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Monsenhor Antonio Fusari, o padre da canção e da poesia, morre aos 97 anos

Monsenhor Antonio Fusari, o padre da canção e da poesia, morre aos 97 anos - Jornal O São Paulo
Nos seus 95 anos de vida e 70 de sacerdócio, foi lançado o livro Coraggio
Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Foi sepultado na manhã de terça-feira, 27, no Cemitério do Santíssimo Sacramento, no Sumaré, o Monsenhor Antonio Fusari. O Sacerdote italiano faleceu no domingo, 25, aos 97 anos, deixando um legado de mais de sete décadas de ministério sacerdotal, grande parte delas dedicadas à Arquidiocese de São Paulo.

Nascido em 2 de fevereiro de 1928, na aldeia de Farinate, na Província de Cremona, na Itália, Antonio Fusari ingressou ainda jovem no seminário, aos 11 anos, em Ponteranica, na região de Bergamo. Foi ordenado sacerdote em 24 de outubro de 1953, na cidade de San Benedetto del Tronto. Dois anos depois, em 1955, chegou ao Brasil como missionário, iniciando uma trajetória marcada pela fidelidade, simplicidade e proximidade com o povo.

Antes de se estabelecer definitivamente na capital paulista, exerceu seu ministério no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Na Arquidiocese de São Paulo, atuou na Basílica de Nossa Senhora da Conceição, em Santa Ifigênia, e passou pelas paróquias de Nossa Senhora de Casaluce, Nossa Senhora Aparecida dos Ferroviários e São Januário (San Gennaro). Seu nome ficou especialmente ligado à Paróquia Santa Margarida Maria, na Região Episcopal Sé, da qual foi pároco por mais de duas décadas.

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RECONHECIMENTO 

Em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à Igreja ao longo de sete décadas de sacerdócio, recebeu, em 2017, do Papa Francisco, o título de Monsenhor, Capelão de Sua Santidade.

As exéquias foram presididas por Dom Rogério Augusto das Neves, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Sé, na Paróquia Santa Margarida Maria. 

Em nota divulgada por ocasião do falecimento, Dom Rogério recordou não apenas os números expressivos da trajetória do Monsenhor Fusari — “São 73 anos de padre, 71 deles vividos no Brasil” —, mas sobretudo o traço humano e espiritual que marcou sua presença entre o povo. “Mas, o que seria das palavras e dos números sem a poesia?”, escreveu o Bispo Auxiliar, ao destacar o dom especial que o sacerdote tinha de cantar e encantar.

Dom Rogério recordou que Monsenhor Fusari “não era cantor de estúdios nem de palcos. Cantava para alegrar o coração de quem o escutava e para colocar para fora sua imensa simpatia”, acrescentando que “a música tornava-se uma verdadeira sinfonia quando harmonizada com seu belo e expansivo sorriso”. Ao final da mensagem, expressou a esperança cristã: “Imagino que agora cante no Céu as maravilhas que o Senhor fez por ele e, através dele, por todos que o conheceram”.

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CORAGEM

A trajetória e o testemunho de fé do Monsenhor Antonio Fusari também foram recordados em 2023, quando, por ocasião das comemorações de seus 95 anos de vida e 70 de ministério sacerdotal, foi lançado o livro Coraggio! (“Coragem!”, em italiano). A obra reúne homilias proferidas ao longo de sete décadas e apresenta aspectos marcantes de sua história.

No prefácio da publicação, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, destacou que a palavra “coragem” — entendida como “agir com o coração” — sintetiza o testemunho do Monsenhor. Segundo o Cardeal, “é essa força interior que aparece na vida e no testemunho do Monsenhor Antonio Fusari desde a sua infância”, quando deixou a família para ingressar no seminário, e que o acompanhou também ao atravessar o oceano para ser missionário no Brasil.

Dom Odilo ressaltou ainda que essa coragem se traduziu em uma vida inteiramente conformada ao ministério recebido, afirmando que as palavras dirigidas ao sacerdote no rito de ordenação — “Põe em prática o que vais celebrar, conformando tua vida ao mistério da cruz do Senhor” — “se concretizaram na vida do Monsenhor Fusari”. Para o Arcebispo, suas homilias e sua dedicação pastoral são testemunho de um sacerdote que viveu plenamente a missão de anunciar o Evangelho e servir ao povo de Deus.

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