A Igreja defende o uso racional e solidário da água

O SÃO PAULO recorda as reflexões e orientações dos papas sobre a boa utilização dos recursos hídricos pela humanidade

Foto: Pixabay

Instrumento vital e imprescindível para a sobrevivência, a água é um direito universal e inalienável, e sua utilização, bem como de seus serviços conexos, deve ser orientada à satisfação das necessidades humanas, e não como mera mercadoria, e ter uso racional e solidário, conforme consta no Compêndio da Doutrina Social da Igreja (cf. CDSI, 484-485).

Em mensagem à Igreja no Brasil, por ocasião da Campanha da Fraternidade de 2004, cujo tema foi “Água, fonte de vida”, São João Paulo II alertou que o uso deste recurso, que não é ilimitado, “exige a colaboração de todos os homens de boa vontade com as autoridades governamentais, para conseguir uma proteção eficaz do meio ambiente, considerado como dom de Deus (cf. Exortação Apostólica Ecclesia in America, 25). É uma questão que necessita, portanto, ser enquadrada de forma a estabelecer critérios morais baseados precisamente no valor da vida e no respeito pelos direitos e pela dignidade de todos os seres humanos”. 

A gestão sustentável dos recursos hídricos também foi abordada pelo Papa Bento XVI na mensagem para o Dia Mundial da Água de 2007, na qual indicou que tal gestão “deve ser enfrentada em conformidade com o princípio da subsidiariedade, ou seja, por meio da adoção de uma abordagem participativa que comprometa tanto o setor privado quanto também, e sobretudo, as comunidades locais; o princípio da solidariedade, pilar fundamental da cooperação internacional, que exige uma opção preferencial pelos pobres; o princípio da responsabilidade em relação à geração presente e às futuras, do qual brota a consequente necessidade de examinar de novo os modelos de consumo e de produção, muitas vezes insustentáveis no que diz respeito à utilização dos recursos hídricos”. 

Na encíclica Laudato si’, publicada em 2015, o Papa Francisco recorda que por muitos anos a água potável e limpa foi uma garantia para a humanidade, “mas agora, em muitos lugares, a procura excede a oferta sustentável, com graves consequências a curto e longo prazo. Grandes cidades, que dependem de importantes reservas hídricas, sofrem períodos de carência do recurso, que, nos momentos críticos, nem sempre se administra com uma gestão adequada e com imparcialidade” (LS, 28).

Ao alertar para o risco de que a água se torne um bem sujeito às leis do mercado, o Pontífice ressalta que “o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos” (LS, 30). Neste mesmo ponto da encíclica, Francisco indica que há “um desperdício de água não só nos países desenvolvidos, mas também naqueles em vias de desenvolvimento que possuem grandes reservas. Isto mostra que o problema da água é, em parte, uma questão educativa e cultural, porque não há consciência da gravidade destes comportamentos num contexto de grande desigualdade”.

Na encíclica, o Papa pontua que os investimentos para o uso sustentável dos recursos naturais não devem ser vistos como gasto inútil, mas como algo que “poderá proporcionar outros benefícios econômicos a médio prazo. Se não temos vista curta, podemos descobrir que pode ser muito rentável a diversificação de uma produção mais inovadora e com menor impacto ambiental” (LS, 191)

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