No Angelus do 1º Domingo da Quaresma, Leão XIV convidou os fiéis a redescobrir o valor do silêncio e da escuta interior

Diante de peregrinos e fiéis reunidos na Praça São Pedro para a oração mariana do Angelus, no 1º Domingo da Quaresma, dia 22, o Papa Leão XIV deteve-se no Evangelho proposto pela liturgia (cf. Mt 4,1-11), que apresenta Jesus conduzido pelo Espírito ao deserto, onde é tentado pelo diabo após 40 dias de jejum.
O Papa recordou que Cristo experimenta o cansaço e as provações próprias da condição humana: a fome no plano físico e as tentações no plano espiritual. Resistindo ao demônio, porém, mostra a todos como vencer os enganos e as insídias do mal. A Quaresma, explicou, é um “itinerário luminoso” no qual, por meio da oração, do jejum e da esmola, os fiéis são chamados a renovar a própria cooperação com Deus na realização da “obra-prima única” que é a própria vida.
Leão XIV advertiu para o risco de se deixar seduzir por formas fáceis e imediatas de gratificação, como a riqueza, a fama e o poder, que também estiveram presentes nas tentações enfrentadas por Jesus. Essas propostas, sublinhou, são apenas substitutos pobres da alegria para a qual o ser humano foi criado e acabam por deixar o coração inquieto, vazio e insatisfeito.
Recordando o ensinamento de São Paulo VI, o Pontífice destacou que a penitência não empobrece a pessoa, mas a enriquece, purificando-a e fortalecendo-a no caminho que tem como finalidade o amor e o abandono confiante em Deus. Assim, a penitência torna o cristão mais consciente das próprias limitações, ao mesmo tempo que lhe dá a força para superá-las com a ajuda divina.
REDESCOBRIR O SILÊNCIO EM UM MUNDO BARULHENTO
O Papa também insistiu na necessidade de criar momentos contínuos de escuta a Deus: “Demos espaço ao silêncio: silenciemos um pouco as televisões, os rádios, os smartphones. Meditemos a Palavra de Deus, aproximemo-nos dos Sacramentos; escutemos a voz do Espírito Santo, que nos fala ao coração.”
Segundo Leão XIV, este exercício de escuta não se limita à relação pessoal com Deus, mas se estende também aos vínculos humanos: é preciso aprender a ouvir os outros nas famílias, nos ambientes de trabalho e nas comunidades. O Papa exortou ainda a dedicar tempo a quem vive na solidão, especialmente aos idosos, aos pobres e aos doentes, renunciando ao supérfluo para partilhar com quem carece do necessário.
AFASTAR-SE DO MAL E PRATICAR O BEM
Por fim, citando Santo Agostinho, o Santo Padre recordou que uma oração acompanhada de humildade, caridade, jejum e esmola “alcança o Céu e nos dá paz”, quando se traduz em atitudes concretas de perdão, de afastamento do mal e de prática do bem.
Ao concluir, o Papa confiou o caminho quaresmal de toda a Igreja à Virgem Maria, “Mãe que sempre assiste os seus filhos nas provações”.
Fonte: Vatican News




