabemos que precisa de ajuda”.
Segundo Ana Maria de Souza Munhoz, vice-presidente geral da Associação, para que alguém receba a fita é preciso participar de uma oficina: “A pessoa vai ser perguntada se deseja receber a fita. Em 22 de maio, na missa solene de Santa Rita, fazemos a imposição da fita Temos feito isso também nas missas votivas do dia 22 de cada mês”.
Mesmo quem não tenha a fita pode participar das iniciativas da Associação e Oficinas. Os que recebem a fita se comprometem com o carisma agostiniano, devem sempre trabalhar pelo bem dos mais necessitados e viver plenamente os sacramentos. Os detalhes sobre a Associação e suas iniciativas podem ser vistos no Instagram: @aoc_santarita
SANTA RITA: UMA MULHER DE INABALÁVEL FÉ

Margarida Lotti nasceu no fim do século XIV em Roccaporena, na Úmbria, Itália. Na adolescência, casou-se com Paulo de Ferdinando de Mancino, envolto em rivalidades políticas e vícios. Rita, como era mais conhecida, sempre desejou que o esposo se convertesse, o que aconteceu, mas ele foi assassinado. Ela rezou muito para que seus filhos, Giangiacomo Antonio e Paulo Maria, não vingassem a morte do pai. Eles adoeceram e morreram.
Aos 36 anos, já viúva e vivendo o luto, Rita pediu às monjas agostinianas para ingressar no Mosteiro de Santa Maria Madalena, em Cássia. O pedido foi recusado. Um dia, porém, ela foi encontrada no interior do convento: conta-se que fora inexplicavelmente transportada até lá por seus santos de devoção: Santo Agostinho, São João Batista e São Nicolau de Tolentino. Ela sempre rezava a Cristo para participar de Sua Paixão. “Recebeu em sua fronte um estigma da cruz do Senhor e o carregou por 15 anos, com muita dor e muito sofrimento. Dessa ferida saía um odor muito desagradável e muitas religiosas nem queriam dela cuidar, mas Rita continuou firme e fiel”, recorda o Frei Maciel Bueno, OSA, Pároco da Paróquia Santo Agostinho.
Além da intensa vida de oração e penitências, Santa Rita dedicava-se aos idosos, enfermos e pobres. Faleceu em 22 de maio de 1447. No dia de sua morte, uma grande luz entrou em seu quarto e um perfume muito suave se espalhou pelo mosteiro. Foi canonizada em 24 de maio de 1900 pelo Papa Leão XIII.




