
Nas nossas comunidades, devemos começar a nos perguntar “quem” e “como” encontrar na ação pastoral, e não só em “o que fazer”. Em assembleia diocesana organizada na sexta-feira, 18, em Roma, falando para membros da Diocese da qual é o Bispo, o Papa Leão XIV refletiu sobre questões para a vida da Igreja e o sentido de suas comunidades no contexto atual.
Embora o discurso tenha sido para a Diocese de Roma, ele evidencia a visão pastoral de Leão XIV. É preciso “encontrar Cristo e fazer com que seja encontrado”, exortou o Bispo de Roma, Sucessor do apóstolo Pedro.
“A Igreja não existe para si mesma, mas para conduzir cada pessoa ao encontro com o Senhor; então, não basta perguntar-se se uma atividade foi bem organizada, se é participada, se existe há muitos anos; é preciso interrogar-se se ela leva realmente a Cristo, se faz com que o Evangelho encontre a vida concreta das pessoas”, disse.
GERAR COMUNIDADES

Destaque deve ser dado, na visão do Papa, a produzir comunidades que deem espaço a “relações verdadeiras, nas quais as pessoas se sintam parte de um povo”. Ele pede que cada pessoa se perceba “acolhida, acompanhada, valorizada, corresponsável”, e que os jovens possam receber “tempo e escuta” na Igreja.
Falando sobre o momento em que, conforme o relato bíblico (cf. Jo 20,16), Maria Madalena se sente chamada pelo nome pelo Cristo ressuscitado, o Pontífice lembrou que cada pessoa também é reconhecida por Deus como ser único, filho e filha.
“Quem encontra Cristo de verdade, como Maria Madalena, sente preencher o coração e, então, não pode ficar parado: corre e vai anunciar ‘eu vi o Senhor!’”, disse o Papa. Não se trata de uma simples experiência ou um “fato privado”, mas de um encontro que produz uma “alegria profunda que gera comunidade”, ou seja, precisa ser partilhada.
FORMAÇÃO E PROFUNDIDADE

Mais do que um programa pastoral, o Papa Leão XIV disse aos fiéis de Roma que é preciso fazer uma autorreflexão, ou uma ampla “checagem” pastoral.
“Checar, sob a luz do Espírito Santo, significa parar, reler o que aconteceu, reconhecer o que deu frutos, compreender o que não funcionou e buscar juntos as razões”, afirmou. “Convido vocês a empreenderem essa checa gem envolvendo toda a comunidade e, sempre que possível, ouvindo também aqueles que não fazem parte dela e que veem as coisas, por assim dizer, ‘de fora’”, comentou.
A formação para que as pessoas possam ter uma fé madura e profunda é essencial no processo de renovação da vida eclesial, observou o Santo Padre.
“As nossas atividades fazem crescer na fé? Formam discípulos missionários? Ajudam a amadurecer responsabilidades eclesiais? Geram uma fé adulta, capaz de se traduzir em escolhas concretas de vida e de serviço?”, questionou.
São questões que vão além do dia a dia, das atividades do momento. Além de almejar os resultados, completou o Papa, é preciso ter claro qual “intenção evangélica nos move”, ou seja, qual valor do Evangelho nos anima e qual dimensão da missão da Igreja se promove. “Por que algumas iniciativas geram percursos e outras permanecem isoladas? Por que algumas pessoas participam e outras permanecem à margem?”, perguntou.
“Do encontro entre as razões das nossas escolhas e os motivos dos seus efeitos nasce um discernimento autêntico, que permite reconhecer o que deve ser mantido, valorizado, corrigido, abandonado ou iniciado.” Trata-se de um caminho a ser realizado juntos, e não de forma isolada.




