O’Malley: a carta de Bento XVI, um incentivo para fazer melhor contra os abusos

Foto: Flickr Achdiocese Boston

“Danos e falhas no âmbito eclesiástico, admitidos com dor e vergonha pelo Papa emérito, são um desafio para a Igreja de hoje. Uma advertência para um maior compromisso com a proteção e a prevenção”. Este é o cerne da declaração do presidente da Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, na sequência da carta de Ratzinger aos fiéis em Munique

“A consciência nos fala se estivermos dispostos a escutar.” Assim começa a declaração do arcebispo de Boston, nos EUA, e presidente da Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, cardeal Seán Patrick O’Malley, a respeito da Carta do Papa emérito Bento XVI publicada esta terça-feira, 8 de fevereiro, sobre o relatório acerca dos abusos na Arquidiocese de Munique e Freising, sul da Alemanha, que inclui também os anos de seu mandato. Um texto que contém uma “confissão” pessoal e dolorosa e um pedido de perdão pelos erros e falhas que ocorreram naquele contexto.

Um peso nas consciências

“O Papa emérito – escreve o presidente da Comissão que trabalha desde 2015 para responder à chaga dos abusos e para proteger suas vítimas – nos concedeu uma descrição íntima do drama de sua consciência moldada por uma vida de serviço a Deus e a seu povo”. O mal sofrido pelas vítimas de abusos sexuais de menores por padres e religiosos e sua gestão de tais abusos pesa justamente e necessariamente na consciência.”

Um incentivo para fazer mais e melhor

Olhando os efeitos sobre as vítimas de abusos e a Igreja hoje, o cardeal arcebispo de Boston observa que o “testemunho sóbrio” de Bento XVI reflete uma consciência de que houve momentos de profunda escuridão que marcaram os sobreviventes, mas acima de tudo indica que o reconhecimento dos “danos irreparáveis” causados pela Igreja e as falhas em evitar tais danos representam um “desafio” para aqueles que ocupam posições de responsabilidade hoje.

O convite premente é para fazer melhor. O “testemunho” e a profunda “honestidade” das admissões do Papa emérito, conclui o cardeal, deveriam ser um incentivo para todos defenderem aqueles que sobreviveram e proteger aqueles que hoje confiam nos cuidados da Igreja.

Fonte: Vatican News

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