Igreja da Consolação: casa dos que buscam refúgio no coração da Mãe de Deus

Cardeal Scherer preside missa na festa da Padroeira da Paróquia Nossa Senhora da Consolação (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

A Paróquia Nossa Senhora da Consolação, na região central, celebrou sua padroeira no domingo, 29 de agosto. A festa foi marcada por uma missa solene presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo.

Neste ano, a festa foi preparada com uma novena que teve como tema a oração “Salve Rainha”. Em cada um dos nove dias, foi destacado um dos trechos dessa oração mariana datada do século XI. Para conduzir as meditações, além do Administrador Paroquial, Padre Alessandro Enrico de Borbón, a novena contou com as presenças de Dom Carlos Lema Garcia, Bispo Auxiliar de São Paulo na Região Sé, e dos Padres Paulo Flávio da Silva e Assis Donizeti de Carvalho, colaboradores da Paróquia.

Sinal de esperança

Na homilia, Dom Odilo ressaltou que a festa da padroeira acontece ainda no contexto da pandemia de COVID-19, marcado por sofrimentos e angústias, mas, também, por inúmeras manifestações de solidariedade e de fé daqueles que buscam em Deus e na Virgem Maria o refúgio e consolo.

“Nossa Senhora nos é dada como sinal e consolação, de segurança e de esperança. Olhando para Maria elevada ao céu, reconhecemos nela a imagem daquilo que somos chamados a ser. Olhamos nosso futuro, somos repletos de esperança, alegria, consolação e coragem para continuarmos o nosso caminho, sabendo aonde vamos e que grande bem nos é prometido”, afirmou o Arcebispo.

O Cardeal sublinhou, ainda, que a Mãe de Deus está perto de seus filhos e intercede por cada um deles. “Ela está perto de Deus e, por isso, também está perto de nós. As dores da humanidade são também as dores de seu coração. Temos a certeza de que o coração de Deus se volta para atender às suas preces e seus rogos”, completou.

“Que esta Paróquia seja um sinal de consolação para todas as pessoas que aqui vêm. Que a Igreja da Consolação seja um lugar onde as pessoas encontrem um refúgio, uma palavra boa, um sinal de apoio”, exortou Dom Odilo, falando sobre a importância da “pastoral da consolação”, que manifesta na vida das pessoas a presença do Deus que acode, acolhe, não as deixa sós, que está pronto a estender a mão em toda ocasião.

Consoladora dos aflitos

Administrador Paroquial há quase um ano, Padre Alessandro afirmou ao O SÃO PAULO que a Paróquia tem buscado, cada vez mais, corresponder a essa vocação específica de consolar os aflitos.

“São inúmeros os testemunhos de quem viveu experiências nas quais encontraram um consolo, uma luz, uma força diante de suas aflições. São muitas as pessoas que chegam a São Paulo em busca de uma vida melhor, e a primeira igreja em que entram é a da Consolação. Muitas dessas pessoas, mesmo após se mudarem para outros bairros, continuam a frequentar a nossa Paróquia, devido a esse significado em um momento difícil de suas vidas”, relatou o Sacerdote.

Para corresponder a essa missão, a comunidade se esforça para garantir a devida assistência aos fiéis, mesmo durante a pandemia. Os padres se revezam no atendimento diário de confissões e orientações espirituais dos fiéis nos períodos da manhã e da tarde.

Outra marca da comunidade é a Pastoral da Escuta, serviço que, em breve, será retomado presencialmente, além do atendimento de psicólogos voluntários para os quais são encaminhados os fiéis que necessitam, após serem atendidos pelos sacerdotes.

A consolação de Deus também é buscada pelos fiéis na Eucaristia. São celebradas duas missas diárias durante a semana – de segunda a sexta-feira, às 12h e às19h,e aos sábados, às 12h e às 18h – e cinco aos domingos – às 8h, 10h, 12h, 18h e 20h.

Dom Odilo (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Atividades pastorais

A comunidade tem retomado gradativamente suas atividades presenciais, como os encontros de Catequese para crianças, adolescentes, jovens e adultos.

A Paróquia conta, ainda, com um grupo de oração da Renovação Carismática Católica, o Terço dos Homens, além de organizações como o Apostolado da Oração e Legião de Maria. Recentemente, foi implantado um grupo das Oficinas de Oração e Vida, movimento internacional de espiritualidade fundado pelo Frade espanhol Ignácio Larrañaga (1928-2013).

Caridade

As restrições em virtude da pandemia não interromperam o serviço da caridade realizado na Paróquia, que por meio do grupo Fraterno Auxílio Cristão, faz a distribuição de roupas e cestas básicas para as cerca de 400 famílias já cadastradas e outras 300 que passaram a ser atendidas emergencialmente. A comunidade também possui um grupo da Sociedade São Vicente de Paulo, que acompanha as famílias mais necessitadas do bairro.

Padre Alessandro destacou que, devido à quantidade de doações, além das pessoas atendidas na Paróquia, parte das roupas arrecadas é encaminhada à Missão Belém, associação que atende a população em situação de rua e com problemas de drogadição.

Padroeira

A devoção a Nossa Senhora da Consolação e Correia (nome original) tem estreita relação com Santo Agostinho e Santa Mônica. Por isso, esse título mariano é sempre festejado no domingo seguinte às memórias litúrgicas desses Santos, 28 e 27 de agosto, respectivamente.

Segundo uma antiga tradição, Santa Mônica, angustiada pela morte de seu esposo e pela vida desregrada de seu filho Agostinho, recorreu à Mãe da Consolação, tendo depois a grande alegria de ver seu filho se converter e se tornar um cristão fervoroso, hoje considerado um dos maiores santos doutores da Igreja. Santo Agostinho tomou como protetora a Consoladora dos Aflitos, e seus filhos espirituais se encarregaram de divulgar sua devoção.

Essa devoção chegou a São Paulo no século XVIII, por meio de um frade agostiniano que durante uma viagem deixou sobre o altar de uma pequena igreja, no centro da cidade, uma imagem da Virgem da Consolação. Em torno dessa imagem, surgiu a comunidade que, em 1871 foi instituída paróquia. Atualmente, essa imagem está no Museu de Arte Sacra de São Paulo.

Igreja histórica

A atual matriz começou a ser construída em 1909. Seu projeto é de autoria do arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl, professor da Escola Politécnica de São Paulo e também responsável pelo projeto da Catedral da Sé.

No seu interior, há pinturas e telas assinadas por grandes nomes da arte brasileira, como Benedito Calixto (1853-1927) e Oscar Pereira da Silva (1867-1939).

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