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Papa recomenda a padres que sejam ‘um canal e não um filtro’ para o encontro com Jesus

No 4º Domingo da Páscoa, o Domingo do Bom Pastor, Pontífice ordenou três sacerdotes no Vaticano

Papa recomenda a padres que sejam ‘um canal e não um filtro’ para o encontro com Jesus - Jornal O São Paulo
Fotos: Vatican Media

O Papa Leão XIV presidiu à Santa Missa na Basílica de São Pedro com ordenações sacerdotais no 4º Domingo de Páscoa, conhecido como “Domingo do Bom Pastor”, e 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

“Este é um domingo cheio de vida!”, exclamou o Papa no início da homilia. Ainda que a morte nos rodeie, a promessa de Jesus já se cumpre: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

COMUNHÃO COM CRISTO

A reflexão do Pontífice foi direcionada sobretudo aos recém-ordenados, como um norte com o qual se orientar para a missão que os aguarda. Leão XIV revelou inclusive três “segredos” da vida do sacerdote.

O primeiro é a comunhão: “Caríssimos ordenandos, quanto mais profundo for o vínculo com Cristo, tanto mais radical será a sua pertença à humanidade comum. Não há oposição, nem competição, entre o céu e a terra: em Jesus, eles unem-se para sempre. Este mistério vivo e dinâmico compromete o coração num amor indissolúvel: compromete-o e enche-o”.

Tal como o amor dos cônjuges, prosseguiu o Santo Padre, também o amor que inspira o celibato pelo Reino de Deus deve ser cuidado e sempre renovado, pois todo o verdadeiro afeto amadurece e torna-se fecundo com o tempo. Os sacerdotes então são chamados a um específico, delicado e difícil modo de amar e, mais ainda, de se deixar amar, na liberdade. Um modo que poderá fazer de vocês, acrescentou o Papa, além de bons sacerdotes, também cidadãos honestos, disponíveis, construtores de paz e de amizade social.

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OLHAR A REALIDADE SEM MEDO

O segundo ‘segredo’ para a vida sacerdotal, segundo o Papa, é que o sacerdote deve olhar a realidade sem medo, pois quem chama é o Senhor da vida: “Caríssimos, que o ministério que lhes é confiado possa transmitir a paz daquele que, mesmo entre os perigos, sabe por que razão está seguro. Hoje, a necessidade de segurança torna os ânimos agressivos, leva as comunidades a fecharem-se sobre si mesmas e induz à procura de inimigos e bodes expiatórios. O medo anda frequentemente à nossa volta e, talvez, esteja dentro de nós”.

Jesus conheceu a crueldade do mundo, mas isso não o impediu de doar a sua vida. A denúncia não deve se tornar renúncia, afirmou, e o perigo não deve levar à fuga. A segurança do sacerdote, explicou, não reside no cargo que ocupa, mas na Vida, Morte e Ressurreição de Jesus, na história da salvação da qual participam com o povo que lhe é confiado. É uma salvação que já atua em tanto bem realizado silenciosamente, entre pessoas de boa vontade, nas paróquias e ambientes frequentados.

‘MANTER A PORTA ABERTA’

Além se de descrever como “pastor”, Jesus a certo ponto muda metáfora e diz: “Eu sou a porta das ovelhas” (Jo 10,7). Era uma referência a Jerusalém, onde havia uma porta perto da piscina de Betzatá, por onde entravam no templo ovelhas e cordeiros, previamente imersos na água para depois serem destinados aos sacrifícios – uma imagem que remete ao Batismo. Assim, a porta convida a atravessar o limiar da Igreja. Em alguns casos, a pia batismal era construída no exterior, como a antiga piscina de Betzatá, sob cujos pórticos “jaziam numerosos doentes, cegos, coxos e paralíticos” (Jo 5, 3).

 E então Leão XIV se dirigiu aos novos sacerdotes: “Queridos ordenandos, sintam-se parte desta humanidade que sofre e que espera a vida em abundância. Ao iniciar outros na fé, reavivarão a própria fé. Com os outros batizados, atravessarão todos os dias o limiar do Mistério, aquele limiar que tem o rosto e o nome de Jesus. Nunca escondam esta porta santa, não a obstruam, não sejam um impedimento para quem deseja entrar”.

“Mantenham a porta aberta!”, exortou o Pontífice, revelando o terceiro segredo: os sacerdotes são um canal, não um filtro. É preciso deixar entrar e estar sempre pronto a sair, orientou o Papa, sobretudo hoje, quando os números parecem indicar um distanciamento entre as pessoas e a Igreja. Os sacerdotes devem ser reflexo da paciência e da ternura de Cristo. “Vocês são de todos e para todos! Que este seja o traço fundamental da sua missão: manter livre essa soleira e indicá-la, sem necessidade de muitas palavras”.

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O Papa insistiu: “Todos procuramos abrigo, descanso e cuidado: a porta da Igreja está aberta. Não para nos afastarmos da vida: ela não se esgota na paróquia, na associação, no movimento, no grupo. Quem é salvo ‘sai e encontra pastagem’”.

Leão XIV concluiu com palavras de encorajamento: “Caríssimos, vão e descubram a cultura, as pessoas, a vida! Maravilhem-se com o que Deus faz crescer sem que nós o tenhamos semeado”.  Algumas vezes, alertou, terão a sensação de não conhecer os mapas. Mas o Bom Pastor os possui, e é a sua voz, tão familiar, que devem ouvir. Quantas pessoas hoje se sentem perdidas, sem orientação. Então, não há testemunho mais precioso do que aquele que confia em Jesus.

Fonte: Vatican News

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