Personalidades negras são homenageadas em exposição de grafites no MIS

Com entrada gratuita, 81 polos culturais da Capital e Grande SP – como museus, estações do Metrô e da CPTM, CEUs e Fábricas de Cultura – recebem simultaneamente a exposição MIS em Cena – Grandes Personalidades Negras;

Trabalhos, que foram produzidos por 81 artistas de periferia durante ação no Museu Afro Brasil, serão expostos (em formato original e reproduções) a partir de 5 de novembro.

Personalidades negras são homenageadas em exposição de grafites no MIS, Jornal O São Paulo
Governo de São Paulo

No mês em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, o MIS em Cena – programa do Museu da Imagem e do Som (instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo) que busca democratizar o acesso à cultura e ir ao encontro dos territórios mais periféricos da cidade – apresenta sua terceira edição, homenageando 81 personalidades negras que fazem parte da história do Brasil. Para retratar cada homenageado, 81 artistas de periferia foram indicados por CEUs, Fábricas de Cultura e outras entidades culturais do Governo do Estado de São Paulo. Inspirados por cada personalidade, eles criaram as obras durante uma ação de live panting ocorrida em setembro, no Museu Afro Brasil. Dentre os homenageados, destacou-se Emanoel Araujo, célebre diretor e curador do Museu Afro Brasil, falecido em 7 de setembro deste ano. O artista baiano sempre atuou para a valorização e a visibilidade da produção afro-brasileira nos mais diversos campos, abrindo caminhos para muitos nomes e fundando assim o museu. O número de grafiteiros selecionados para o projeto, 81, foi escolhido por corresponder à idade de Emanoel Araujo, também em seu tributo.

O resultado dessa iniciativa compõe a megaexposição Grandes Personalidades Negras, que acontece simultaneamente em quase uma centena de espaços culturais, a partir de 5 de novembro, com entrada gratuita. Às 11h, o MIS realiza em sua sede (Av. Europa, 158) a abertura oficial da exposição com os grafites originais – inaugurando, também, a nova galeria no espaço expositivo do primeiro andar. As demais localidades exibem cartazes com reproduções das 81 obras também a partir do dia 5/11, conjuntamente.

Confira, abaixo, todas as entidades que participam da ação e recebem a mostra simultaneamente:

– MIS

– Museu Afro Brasil

– Memorial da América Latina

– Metrô

– Paço das Artes

– CEUS 

– Fábricas de Cultura

– EMTU

– CPTM

– CPDCN – Secretaria da Justiça e Cidadania

– Universidade Zumbi dos Palmares

– Palácio dos Bandeirantes

A escolha dos homenageados foi realizada pelo Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (CPDCN) do Estado de São Paulo, primeiro órgão do país criado para a defesa dos direitos da comunidade negra e enfrentamento ao racismo. As 81 personalidades negras foram selecionadas tendo em vista sua trajetória, com o objetivo de evidenciar as biografias e oportunizando o acesso da grande massa aos conteúdos históricos de grandes nomes que deram sua contribuição à formação do país. Buscando exaltar o papel histórico de uma população, da raça, de sua diversidade, através de uma rica e milenar cultura, contribuindo para formação da sociedade brasileira em uma enormidade de aspectos: dança, música, religião, culinária e profissões diversas. “Com isso, a exposição também amplia o conhecimento do público, ao apresentar as biografias dos 81 homenageados que atuaram nos mais diversos campos com suas canetas, pincéis, vozes, armas e todos os instrumentos e habilidades de que dispunham na luta por equidade racial, isto é, por uma sociedade mais igualitária, justa e sem preconceito. Além de nomes já populares, o público terá a oportunidade de conhecer outras grandes personalidades negras que fizeram a diferença em nossa sociedade”, pontua Marcos Mendonça, diretor geral da ACCIM – Associação Cultural Ciccillo Matarazzo, que gere o MIS, MIS Experience e Paço das Artes.

O grafite foi o meio de expressão escolhido para o projeto tanto por seu potencial de falar sobre cada indivíduo, sobre a coletividade e o mundo, como por ser uma maneira de empoderar os artistas e afirmar as muitas identidades e existências que compõem as cidades, e que tantas vezes são invisibilizadas.

Entre as 81 personalidades negras homenageadas nesta edição do MIS em Cena, estão:

Adelina, a charuteira

Adelina nasceu no Maranhão, em 1859. Era filha de um branco, senhor de escravos, e de uma escrava. Ela ganhou o apelido de charuteira quando começou ajudar o pai na venda de charutos pela cidade. Boa vendedora, Adelina conhecia muita gente, o que facilitou seu trabalho a favor da liberdade dos negros escravizados. Vendia seus charutos para estudantes abolicionistas e, com isso, ajudou a criar o Clube dos Mortos, um grupo de pessoas que facilitava a fuga dos escravos.

Antonieta Barros

Nascida em 1901, Antonieta Barros foi uma jornalista, professora e política brasileira. Foi uma das primeiras mulheres eleitas no Brasil e a primeira negra brasileira a assumir um mandato popular, tendo sido pioneira e inspiração para o movimento negro, apesar de um grande apagamento de sua história, que vem sendo retomada aos poucos.  

Conceição Evaristo

Maria da Conceição Evaristo de Brito (Belo Horizonte, 29 de novembro de 1946) é uma linguista e escritora brasileira. Agora aposentada, teve uma prolífica carreira como pesquisadora-docente universitária. É uma das mais influentes literatas do movimento pós-modernista no Brasil, escrevendo nos gêneros da poesia, romance, conto e ensaio. Como pesquisadora-docente, seus trabalhos focavam na literatura comparada. Suas obras, em especial o romance Ponciá Vicêncio, de 2003, abordam temas como a discriminação racial, de gênero e de classe. O romance foi foco de pesquisa acadêmica pela primeira vez, no Brasil, em 2007. A obra foi traduzida para o inglês e publicada nos Estados Unidos também em 2007. Em 2017, foi tema da Ocupação do Itaú Cultural de São Paulo. Já em 2019, Conceição Evaristo foi a grande homenageada da Bienal do Livro de Contagem.

Elza Soares

Uma das maiores artistas da história da música brasileira, com nove décadas de história de superação, e que continua inspirando gerações. Elza Soares nasceu no Rio de Janeiro, na Favela de Moça Bonita, uma estação ferroviária que se desenvolveu e hoje é conhecida como Vila Vintém. Filha de Avelino Gomes e Rosária Maria da Conceição, Elza estreou no universo musical cantando com seu pai, que na época era operário e tirava as horas vagas para tocar violão e cantar com a filha. Nas reviravoltas que teve que enfrentar em sua jornada, chegou a conquistar o Grammy Latino, conheceu Louis Armstrong e recentemente foi homenageada pela instituição de Beyoncé. Faleceu em janeiro de 2022, aos 91 anos de idade.

Emanoel Araujo

Artista baiano, Emanoel nasceu numa tradicional família de ourives, aprendeu marcenaria, linotipia e estudou composição gráfica na Imprensa Oficial de Santo Amaro da Purificação. Em 1959, realizou sua primeira exposição individual ainda em sua terra natal. Mudou-se para Salvador na década de 1960 e ingressou na Escola de Belas Artes da Bahia (UFBA), onde estudou gravura. Durante sua gestão no Museu Afro Brasil, a exposição “Africa Africans”, da qual foi curador, foi premiada como melhor exposição de 2015 pela ABCA. Como curador independente, sua exposição “Francisco Brennand Senhor da Várzea, da Argila e do Fogo” recebeu o prêmio Paulo Mendes de Almeida, como a melhor exposição realizada no país no ano de 2017.

Enedina Alves Marques

Professora e pioneira engenheira brasileira, Enedina se Formou-se em Engenharia Civil em 1945 pela Universidade Federal do Paraná, entrando para a história como a primeira mulher a se formar em engenharia no estado e a primeira engenheira negra do Brasil.  

José do Patrocínio

Foi um farmacêutico, jornalista, escritor e ativista político. Uma das figuras mais importantes dos movimentos abolicionista e monarquista no país e idealizador da Guarda Negra da Redentora, movimento negro do Brasil que atuava para proteger a monarquia e contra a aristocracia e os militares. Atuou no processo de emancipação do trabalho escravo e defendia o fim da escravidão a partir de discussões no Parlamento, de debates para defesa de uma abolição da escravatura, por meio da Sociedade Brasileira contra a Escravidão. 

Maria Soldado

Negra filha de escravos, paulista da cidade de Limeira, nascida aos 9 de dezembro de 1885, Maria José Bezerra atuava como cozinheira; mas, após a casa onde trabalhava ter sido alvejada durante a Revolução de 1932, ela trocou o avental por uma farda e juntou-se aos seus irmãos negros na batalha, abandonando assim os quitutes de caçarola em favor das armas. Maria Soldado é reconhecida pela força, coragem, patriotismo e abnegação, pela sua participação na Revolução Constitucionalista de 1932, tendo dado sua contribuição ativa na construção da história do país.

Sobre o programa

MIS em Cena é um projeto que visa democratizar o acesso à cultura, contemplando a produção artística nas periferias da cidade, transpondo as barreiras físicas dos museus. Nesta terceira edição, as obras produzidas pelos grafiteiros serão fotografadas e reproduzidas em cartazes, que serão exibidos em uma grande exposição simultânea nos CEUs e Fábricas de Cultura da capital e Grande São Paulo. Outro propósito da ação é o reconhecimento da técnica do grafite como manifestação artística de valor cultural – combatendo preconceitos e valorizando as pluralidades de ações no âmbito das artes urbanas.

Em julho deste ano, a primeira edição do MIS em Cena exibiu a exposição “Revisitando Portinari”, com releituras de obras do consagrado pintor paulista – produzidas por 61 artistas da periferia e grafiteiros selecionados por CEUs e Fábricas de Cultura. A mostra simultânea foi exibida em 55 polos culturais da capital e Grande São Paulo. A primeira edição do MIS em Cena foi resultado de uma ação realizada por meio da exposição Portinari para todos, exibida no MIS Experience, e atingiu mais de 50 mil pessoas.

A segunda edição aconteceu em agosto deste ano com exposição simultânea em 73 pontos culturais da capital e Grande São Paulo (em 58 unidades dos CEUs – da Secretaria Municipal de Educação – e 15 unidades das Fábricas de Cultura – da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado). Foi composta por cartazes, fotos e mapas que representaram uma amostra da exposição “1932: Revolução, constituição e cidadania – A força de um ideal”, que ficou em cartaz de 09 de julho a 11 de setembro de 2022, na sede do MIS.

Fonte: Governo de São Paulo

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