No Ano da Família, é tempo de conhecer melhor a Amoris laetitia

Na sexta-feira, 19, na Solenidade de São José, será iniciado o Ano “Família Amoris laetitia”, instituído pelo Papa Francisco, para que clérigos, religiosos e leigos reflitam sobre o papel indispensável da família na sociedade e aprofundem conhecimentos acerca do que é apresentado pelo Pontífice na exortação apostólica pós-sinodal Amoris laetitia (A alegria do amor), publicada nessa data, em 2016.

“Este ano especial será uma oportunidade para aprofundar os conteúdos do documento, por meio das propostas e instrumentos pastorais que estarão à disposição das comunidades eclesiásticas e das famílias”, disse o Papa, em 27 de dezembro de 2020, ao anunciar o Ano da Família, que será concluído em 26 de junho de 2022, com a realização do X Encontro Mundial das Famílias, em Roma.

FRUTO DE UM CAMINHO SINODAL

A exortação apostólica foi publicada após a realização das assembleias do Sínodo dos Bispos sobre a família, nos anos de 2014 e 2015.

No texto do documento, Francisco considerou as muitas reflexões feitas ao longo daquele caminho sinodal, referenciou-se no Magistério da Igreja e nos ensinamentos de seus predecessores, bem como nos relatos feitos por conferências episcopais em todo o mundo.

“Considerei oportuno redigir uma exortação apostólica pós-sinodal que recolha contribuições dos dois sínodos recentes sobre a família, acrescentando outras considerações que possam orientar a reflexão, o diálogo ou a práxis pastoral, e, simultaneamente, ofereçam coragem, estímulo e ajuda às famílias na sua doação e nas suas dificuldades”, escreve o Papa na introdução do documento, no qual também apresenta orientações para uma renovada ação pastoral com as famílias.

OLHAR MISERICORDIOSO E FIDELIDADE À DOUTRINA

Durante as duas assembleias do Sínodo dos Bispos, muito se especulou na opinião pública sobre possíveis mudanças na Doutrina e na moral da Igreja a respeito do Matrimônio. Na exortação apostólica, porém, o Papa reafirma as verdades da fé sobre o casamento cristão e a família, e aponta que “sem diminuir o valor do ideal evangélico, é preciso acompanhar com misericórdia e paciência as possíveis etapas de crescimento das pessoas, que vão se construindo no dia a dia” (AL, 308).

Ao longo do documento, Francisco menciona os impactos das mudanças socioculturais na família no que se refere à transmissão da vida, à preparação para o Matrimônio, às crises conjugais e à educação sexual das novas gerações. Fala, também, sobre o acolhimento e acompanhamento pastoral daqueles que vivem situações de grande sofrimento ou incompatíveis com o modelo de família querido por Deus.

“Convido os pastores a escutar, com carinho e serenidade, com o desejo sincero de entrar no coração do drama das pessoas e compreender o seu ponto de vista, para ajudá-las a viver melhor e reconhecer o seu lugar na Igreja” (AL, 312).

Composta por 325 parágrafos, a exortação apostólica tem nove capítulos. Apresentamos a seguir algumas chaves de leitura sobre o documento, que pode ser acessado na íntegra neste link: https://cutt.ly/szYgWM1.

ACESSE O SITE ESPECIAL SOBRE O ANO ‘FAMÍLIA AMORIS LAETITIA

CHAVES DE LEITURA DOS CAPÍTULOS
 
1) À luz da Palavra: meditação sobre o salmo 128, sobre a liturgia nupcial, e menções a outros trechos das Sagradas Escrituras que falam sobre as famílias e as histórias de amor.
 
2) A realidade e os desafios das famílias: olhar sobre dilemas que incidem sobre as famílias, como o risco da ideologia de gênero, a mentalidade antinatalidade, a desconstrução jurídica desta instituição e a falta de condições dignas de subsistência.
 
3) O olhar fixo em Jesus – a vocação da família: apresentação de elementos essenciais sobre o Matrimônio e a família à luz do Evangelho e da Doutrina da Igreja; e a necessidade de cuidado pastoral para as “famílias feridas”.
 
4) O amor no Matrimônio: detalhada exegese sobre a vivência cotidiana do amor humano, trazendo até menções às emoções dos cônjuges.
 
5) O amor que se torna fecundo: atenção aos aspectos da fecundidade, especialmente sobre como acolher na família uma nova vida; e a convivência entre as gerações.
 
6) Algumas perspectivas pastorais: orientações para a edificação de famílias sólidas e fecundas, bem como para a formação dos sacerdotes, a fim de que lidem melhor com os problemas atuais das famílias, a orientação dos noivos, o acompanhamento dos esposos nos primeiros anos de vida matrimonial e a atenção às pessoas abandonadas, separadas, divorciadas e viúvas.
 
7) Reforçar a educação dos filhos: aspectos da formação ética e moral dos filhos, a importância da gradualidade educativa e o papel dos pais na transmissão da fé.
 
8) Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade: o uso dos três verbos no título deste capítulo reforça o olhar misericordioso da Igreja com a família. Fala-se, de modo especial, sobre o necessário discernimento pastoral, por parte dos fiéis e dos pastores, quanto às situações que não correspondem à Doutrina da Igreja sobre o sacramento do Matrimônio.
 
9) Espiritualidade conjugal e familiar: destaca-se que a convivência familiar deve permitir o crescimento da vida do Espírito. “É uma experiência espiritual profunda contemplar cada ente querido com os olhos de Deus e reconhecer Cristo nele”, escreve o Papa. A exortação apostólica é concluída com a Oração à Sagrada Família.

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