‘A verdadeira justiça de Deus é a misericórdia que salva’, diz o Papa

‘A verdadeira justiça de Deus é a misericórdia que salva’, diz o Papa, Jornal O São Paulo
Reprodução de Vatican Media

Na oração mariana do Angelus deste domingo, 8, o Papa Francisco meditou sobre a festa do Batismo do Senhor, celebrada nesta data em boa parte do mundo, enquanto no Brasil, será comemorada na segunda-feira, 9, devido à transferência da solenidade da Epifania do Senhor para o domingo.

Inspirado no Evangelho de Mateus (Mt 3,13-14) que narra o ambiente que envolve o Batismo de Jesus por João no rio Jordão, o Santo Padre explicou que “era um rito com o qual as pessoas se arrependiam e se comprometiam a se converter”. Neste sentido, “um hino litúrgico diz que o povo ia ser batizado ‘de alma e pés descalços’, uma alma aberta, sem cobrir nada, com humildade e coração transparente.”

Diante da surpresa da multidão ao ver “o Santo de Deus, o Filho de Deus sem pecado”, ao lado dos pecadores e de sua escolha de receber o Batismo, Jesus dirige-se a João dizendo: “Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa”.

O Papa, então, pergunta o que significa “cumprir toda a justiça” e responde que, fazendo-se batizar, Jesus revela a justiça de Deus, aquela justiça que Ele veio trazer ao mundo. “Nós, tantas vezes, temos uma ideia estreita de justiça e pensamos que ela significa: quem erra que pague e assim apaga o mal que cometeu. Mas a justiça de Deus, como ensina a Escritura, é muito maior: seu propósito não é a condenação do culpado, mas sua salvação e seu renascimento, o torná-lo justo, de injusto a justo. É uma justiça que vem do amor, que vem daquelas entranhas de compaixão e de misericórdia que são o próprio coração de Deus, Pai que se comove quando somos oprimidos pelo mal e caímos sob o peso dos pecados e das fragilidades”, afirmou.

O pontífice sublinhou que, a justiça de Deus, portanto, “não quer distribuir penas e castigos”, mas, como afirma o Apóstolo Paulo, “consiste em justificar a nós, seus filhos, libertando-nos das ciladas do mal, curando-nos, reerguendo-nos (…). O Senhor está com a mão estendida para ajudar a nos reerguer”.

“E então compreendemos que, às margens do Jordão, Jesus nos revela o sentido de sua missão: Ele veio cumprir a justiça divina, que é salvar os pecadores; veio para tomar sobre os ombros o pecado do mundo e descer nas águas do abismo, naquelas águas da morte, de modo a nos recuperar e não nos deixar afogar. Ele mostra-nos hoje que a verdadeira justiça de Deus é a misericórdia que salva. Nós temos medo de pensar que Deus é misericórdia, e Deus é misericórdia, porque a sua justiça é precisamente a misericórdia que salva, a sua justiça é o amor que partilha a nossa condição humana. A sua justiça se faz próxima, se compadece da nossa dor, entrando nas nossas obscuridades para levar a luz”, continuou o Bispo de Roma.

Francisco recordou, ainda, a homilia do Papa Emérito Bento XVI em 13 de janeiro de 2008, quando afirmou que “Deus quis salvar-nos indo ele mesmo até ao fundo do abismo da morte, para que cada homem, mesmo quem caiu tão em baixo que já não vê o céu, possa encontrar a mão de Deus à qual se agarrar e subir das trevas para ver de novo a luz para a qual ele é feito”.

“Nós temos medo de pensar em uma justiça assim misericordiosa. Sigamos em frente. Deus é misericórdia. Sua justiça é misericordiosa. Deixemo-nos tomar pela mão por Ele”, disse o Papa.

‘Não nos esqueçamos dos irmãos ucranianos’

Após a oração, o Papa renovou o apelo: “E não esqueçamos de nossos irmãos e irmãs ucranianos! Eles sofrem tanto com a guerra! Esse Natal de guerra, sem luz, sem calor, eles sofrem muito! Por favor, não esqueçamos deles”.

O Santo Padre recordou, de modo especial, as mães ucranianas e russas que perderam seus filhos no conflito: “E hoje, vendo Nossa Senhora com o menino no Presépio, que o amamenta, penso nas mães das vítimas da guerra, dos soldados que morreram nesta guerra na Ucrânia. As mães ucranianas e as mães russas perderam seus filhos. Este é o preço da guerra. Rezemos pelas mães que perderam os filhos soldados, quer ucranianos como russos”.

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Foto: Vatican Media

Batismo na Capela Sistina

Na manhã do domingo, o Papa Francisco celebrou a missa da festa do Batismo do Senhor na Capela Sistina, no Vaticano. Na ocasião, o Pontífice batizou 13 crianças, filhas de funcionários do Estado do Vaticano. O costume de batizar os filhos dos funcionários da Santa Sé foi instituído por São João Paulo, em 1981, se foi seguido por seus sucessores.

Em sua breve homilia, o Santo Padre agradeceu aos pais por fazerem seus filhos “entrarem na Igreja”, destacando a beleza de um dia assim, que nos faz recordar do nosso Batismo, pois “nos esquecemos quando fomos batizados”.

“É como um aniversário, porque o Batismo faz-nos renascer para a vida cristã. É por isso que vos aconselho a ensinar aos vossos filhos a data do Batismo, como um novo aniversário: que todos os anos se recordem e agradeçam a Deus por esta graça de se tornarem cristãos. E esta é uma tarefa que vos aconselho a fazer”, afirmou o Papa.

Fonte: Vatican News

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