‘Deus se fez fragilidade para tocar de perto as nossas fragilidades’

(Foto: Vatican Media)

O Papa Francisco rezou o Angelus deste domingo, 3, novamente da biblioteca do Palácio Apostólico, como medida de restrição devido à atual pandemia. Sua meditação foi a partir do Evangelho do segundo domingo depois do Natal (Jo 1, 1-18), celebrado nos lugares onde, ao contrário do Brasil e de outros países, a Solenidade da Epifania do Senhor não é transferida para o domingo, mas é mantida no dia 6. 

Esse trecho, conhecido como o prólogo de São João, não fala propriamente da cena do nascimento de Jesus, mas do mistério da sua encarnação. 

O Pontífice ressaltou que Jesus existia antes do aparecimento da vida, antes do início das coisas, do universo e de tudo. “Ele existe antes do espaço e do tempo”, disse. São João se refere a Cristo como a “Palavra”, que, como recordou o Pontífice,  tem a força da “comunicação”, que significa falar sobre algo com alguém.

“O fato de Jesus ser desde o princípio a Palavra significa que desde o início Deus quer se comunicar conosco, quer falar conosco”, afirmou o Santo Padre, acrescentando que se trata de uma comunicação que reflete “a beleza de ser filho de Deus”. O Papa, então, recorda que “a maravilhosa mensagem de hoje”:

“Jesus é a Palavra, a Palavra eterna de Deus, que sempre pensou em nós e quer se comunicar conosco”.

Fez-se carne

Para fazer isso, afirma Francisco, “Ele foi além das palavras”, como o próprio Evangelho destaca que a Palavra “se fez carne e habitou entre nós”.

“Por que São João usa esta expressão, ‘carne’? Não poderia dizer, de maneira mais elegante, que se fez homem? Não, usa a palavra carne porque ela indica a nossa condição humana em toda sua vulnerabilidade, em toda sua fragilidade. Ele nos diz que Deus se fez fragilidade para tocar de perto as nossas fragilidades. Portanto, desde que o Senhor se fez carne, nada em nossa vida é estranho para Ele. Não há nada que Ele desdenhe; tudo podemos compartilhar com Ele, tudo. Querido irmão, querida irmã, Deus se fez carne para nos dizer, para dizer que lhe ama ali mesmo, que nos ama ali mesmo, nas nossas fragilidades, nas suas fragilidades; ali mesmo, onde a gente mais se envergonha, onde você mais se envergonha”, enfatizou o Pontífice.

Francisco recorda que, ao se fazer carne, Deus “não voltou atrás”. “Não pegou a nossa humanidade como uma roupa, que se veste e se tira. Não, nunca mais se desprendeu da nossa carne […]. E nunca mais vai se separar: agora e para sempre Ele está no céu com o seu corpo de carne humana. Ele se uniu para sempre à nossa humanidade; poderíamos dizer que se ‘casou’ com ela. [..] O Evangelho diz, na verdade, que veio habitar entre nós. Ele não veio nos fazer uma visita e depois foi embora, veio para habitar conosco, para estar conosco”, completou.

Fragilidade humana

O Papa concluiu a meditação pedindo à Santa Mãe de Deus, “em quem a Palavra se fez carne”, que ajude os cristãos a acolherem Jesus, “que bate à porta do coração para habitar conosco”.

“Ele quer que compartilhemos com Ele alegrias e dores, desejos e medos, esperanças e tristezas, pessoas e situações. Façamos isso, com confiança: abramos o coração a Ele, vamos contar tudo a Ele. Façamos uma pausa em silêncio diante do presépio para saborear a ternura de Deus feito próximo, feito carne. E, sem medo, convidemos Ele para a nossa casa, na nossa família e também – cada um conhece bem – vamos convidá-Lo nas nossas fragilidades. Vamos convidá-Lo para que veja as nossas feridas. Ele virá e a vida vai mudar.”

Ano novo: compromisso com o outro e com a criação

Após a oração, o Pontífice renovou seus  votos de feliz ano novo e recomendou que os cristãos evitem a “mentalidade fatalista ou mágica” a respeito da mudança de ano.

(Foto: Vatican Media)

“Sabemos que as coisas vão melhorar na medida em que, com a ajuda de Deus, trabalhemos juntos para o bem comum, colocando os mais fracos e os mais desfavorecidos no centro. Não sabemos o que 2021 nos reserva, mas o que cada um de nós e todos podemos fazer juntos é nos comprometermos um pouco mais com o cuidado uns dos outros e da criação, nossa casa comum”, exortou o Papa.

O Santo Padre reconheceu que existe a tentação de cuidar apenas dos próprios interesses, “de continuar na guerra, por exemplo, de focar apenas no perfil econômico, de viver de forma hedonista, ou seja, tentando apenas satisfazer o próprio prazer…”.

Fuga do lockdown

Em seguida, Francisco lamentou o fato de muitas pessoas que viajaram para escapar dos restrições e bloqueios por causa da pandemia.

“Li algo nos jornais que me entristeceu bastante: em um país, não me lembro qual, para escapar do lockdown e ter boas férias, partiram mais de 40 aviões naquela tarde. Mas essa gente, que é gente boa, mas não pensou nos que ficaram em casa, nos problemas econômicos de tanta gente que o lockdown jogou no chão, nos enfermos? Basta tirar férias e fazer o seu próprio prazer. Isso me doeu muito”, manifestou o Pontífice.

Por fim, o Papa dirigiu uma saudação especial àqueles que iniciam o novo ano com maiores dificuldades, aos enfermos, aos desempregados, a quantos vivem em situações de opressão ou de exploração. “Com afeto, desejo saudar todas as famílias, especialmente aquelas onde existem filhos pequenos ou que esperam nascer. Um nascimento é sempre uma promessa de esperança. Estou perto dessas famílias: o Senhor os abençoe!”, concluiu.

(Com informações de Vatican News)

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