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Béchara e Gabriele Maria: 2 sacerdotes religiosos proclamados beatos por Leão XIV

Quatros séculos separam suas vidas, mas em comum tiveram o chamado à consagração religiosa e ao sacerdócio. Em 21 de fevereiro, o Papa Leão XIV autorizou o Dicastério para as Causas dos Santos a promulgar os decretos para a beatificação dos Padres Béchara Abou-Mourad (1853-1930), libanês, e Gabriele Maria (1460-1532), francês. A seguir, O SÃO PAULO apresenta o perfil dos novos beatos.

Béchara: um vibrante testemunho de Fé e de caridade no Monte Líbano

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“Sua vida foi marcada por uma profunda espiritualidade e um constante compromisso com o serviço aos fiéis, combinando o ministério itinerante com a orientação espiritual”.

Assim o site do Dicastério para as Causas dos Santos resume a biografia de Béchara Abou-Mourad. Nascido em 1853, em Zahle, no Líbano, recebeu o nome de Selim. Aos 19 anos, ingressou no mosteiro da Ordem Basiliana do Santíssimo Salvador dos Melquitas, e no noviciado, em 1874, adotou o nome monástico de Béchara, que significa “Evangelho, Boas Novas”. Foi ordenado padre em 1883.

Em seus primeiros anos de sacerdócio, serviu como mestre de disciplina e confessor no seminário menor do mosteiro. Em 1891, foi enviado em missão pastoral a Deir al-Qamar, no Monte Líbano. Sem um templo para celebrar a santa missa, passou a fazê-lo nas casas dos fiéis, enquanto empenhava esforços para conseguir construir uma igreja. Por lá, foram suas marcas a abertura ecumênica, a atenção à orientação espiritual dos fiéis e o zelo caritativo com os mais pobres, tendo fundado uma sociedade privada de beneficência.

Em 1922, já em idade avançada e com a saúde debilitada, foi transferido para a Catedral Melquita de Sidon, na qual se dedicou como confessor. Faleceu aos 76 anos de idade, em 1930, no Convento de São Salvador.

Ao longo dos séculos, a piedade popular atribuiu curas milagrosas pela intercessão do Padre Béchara. Em 2009, a senhora Thérése, que vivia em cadeira de rodas em razão de uma doença incurável e irreversível que a impunha restrições de mobilidade, encontrou ao acaso um material impresso com a biografia do Sacerdote. Durante uma noite com fortes dores, ela abraçou o impresso e rezou para que o sacerdote libanês intercedesse a Deus por sua saúde. No dia seguinte, começou a caminhar sem qualquer auxílio e sem sentir dores. Ela estava curada, milagre que fez com que Igreja, após detalhado processo, decidisse pela beatificação do Padre Béchara Abou-Mourad.

Gabriele Maria: beatificação ratifica a piedade popular de quase 500 anos

Béchara e Gabriele Maria: 2 sacerdotes religiosos proclamados beatos por Leão XIV - Jornal O São Paulo

Não há data precisa sobre o nascimento de Gilberto Nicolas, mas acredita-se que tenha sido por volta do ano 1460, em Riom, na França. Educado na fé católica, tinha grande devoção a Nossa Senhora. Na juventude, ingressou na Ordem dos Frades Menores da Observância. O nome de Gabriele Maria, ele adotaria muitos anos depois de ter sido ordenado sacerdote.

No site do Dicastério para as Causas dos Santos, Gabriele Maria é descrito como “uma figura religiosa culta e multifacetada que, com paciência e perseverança, deu um impulso significativo ao crescimento da espiritualidade da família franciscana. Trabalhou movido pelo desejo de restaurá-la à autenticidade de suas origens e foi um pregador convincente, pois testemunhou em primeira mão o que professava”. 

Com Santa Joana de Valois, Gabriele Maria fundou a Ordem da Anunciação da Bem-Aventurada Virgem Maria, empenhando-se pessoalmente para convencer jovens a serem postulantes na nova Ordem, a qual teve as Regras por ele escritas, e que se expandiu pela Bélgica, Países Baixos, Inglaterra e Espanha. Ao longo da vida, também teve tarefas de direção e governo na Ordem do Frades Menores da Observância, conduzindo um processo de reforma. No Capítulo Geral de 1517, recebeu o encargo de comissário geral. Nessa época, o Papa Leão X pediu que mudasse o nome de Gilberto Nicolas para Gabriele Maria. 

O Sacerdote faleceu em 1532, no mosteiro de Rodez. “Imediatamente após sua morte, ele recebeu veneração espontânea e imediata dos fiéis, sem impedimentos por parte das autoridades eclesiásticas e sempre amparado por sua reputação duradoura de santidade”, conforme consta no site do Dicastério para a Causa dos Santos. Agora, ao torná-lo beato, o Papa Leão XIV confirmou o culto imemorial, sendo esta uma beatificação equipolente,  ou seja, baseada em um culto antigo e ininterrupto acerca de alguém, sem a necessidade da comprovação de um milagre em específico.

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