Antes da oração mariana do Regina Caeli, no 2º Domingo da Páscoa, Leão XIV lembrou que a Igreja convida a fazer como os primeiros discípulos, reunindo-se para a Eucaristia dominical

Na véspera de viagem apostólica à África e após a Vigília de Oração pela Paz na Basílica Vaticana, o Papa Leão XIV recordou aos 18 mil fiéis presentes na Praça São Pedro para a oração mariana do Regina Caeli do domingo, 12 de abril, o segundo da Páscoa, dedicado à Divina Misericórdia, que “a fé precisa ser alimentada e sustentada”.
A reflexão veio a partir do Evangelho, quando João narra a aparição de Jesus ressuscitado ao apóstolo Tomé, oito dias após a Páscoa, enquanto a comunidade está reunida. O encontro de Tomé com Cristo, que “o convida a olhar para os sinais dos pregos, a colocar a mão na ferida”, também é nosso quando temos dificuldades em acreditar: “onde encontrá-lo? Como reconhecê-lo? Como acreditar?”. A resposta é: diante de todos, “com a comunidade reunida, e reconhece-o pelos sinais do seu sacrifício”.
“É claro que nem sempre é fácil acreditar. Não foi fácil para Tomé e, também, não o é para nós. A fé precisa ser alimentada e sustentada. Por isso, no ‘oitavo dia’, isto é, todos os domingos, a Igreja convida-nos a fazer como os primeiros discípulos: a nos reunirmos e a celebrarmos juntos a Eucaristia. Nela, ouvimos as palavras de Jesus, rezamos, professamos a nossa fé, partilhamos os dons de Deus na caridade, oferecemos a nossa vida em união com o Sacrifício de Cristo, alimentamo-nos do seu Corpo e do seu Sangue, para depois sermos, por nossa vez, testemunhas da sua Ressurreição, como indica o termo ‘Missa’, isto é, ‘envio’, ‘missão’.”
Na segunda-feira, 13, o Papa parte para a viagem apostólica à África, onde alguns mártires da Igreja local dos primeiros séculos “nos deixaram um belíssimo testemunho”: diante da oferta de terem a vida poupada, contou o Pontífice, “desde que renunciassem à celebração da Eucaristia, responderam que não podiam viver sem celebrar o Dia do Senhor. É ali que a nossa fé se alimenta e cresce”.

“É por meio da Eucaristia que também as nossas mãos se tornam ‘mãos do Ressuscitado’ – testemunhas da sua presença, da sua misericórdia, da sua paz – nos sinais do trabalho, dos sacrifícios, da doença, do passar dos anos, que frequentemente nelas ficam gravados, tal como na ternura de uma carícia, de um aperto de mão, de um gesto de caridade”, prosseguiu.
“Queridos irmãos e irmãs, em um mundo que tanto necessita de paz, isto compromete-nos, mais do que nunca, a ser assíduos e fiéis ao nosso encontro eucarístico com o Ressuscitado, para daí partirmos como testemunhas da caridade e portadores da reconciliação. Que nos ajude a fazê-lo a Virgem Maria, bem-aventurada porque foi a primeira que acreditou sem ver”, concluiu o Papa.
PROTEGER OS CIVIS EM MEIO ÀS GUERRAS
“O princípio de humanidade, inscrito na consciência de cada pessoa e reconhecido nas leis internacionais, comporta a obrigação moral de proteger a população civil dos efeitos atrozes da guerra”, afirmou o Papa Leão XIV, ao se dirigir aos fiéis reunidos na Praça São Pedro após a oração do Regina Caeli.
O Pontífice dirige seu desejo de paz “em comunhão de fé no Senhor Ressuscitado” às Igrejas Orientais que no domingo, 12, celebram a Páscoa segundo o calendário juliano. Uma oração que se torna mais intensa por aqueles que sofrem devido aos conflitos, especialmente “pelo querido povo ucraniano”:
“Que a luz de Cristo leve consolo aos corações aflitos e fortaleça a esperança de paz. Que não diminua a atenção da comunidade internacional para o drama desta guerra!”, desejou.

Da Europa ao Oriente Médio, Leão XIV reflete sobre os “dias de dor, de medo”, mas também “de esperança invencível em Deus” vividos pelo “amado” povo libanês.
“Apelo às partes em conflito para que cessem o fogo e busquem com urgência uma solução pacífica.”
Continuando seu olhar ao redor do mundo, o Papa então se dirige à África, lembrando que na quarta-feira, 15, completam-se três anos desde o início do “sangrento” conflito no Sudão: “Quanto sofre o povo sudanês, vítima inocente deste drama desumano!”
O bispo de Roma renova o apelo às partes beligerantes para que deponham as armas e iniciem, “sem pré-condições, um diálogo sincero com o objetivo de pôr fim, o quanto antes, a esta guerra fratricida”.
Depois de saudar os grupos de peregrinos presentes na Praça São Pedro, “em especial aos fiéis que celebraram o Domingo da Divina Misericórdia no Santuário de Santo Espírito em Sássia”, localizado em Roma, o Papa pediu que o acompanhem em oração pela viagem apostólica que terá início na segunda-feira, 13 de abril, e que passará por quatro países africanos: Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
Fonte: Vatican News




