Manual da Santa Sé orienta fase diocesana do Sínodo de 2023

Para auxiliar as dioceses de todo o mundo na realização do caminho sinodal convocado pelo Papa Francisco até 2023, a Secretaria do Sínodo dos Bispos publicou um vademécum que orienta os principais passos a serem dados na etapa que começará no dia 17 de outubro.

“Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão” é o tema do Sínodo que, pela primeira vez, será constituído de três etapas: diocesana (2021), continental (2022) e universal (2023).

Na apresentação do Documento Preparatório do Sínodo, no último dia 7, no Vaticano, o Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, Cardeal Mario Grech, enfatizou que a etapa diocesana não será uma fase preparatória, mas já será um Sínodo e deve ter a participação de todos os batizados, pois “a Igreja quer entender melhor a si mesma”.

O manual de 31 páginas oferece apoio prático às pessoas ou equipes diocesanas de contato, designadas pelos bispos para preparar e reunir o povo de Deus “para que possa dar voz à sua experiência na Igreja local”.

“Ao criar a oportunidade de escuta e diálogo em nível local por meio deste Sínodo, o Papa Francisco está chamando a Igreja a redescobrir sua natureza profundamente sinodal. Esta redescoberta das raízes sinodais da Igreja envolverá um processo de aprender juntos, humildemente, como Deus nos chama a ser como Igreja no terceiro milênio”, consta no vademécum.

Significado

O texto fundamenta o significado do termo “sinodalidade”, a partir da proposta feita pelo Papa Francisco a toda a Igreja. “‘Sínodo’ é uma palavra antiga e venerável na Tradição da Igreja, cujo significado se inspira nos temas mais profundos da Revelação […] Indica o caminho que o povo de Deus percorre. Da mesma forma, refere-se ao Senhor Jesus, que se apresenta como ‘o caminho, a verdade e a vida’ (Jo 14,6), e ao fato de que os cristãos, seus seguidores, foram originalmente chamados de ‘seguidores do Caminho’”, recorda.

O manual explica que sinodalidade denota o estilo particular que qualifica a vida e a missão da Igreja, “exprimindo a sua natureza de povo de Deus que caminha junto e se reúne em assembleia, convocado pelo Senhor Jesus na força do Espírito Santo para anunciar o Evangelho”.

Objetivos

Ao explicar os objetivos do processo sinodal, o texto enfatiza que a sinodalidade não é tanto “um acontecimento ou um slogan”, mas um estilo e um modo de ser pelo qual a Igreja vive a sua missão no mundo.

“O atual processo sinodal que estamos empreendendo é guiado por uma questão fundamental: como se realiza hoje este ‘caminhar juntos’ nos diversos níveis (do local ao universal), permitindo à Igreja anunciar o Evangelho? E quais são os passos que o Espírito nos convida a tomar para crescer como Igreja sinodal?”, acrescenta o documento.

Escuta

A primeira fase do Sínodo, portanto, será a de escuta nas Igrejas locais. Para auxiliar esse processo, foi solicitado a cada bispo diocesano, em maio, que nomeasse uma pessoa de contato ou equipe para liderar essa etapa localmente.

Essa pessoa ou equipe é também o elo entre a diocese e as paróquias, bem como entre a diocese e a conferência episcopal, responsável por reunir as contribuições de cada diocese e enviá-las à Secretaria Geral do Sínodo até abril de 2022.

“O objetivo da primeira fase do caminho sinodal é fomentar um amplo processo de consulta, a fim de recolher a riqueza das experiências da sinodalidade vivida, em suas diferentes articulações e facetas, envolvendo os pastores e os fiéis das Igrejas [locais] em todos os diferentes níveis, pelos meios mais adequados, de acordo com as realidades locais específicas.”

O manual ressalta que essa etapa do processo sinodal deve envolver:

Discernimento por meio da escuta, para criar espaço para a orientação do Espírito Santo.
Acessibilidade, a fim de garantir que o maior número possível de pessoas possa participar, independentemente de localização, idioma, educação, condição socioeconômica, capacidade / deficiência e recursos materiais. Conscientização cultural para celebrar e abraçar a diversidade no âmbito das comunidades locais.

Inclusão, envidando todos os esforços para envolver aqueles que se sentem excluídos ou marginalizados. Parceria baseada no modelo de Igreja corresponsável.

Respeito pelos direitos, dignidade e opinião de cada participante. Sínteses precisas que realmente capturam a gama de perspectivas críticas e apreciativas de todas as respostas, incluindo opiniões expressas apenas por uma minoria de participantes. Transparência, garantindo que os processos de convite, envolvimento, inclusão e agregação de contribuições sejam claros e bem comunicados. Equidade, garantindo que a participação na escuta trata cada pessoa de forma igual, para que todas as vozes sejam devidamente ouvidas.

Processo espiritual

O vademécum sublinha que esse caminho sinodal é, antes de tudo, “um processo espiritual”.

“Não é um exercício mecânico de coleta de dados ou uma série de reuniões e debates. A escuta sinodal é orientada para o discernimento. Requer que aprendamos e exercitemos a arte do discernimento pessoal e comunitário”, afirma, acrescentando que, “se a escuta é o método do processo sinodal e o discernimento é o objetivo, a participação é o caminho”.

Os frutos da fase diocesana e de outras instâncias eclesiais locais servirão de base para a elaboração de um primeiro Instrumento de Trabalho que será discutido nas reuniões continentais. Com base nos documentos produzidos em âmbito continental, será elaborada uma segunda edição do Instrumento de Trabalho para uso na Assembleia do Sínodo dos Bispos em outubro de 2023, com a participação de delegados de todo o mundo e do Papa Francisco.

Atitudes e cuidados

O manual também enumera algumas atitudes fundamentais para o desenvolvimento do processo de escuta:

-Tempo para compartilhar;

-Humildade para ouvir e coragem para falar;

-Diálogo que leva à novidade;

-Abertura para conversão e mudança;

-Deixar para trás preconceitos e estereótipos;

-Superar o clericalismo;

-Prevenir-se do “vírus da autossuficiência”;

-Superar ideologias;

-Criar esperanças.

O texto alerta, ainda, para o perigo de algumas “tentações” que podem surgir ao longo dos trabalhos sinodais, como:

-Ver apenas os problemas;

-Focar estruturas apenas;

-Não olhar para além dos limites visíveis da Igreja;

-Perder o foco dos objetivos; Conflitos e divisões;

-Tratar o Sínodo como uma espécie de parlamento;

-Ouvir apenas aqueles que já estão envolvidos nas atividades da Igreja.

O vademécum está disponível aqui.

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