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Na proximidade da Páscoa, missas na Fundação Casa levam o amor de Deus a adolescentes em ressocialização

Na proximidade da Páscoa, missas na Fundação Casa levam o amor de Deus a adolescentes em ressocialização - Jornal O São Paulo

Paz. Ressurreição. Perdão. Esperança. Transformação. Reflexão. As palavras, escritas em cartazes expostos na decora­ção da Unidade Ouro Preto da Fundação Casa foram confeccionadas pelos pró­prios adolescentes que cumprem medida socioeducativa de internação.

Na tarde de 1º de abril, os adolescen­tes, funcionários e diretores da Funda­ção Casa participaram da missa presidi­da pelo Padre Douglas da Silva Gonzaga, Assessor Eclesiástico da Pastoral do Me­nor, durante a qual ele realizou o rito do lava-pés, com a participação de 12 adolescentes, fazendo memória do gesto de serviço de Jesus que na Última Ceia lavou os pés de seus apóstolos.

Essa celebração foi uma das 12 or­ganizadas em unidades da instituição pelo Programa de Assistência Religiosa (PAR) da Fundação Casa e pela Pastoral do Menor arquidiocesana, no contexto da Páscoa da Ressurreição de Jesus, pre­sididas por cinco padres e os sete bispos auxiliares da Arquidiocese de São Paulo.

PRESENÇA PERMANENTE DA PASTORAL

Ao longo de todo o ano, os agentes da Pastoral do Menor se fazem presen­tes em 19 unidades da Fundação Casa, levando solidariedade e assistência pastoral aos adolescentes e jovens que cumprem medida socioeducativa.

Essas ações ocorrem no contexto do PAR, o qual garante ao adolescente, que assim o desejar e conforme sua crença, o acesso aos princípios fundamentais da religião que professa ou daquela que pretende conhecer, um direito que cons­ta no artigo 5º da Constituição federal.

Sueli Camargo, coordenadora ar­quidiocesana da Pastoral do Menor, salientou que a celebração do lava-pés na unidade Ouro Preto foi “um ges­to de fé e solidariedade, inspirado no exemplo de Jesus Cristo ao lavar os pés dos discípulos. É uma das expressões mais profundas do amor e de serviço que sustenta o trabalho pastoral à ju­ventude privada de liberdade. Celebrar a Semana Santa com esses jovens e os colaboradores desta unidade é recordar que Deus caminha com cada um deles, oferecendo novos recomeços, mesmo nas situações mais desafiadoras”.

SENTIDO DA PÁSCOA

Camilo (nome fictício) tem 18 anos e está há seis meses na unidade Ouro Preto. De família católica, ele recordou que todo ano ia às celebrações da Sema­na Santa com os familiares. “Hoje, pela primeira vez, participei do lava-pés. Foi emocionante. Senti como se Cristo esti­vesse me dando uma chance de purifi­cação e recomeço. Pretendo daqui para frente seguir novos rumos na minha vida”, disse, emocionado.

Romário (nome fictício) tem 18 anos. Há sete meses está na unidade. Para ele, as missas “são momentos de revisão da vida para gente que está lon­ge da nossa família. Acalma o nosso co­ração ver outras pessoas se importando com a gente e querendo nos ver bem”.

Ele contou que o exemplo de Jesus o ajuda “a repensar as atitudes, aprender com os erros e, sobretudo, acolher Seus ensinamentos”.

CONVERSÃO E VIGILÂNCIA DO CORAÇÃO

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Padre Douglas, na homilia, explicou que o lava-pés é um convite à conversão e à vigilância do coração. “O nosso co­ração não se corrompe no dia em que a gente comete um erro, mas no caminho que percorre até ele”. Também enfatizou que “Deus nunca deixa de oferecer uma nova oportunidade. Deus lava os nossos pés, mesmo que a gente não mereça”.

O rito do lava-pés também expressa a misericórdia constante de Deus, que acolhe sempre, mesmo após as quedas: “Jesus sempre nos acolhe de volta, nos lava os pés outra vez e nos chama para perto dele”.

ENCONTRAR O CAMINHO DO BEM

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A unidade Ouro Preto atende atual­mente 46 adolescentes, de 14 a 18 anos. “A missão da unidade é cumprir a me­dida socioeducativa da melhor forma, para que o adolescente entenda que cometeu um ato infracional lá fora e que aqui dentro trabalhamos para que ele retorne melhor para a sociedade”, afirmou Adriano Machado de Oliveira, diretor da unidade.

Ele explica que a rotina é estrutu­rada para favorecer o desenvolvimento integral: “Pela manhã, os jovens parti­cipam do ensino formal; à tarde, têm acesso a cursos profissionalizantes, atividades esportivas, pedagógicas e acompanhamento psicossocial”.

Entre os cursos oferecidos estão os de informática, logística e alimentação, com parcerias educacionais que am­pliam as perspectivas dos jovens. A di­mensão espiritual também faz parte da rotina. “A vivência da fé tem espaço em nossas unidades”, relata o diretor.

Para Claudia Carletto, presidente da Fundação Casa, a celebração do lava-pés “representa toda a humildade de Cristo, sua mensagem para a humanidade, que é amar uns aos outros, ser humilde, ser caridoso. Mais do que um rito, a celebra­ção se torna um convite à mudança de vida. É um momento de reflexão sobre o que cada um fez para estar aqui. Esse é um processo diário de restauração, para que eles entendam que precisam encon­trar o caminho do bem”.

Bispos Auxiliares celebram nas unidades da Fundação Casa

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Dom Márcio Antonio Vidal de Negreiros, OSA, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Sant’Ana, na Unidade João do Pulo (Arquivo pessoal)
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Dom Carlos Silva, OFMCap, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, na Unidade Pirituba
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Dom Edilson de Souza Silva, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, na Unidade São Francisco (Arquivo Pessoal)
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Dom Rogério Augusto das Neves, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Sé, na Unidade Ruth Pistori (Arquivo pessoal)
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Dom Carlos Lema Garcia, Bispo Auxiliar da Arquidiocese e Vigário Episcopal para a Educação e a Universidade, na Unidade Bela Vista (Arquivo pessoal)
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Dom Celso Alexandre, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga, na Unidade Juquiá (Arquivo pessoal)

Dom Cícero preside Missa da Ceia do Senhor na Unidade Chiquinha Gonzaga

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Arquivo pessoal

Em 31 de março, a esperança cristã que advém da Ressurreição de Jesus também pôde ser vivenciada pelas adolescentes que cumprem medida socioeducativa de privação de liberdade na Casa Chiquinha Gonzaga, da Fundação Casa, na capital paulista.

Algumas delas e parte dos funcionários e diretores da Fundação Casa participaram da missa presidida nesta unidade por Dom Cícero Alves de França, durante a qual ele realizou o rito do lava-pés, com a participação de 12 adolescentes, fazendo memória do gesto de serviço de Jesus que na Última Ceia lavou os pés de seus apóstolos.

A missa foi concelebrada pelo Padre Miguel Francisco Cambiona, CSsP, Pároco da Paróquia Bom Pastor, na Região Brasilândia.

Ao longo de todo o ano, os agentes da Pastoral do Menor se fazem presentes em algumas unidades da Fundação Casa, levando solidariedade e assistência pastoral às adolescentes de 12 a 17 anos que cumprem medida socioeducativa.

Essas ações ocorrem no contexto do Programa de Assistência Religiosa (PAR), o qual garante ao adolescente, que assim o desejar e conforme sua crença, acesso aos princípios fundamentais da religião que professa ou daquela que pretende conhecer. O acesso à assistência religiosa é um direito previsto no artigo 5º da Constituição Federal.

Na homilia, Dom Cícero destacou que a atitude de Cristo de lavar os pés dos apóstolos foi um gesto de serviço, e que nós não nascemos para ser servidos, mas para servir.  Também ressaltou que este gesto foi um gesto de amor, e que Deus está se abaixa e vem até nós.

Ao lavar os pés das adolescentes, Dom Cícero também entregou-lhes um Terço, incentivando-as a buscarem a força maternal de Maria nos momentos de solidão e dificuldade.

Fernando Arthur
Colaboração especial para a Região Belém

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