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Quem és Tu, Senhor?

Quem és Tu, Senhor? - Jornal O São Paulo
Luciney Martins/O SÃO PAULO

Na festa da Conversão de São Paulo, celebramos o Padroeiro da arquidiocese de São Paulo. O Apóstolo também é Padroeiro da Cidade e do Estado de São Paulo. Por isso, como comunidade católica, hoje unimos nossa celebração religiosa às comemorações civis do “dia da Cidade”, recordando o marco histórico inicial de sua fundação. 

De fato, o marco fundacional da atual cidade de São Paulo foi a missão dos Jesuítas, em meados do século XVI, e a missa que marcou a inauguração da primeira capelinha e da escolinha da missão, no lugar do atual Pateo do Collegio, justamente, no dia 25 de janeiro de 1554, festa da Conversão de São Paulo. 

A conversão de São Paulo foi um momento extraordinário na vida do Apóstolo e também da Igreja de Cristo, que dava os seus primeiros passos na História. De perseguidor feroz e muito convencido de estar fazendo a coisa certa, ele reconheceu seu erro e se tornou um ardoroso discípulo de Jesus, entregando generosamente suas capacidades e energias, até ao martírio, pela pregação do Evangelho e para o conhecimento de Jesus. O que aconteceu de tão extraordinário na vida desse homem, e em tão pouco tempo? 

Ele mesmo conta a experiência do seu encontro com Jesus diversas vezes nos seus escritos e nos Atos dos Apóstolos (At 9,1-22; 22,1-21; 26,9- 18; Gl 1,13-24). Na verdade, deveríamos falar do encontro de Jesus com Paulo, e não o contrário, pois não era ele quem procurava encontrar Jesus, mas o contrário: “Eu mesmo fui alcançado por Cristo Jesus” (Gl 3,12). Paulo queria destruir Jesus e seus seguidores. Mas foi encontrado por Jesus de uma maneira tão forte, que ele nunca mais esqueceu. Pelo contrário, foi esse encontro que marcou uma virada radical em sua vida e seus propósitos. 

Paulo dirá, depois que ele foi encontrado por Jesus e que foi amado e perdoado, apesar de ser um pecador e violento perseguidor da Igreja iniciante; ele usa uma expressão de significado muito forte, que retrata a experiência do seu encontro com Jesus: “Ele me amou e por mim se entregou na cruz” (Gl 2,20 e Ef 5,2). Paulo experimentou profundamente o que significa ser perdoado e ter recebido a misericórdia de Deus. Por isso, sem renegar sua história passada, ele se lança para a frente e dedica a sua vida inteiramente a Jesus e à pregação do Evangelho, não medindo nenhum sacrifício para isso. 

Mais tarde, depois de já ter sofrido muito por Cristo, ele diz que a melhor coisa que poderia ter acontecido na sua vida foi ter encontrado e conhecido Jesus Cristo e ser conhecido por Ele (Fl 3,4-11). Foi um encontro marcante, que encheu Paulo de uma luz tão forte, que ele ficou cego por um momento (cf. At 22,11). Foi a luz da verdade do Evangelho, verdade sobre Jesus Cristo e luz nova sobre a vida e a missão do próprio Paulo. 

Penso que o fenômeno da conversão de São Paulo nos interpela: Como são nossos encontros com Deus e com seu Filho, Jesus Cristo? Superficiais, apenas intelectuais, como vagas lembranças de coisas históricas? Ou são encontros pessoais e vivos, a partir da fé, com a pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo? Quem verdadeiramente encontra o Senhor não sai o mesmo depois desse encontro. Nossa fé cristã tem essa característica: ela é uma resposta a alguém, a um Tu divino, que nos interpela e a quem nós respondemos, como Paulo, com nossas perguntas, mas também com a resposta de nossa vida convertida. 


Artigo extraído do folheto litúrgico Povo de Deus em São Paulo, edição de 25 de janeiro de 2026

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