Ordenação Episcopal foi presidida pelo Cardeal Scherer na Diocese de Ourinhos (SP)

A Catedral Senhor Bom Jesus, em Ourinhos (SP), ficou lotada no domingo, dia 1º, para a ordenação episcopal de Dom Celso Alexandre, novo Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo. Fiéis de diversas paróquias da Diocese de Ourinhos e de outras regiões acompanharam a celebração tanto no interior da igreja quanto do lado de fora, onde telões foram instalados para permitir a participação de todos nos ritos solenes.
Nomeado pelo Papa Leão XIV em 26 de novembro de 2025, Dom Celso recebeu a ordenação episcopal em celebração presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo. Também foram bispos ordenantes Dom Eduardo Vieira dos Santos, Bispo de Ourinhos, e Dom Salvador Paruzzo, Bispo Emérito dessa Diocese. Concelebraram numerosos bispos e sacerdotes, com expressiva presença do clero de Ourinhos e da Arquidiocese de São Paulo, especialmente da Região Ipiranga, onde Dom Celso exercerá seu ministério como Vigário Episcopal.
RITOS


Após a proclamação do Evangelho, teve início o rito próprio da ordenação episcopal. O Sacerdote eleito foi apresentado ao presidente da celebração e, em seguida, foi lida a bula com o mandato apostólico do Papa Leão XIV, recordando que somente o Romano Pontífice possui a prerrogativa de nomear bispos para a Igreja Católica.
Concluída a homilia, a assembleia entoou o hino Veni Creator Spiritus (Vinde, Espírito Criador), invocando a presença e a ação do Espírito Santo sobre o eleito e sobre toda a Igreja. Na sequência, Dom Celso foi interrogado pelo Cardeal Scherer e manifestou publicamente seus propósitos: anunciar o Evangelho com fidelidade; guardar a integridade da fé; edificar a Igreja na unidade; obedecer fielmente ao Papa; e cuidar do povo de Deus com espírito de misericórdia, buscando especialmente as ovelhas afastadas.
Como sinal de total entrega a Deus e de confiança na intercessão da Igreja, o eleito prostrou-se diante do altar enquanto era entoada a Ladainha de Todos os Santos. O momento central do rito ocorreu com a imposição das mãos sobre a cabeça de Dom Celso, gesto que remonta aos apóstolos e pelo qual é transmitido o sacramento da Ordem. Em seguida, os bispos elevaram a prece de ordenação, pedindo: “Enviai agora sobre este eleito a força que de vós procede, o Espírito Soberano”.
Após a oração, a cabeça do novo Bispo foi ungida com o óleo do Crisma, sinal da plenitude do sacerdócio de Cristo. Dom Celso recebeu, então, o livro dos Evangelhos, confirmando sua missão de anunciar e ensinar a Palavra de Deus, bem como as insígnias episcopais: o anel, sinal de fidelidade à Igreja; a mitra, símbolo da santidade do povo de Deus; e o báculo, sinal do cuidado pastoral e do serviço ao rebanho.
SERVIÇO, NÃO HONRARIA

Na homilia, Dom Odilo destacou o profundo significado eclesial do episcopado, sublinhando que ele não deve ser compreendido como um posto de privilégio. Dirigindo-se diretamente ao ordenando, afirmou: “O episcopado é um serviço e não uma honraria. O bispo deve distinguir-se mais pelo serviço prestado do que pelas honrarias recebidas”.
O Arcebispo explicou que a missão do bispo é, em essência, cuidar da Igreja de Cristo, desta porção concreta do povo de Deus que é a diocese, “como se fosse a sua própria família”. Recordou ainda que o bispo é chamado a exercer seu ministério em comunhão com os demais bispos e com o Papa, participando da solicitude pela Igreja inteira.
Dom Odilo aprofundou a missão tríplice do episcopado – ensinar, santificar e governar – ressaltando que, por meio do ministério do bispo, é o próprio Cristo que continua a anunciar o Evangelho, a distribuir os sacramentos e a conduzir o seu povo na história. Exortou Dom Celso a amar “com amor de pai e de irmão” aqueles que lhe são confiados, com atenção especial aos presbíteros e diáconos, aos pobres, doentes, peregrinos e migrantes, e a demonstrar zelo incansável também por aqueles que ainda não pertencem ao rebanho de Cristo.
GRATIDÃO E DISPONIBILIDADE


Ao final da celebração, Dom Celso Alexandre dirigiu suas primeiras palavras como bispo, expressando dois sentimentos que, segundo afirmou, marcavam profundamente aquele momento: gratidão e alegria. Agradeceu ao Papa Leão XIV pela confiança e recordou as palavras de encorajamento recebidas do Núncio Apostólico no Brasil: “O chamado é divino. Se Ele chama, Ele nos sustenta com a Sua graça”.
Explicando o lema episcopal escolhido — “Apascenta as minhas ovelhas” —, Dom Celso afirmou compreender o episcopado como um chamado ao cuidado, à condução e ao serviço do povo de Deus, à maneira de Jesus, o Bom Pastor, “que veio para servir e não para ser servido”. Reafirmou que o episcopado significa serviço e diaconia, não honra.
Visivelmente emocionado, agradeceu à família, definida como seu “porto seguro”, e recordou com carinho os 23 anos de ministério presbiteral vividos na Diocese de Ourinhos, junto ao clero e às comunidades locais. “Vou para São Paulo com o coração um pouco apertado, mas de coração aberto e feliz”, afirmou, manifestando sua disponibilidade para a nova missão na Região Episcopal Ipiranga. Ele concluiu pedindo orações e confiando seu ministério ao cuidado de Deus e da Igreja.


(Colaborou: Fernando Arthur)





