Por ocasião do Dia Mundial contra a Pena de Morte, o Papa Leão XIV reafirma a posição da Igreja contra a pena capital e recorda que o bem comum e as exigências da justiça podem ser salvaguardados sem recorrer à execução dos condenados.

O Papa Leão XIV voltou a se manifestar contra a pena de morte neste sábado, 10 de outubro, Dia Mundial contra a Pena de Morte. Em uma publicação em sua conta oficial na rede social X, o Pontífice reafirmou a defesa da dignidade de toda pessoa e recordou que a justiça pode ser garantida sem recorrer à pena capital. Os atuais sistemas de detenção, destacou o Papa, permitem proteger os cidadãos sem retirar completamente dos culpados a possibilidade de redenção.
“A pena de morte é inadmissível porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa. O bem comum pode ser protegido e as exigências da justiça podem ser salvaguardadas sem recorrer à pena capital: foram desenvolvidos sistemas eficazes de detenção, que protegem os cidadãos e, ao mesmo tempo, não retiram completamente dos culpados a possibilidade de se redimir. #NoDeathPenalty”
A execução anunciada nos Estados Unidos
A manifestação do Papa ocorre após o anúncio do Pentágono de que a execução de Nidal Hassan, condenado pelo massacre de Fort Hood, em 2009, deverá ser realizada por fuzilamento em 3 de dezembro e transmitida ao vivo. O caso também provocou reações do cardeal Pietro Parolin e dos bispos dos Estados Unidos, que voltaram a se manifestar contra a pena de morte e contra a transformação de uma execução em espetáculo.
A dignidade permanece mesmo após crimes graves
Leão XIV já havia se pronunciado em outras ocasiões contra a pena capital. Em abril, em uma mensagem à DePaul University, de Chicago, recordou que a Igreja defende a vida humana desde a concepção até a morte natural e afirmou que “a dignidade da pessoa não se perde nem mesmo depois que foram cometidos crimes gravíssimos”. No mesmo mês, durante a viagem de retorno da África, o Papa reiterou que a vida de todas as pessoas deve ser respeitada e protegida e condenou decisões que retiram injustamente a vida de outros.
Em maio, ao receber participantes de uma conferência sobre o combate ao crime organizado, Leão XIV destacou que “a verdadeira justiça não pode contentar-se apenas com a punição”, mas deve favorecer também a reeducação e a plena reinserção dos infratores na sociedade. O respeito pela dignidade de cada pessoa, acrescentou, exclui o recurso à pena de morte, à tortura e a qualquer forma de punição cruel ou degradante. Já em janeiro, diante do Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé, o Pontífice havia pedido que se trabalhasse pela abolição da pena de morte, definida como uma medida que “aniquila toda esperança de perdão e de renovação”.
Fonte: Vatican News




