Bispo afirma que Francisco é ‘um pai maravilhoso’ para a Ucrânia

Em meio ao clima tenso entre Rússia e Ucrânia, representantes da Igreja Greco-Católica Ucraniana reconhecem a importância que o apoio de Francisco representa, antes mesmo de ter se tornado papa

O Papa Francisco cumprimenta o Dom Sviatoslav Shevchuk, Arcebispo Maior da Igreja Católica na Ucrânia, em 2 de setembro de 2019 (foto: Vatican Media)

O Papa Francisco expressou preocupação no domingo, 18, sobre o recente aumento do clima de hostilidade entre a Rússia e a Ucrânia e pediu esforços para aliviar as tensões no conflito que já dura 7 anos.

“Observo com grande apreensão o aumento das atividades militares”, disse Francisco em declarações ao público reunido na Praça de São Pedro.

“Espero fortemente que se evite o agravamento das tensões e, pelo contrário, se façam gestos capazes de promover a confiança recíproca e favorecer a reconciliação e a paz, tão necessárias e tão desejadas”, acrescentou.

MOTIVAÇÕES

Estima-se que 14 mil ucranianos morreram durante a guerra, que começou quando a Rússia de Vladimir Putin invadiu o leste da Ucrânia em 2014. As inquietações entre Moscou e Kiev têm crescido nos últimos meses, em meio a um aumento de tropas russas ao longo da fronteira.

A guerra girou em torno do status das regiões ucranianas da Crimeia e Donbass. O conflito, desde o início, é uma “violação do direito internacional”, disse o bispo greco-católico ucraniano Dom Kenneth Nowakowski, de Londres. “Em 1990, a Rússia assinou um acordo para respeitar os direitos territoriais da Ucrânia, quando os ucranianos desistiram de seu arsenal nuclear.”

“Os ucranianos desenvolveram nos últimos 30 anos – não sem obstáculos, não sem desafios – o direito à autodeterminação de um sistema democrático”, afirmou o bispo no domingo. “Eles tiveram que pagar um preço muito alto pela transição e continuar seu caminho, às vezes com grande sucesso, às vezes nem tanto, mas estão tentando, e isso precisa ser reconhecido”, afirmou.

CUIDADO DO PAPA

Dom Kenneth diz que sente que os comentários do Papa sobre o que está acontecendo no leste da Ucrânia são mais uma prova do profundo cuidado do pontífice pela nação.

“Ele manifestou isso muitas e muitas vezes, inclusive quando a primeira crise humanitária foi trazida à sua atenção por nosso Arcebispo Maior Dom Sviatoslav Shevchuk e pelo sínodo permanente, do qual fiz parte”, disse o bispo, observando que Francisco “respondeu e organizou um fundo especial para ajudar as pessoas que estavam sofrendo por causa da ocupação russa chamado ‘O Papa pela Ucrânia’”.

“Acho que, mais uma vez, ele provou para mim – não que precisasse – ser um pai maravilhoso e alguém que se preocupa não apenas com os católicos ucranianos ou com os greco-católicos ucranianos, mas também com todo o povo ucraniano”, disse Dom Kenneth. “Sendo o bispo dos católicos gregos ucranianos na Grã-Bretanha, onde temos centenas de milhares de ucranianos que vieram para cá nos últimos anos, é importante para nós ouvirmos estas mensagens de solidariedade.”

RAZÕES DE FRANCISCO

Existem muitas razões para a atenção particular de Francisco para com a Ucrânia, disse ele, incluindo o fato de que quando o então Cardeal Jorge Mario Bergoglio era Arcebispo de Buenos Aires, Dom Sviatoslav Shevchuk, Arcebispo Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, era o Bispo de Buenos Aires para os gregos ucranianos. Os dois são supostamente amigos próximos.

Além do nível “pessoal”, há também o fato de a Ucrânia ser o único país da Europa que viu uma guerra contínua nos últimos sete anos.

“Acho que muitas vezes as pessoas esquecem que esta é uma guerra travada na Europa, em nossa era”, disse Dom Kenneth. “Claro, não somos o único país que foi invadido, mas o Vaticano está na Europa, e também a Ucrânia.”

Uma terceira razão possível é o fato de que a Igreja Greco-Católica Ucraniana é a segunda maior porção da Igreja Católica do mundo, e a maioria dos fiéis vive na Ucrânia.

APOIO E INTERESSES

Desde a invasão em fevereiro de 2014, a Igreja Católica Greco-Ucraniana forneceu capelães para as linhas de frente que estão apoiando tanto as forças armadas profissionais ucranianas quanto o grande número de combatentes voluntários.

Na tentativa de explicar o conflito para aqueles que não estão familiarizados com ele, Dom Kenneth observa que, quando a União Soviética entrou em colapso em 1991, os dois maiores países eram a Federação Russa e a Ucrânia. Este último “possui ricas terras agrícolas, recursos minerais e, claro, os portos do Mar Negro”.

Além disso, a Ucrânia faz fronteira com muitos países, incluindo Belarus, Hungria, Moldávia, Polônia, Romênia, Rússia e Eslováquia, tornando-se central para o continente. Embora contando com 45 milhões de pessoas – quase a metade dos 84 milhões da Alemanha -, territorialmente a Ucrânia é, de longe, o maior país da Europa não russa – quase duas vezes maior que a Alemanha. Embora a Rússia seja muito maior, seu território fica majoritariamente na Ásia.

Fonte: Crux Now

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