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Padre Gianpietro dá testemunho de vida em formação sobre a CF 2026

Padre Gianpietro dá testemunho de vida em formação sobre a CF 2026 - Jornal O São Paulo
Arquivo pessoal

O Vicariato Episcopal para a Educa­ção e a Universidade, o Núcleo de For­mação Continuada da Fundação São Paulo e o Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizaram, no dia 10, uma formação sobre a Campanha da Fraternidade.

O convidado foi o Padre Gianpie­tro Carraro, italiano, cofundador da Missão Belém, ao lado da Irmã Cacil­da Silva Leste, uma obra que, há duas décadas, transforma as ruas em ca­minhos de volta para a vida. Foi um encontro marcado por histórias que devolvem rosto à palavra “dignidade”, especialmente no contexto do direito à moradia.

O Sacerdote revelou aquilo que chamou de seu “batismo no Brasil”: uma desocupação traumática de famílias na Vila Esperança. Ali, compreendeu que evangelizar não seria apenas anunciar, mas permanecer. Desde então, decidiu morar em “casas improvisadas” e compartilhar a existência dos mais esquecidos, como seus irmãos.

Atualmente, a Missão Belém acolhe cerca de 2,3 mil pessoas e, desde 2005, já recebeu mais de 120 mil homens e mulheres em situação de rua. O método surpreende: antes de qualquer política social, vem a experiência de pertencimento. “Família para quem não tem família” é mais do que um lema, tornou-se processo de reconstrução humana. Aproximadamente 60% dos que percorrem o caminho de restauração conseguem retomar trabalhos, vínculos e moradia.

O Padre Gianpietro disse que o centro não é a estrutura, mas o coração; muitos aprendem a ler copiando o Evangelho em diários espirituais; outros, ainda fragilizados, tornam-se cuidadores de doentes mais graves, e a recuperação começa quando alguém volta a ser chamado pelo nome

Na formação foi possível compreender, portanto, que o tema da Campanha da Fraternidade, moradia, não é apenas teto, é pertença. A Missão Belém mostra que combater a exclusão não começa com políticas sofisticadas, mas com proximidade verdadeira, uma Igreja que não visita a periferia, mas vive nela.

Ao final, o sentimento entre os participantes era de deslocamento interior. Não se tratou de aprender uma metodologia, e sim de ouvir uma provocação: “a cidade só muda quando alguém decide não seguir adiante indiferente”.

Por Diego Marihama
Vicariato para a Educação e a Universidade

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