São Gregório de Narek: Abade, poeta e Doutor da Igreja

O Santo é venerado pela Igreja Católica Armênia e reconhecido também pela Igreja Católica Romana

Reprodução

São Gregório de Narek, abade e Doutor da Igreja, foi inscrito no Calendário Romano por meio de um decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, promulgado pelo Papa Francisco no início do mês. Gregório é venerado como Santo pela Igreja Católica Armênia e reconhecido também pela Igreja Católica Romana. Sua memória litúrgica será celebrada no dia 27 de fevereiro.

“A santidade está unida ao conhecimento, que é experiência do mistério de Jesus Cristo, indissoluvelmente unido ao mistério da Igreja. Esta união entre santidade e inteligência das coisas divinas em conjunto com as humanas resplandece, de modo particular, naqueles que são ornados com o  título  de  ‘doutores  da  Igreja’”, afirma o decreto assinado pelo Cardeal Robert Sarah, ate então, prefeito e por Dom Arturo Roche, Secretário da Congregação.

O  documento  reforça, ainda, que esta memória constará em todos os calendários e livros litúrgicos para a celebração da missa e da Liturgia das Horas, cabendo às conferências episcopais, com a aprovação vaticana, traduzir as variações e acréscimos nos devidos textos litúrgicos.

Espírito Ecumênico

Em 12 de abril de 2015, em missa presidida pelo Papa Francisco na Basílica de São Pedro, no Vaticano, em memória do 1,5 milhão de mártires armênios, São Gregório de Narek foi elevado à categoria de Doutor da Igreja universal.

A celebração foi um ponto culminante do espírito ecumênico entre às duas igrejas, pois pela primeira vez se reuniram todos os líderes da Igreja Armênia com o Romano Pontífice.

“São Gregório de Narek, monge do século X, mais do que qualquer outro, soube manifestar a sensibilidade do vosso povo, dando voz ao clamor, que se torna oração de uma  humanidade dolente e pecadora, oprimida pela angústia da própria impotência, mas iluminada pelo esplendor do amor de Deus e aberta à esperança da sua intervenção salvífica, capaz de transformar qualquer situação”, afirmou Francisco, em mensagem aos armênios naquela ocasião.

Um Santo em vida

Gregório nasceu no ano de 951, em Andzevatsik, Vaspuracã, na antiga Armênia. Perdeu a mãe ainda criança e, quando seu pai, Khosrov, foi eleito Arcebispo de Andzevatsik, sua educação foi confiada a Ananias de Narekavank, para que ele pudesse se dedicar mais às suas funções eclesiais.

Ananias, também chamado “o filósofo”, era abade do mosteiro de Narek e fundador da escola local e do mosteiro do povo, que estava situado às margens do lago Van, em Vaspuracã (atual Turquia), e era conhecido pelas vocações e a vida espiritual.

São Gregório viveu em plena época da separação entre a Igreja Apostólica Armênia e a Igreja em Roma, uma época anterior às invasões dos turcos e dos mongóis, anos nos quais a Igreja Armênia experimentou um autêntico renascimento cultural, ao qual contribuiu fortemente o próprio Santo.

Gregório permaneceu no mosteiro por toda a vida: foi ordenado sacerdote aos 25 anos e eleito abade após a morte de Ananias. Não faltaram demonstrações de sabedoria em seus vários escritos teológicos, que o tornaram um importante poeta da literatura armênia.

Tinha fama de santidade e alguns milagres foram atribuídos por sua intercessão. Morreu no ano de 1005, no Mosteiro de Narek, onde ainda hoje está sepultado. O seu túmulo foi durante muito tempo local de peregrinações.

Diversas Obras

São João Paulo II fez referência a Gregório de Narek em diversos discursos, assim como em sua encíclica Redemptoris Mater e em sua carta apostólica sobre o 1.700º aniversário do batismo do povo armênio.

Gregório é mencionado também no artigo 2678 do Catecismo da Igreja Católica: “A piedade medieval do Ocidente propagou a oração do Rosário como alternativa popular da Liturgia das Horas. No Oriente, a forma litânica da oração ‘Acatisto’ e da ‘Paráclise’ ficou mais próxima do ofício coral nas Igrejas bizantinas, ao passo que as tradições armênia, copta e siríaca preferiram os hinos e os cânticos populares à Mãe de Deus. Mas, na Ave-Maria, nos theotokía, nos hinos de Santo Efrém ou de São Gregório de Narek, a  tradição da oração é fundamentalmente a mesma”

São Gregório de Narek é o autor de uma interpretação mística do  “Cântico  dos  Cânticos”  e  de diversas outras obras poéticas. Seu “Livro de Orações”, também conhecido como “Livro  de  Lamentações”  –  um longo poema místico dividido em 95 seções e escrito provavelmente em 977 – , foi traduzido para diversas línguas e permanece, ainda hoje, como uma das mais importantes obras da literatura armênia.

(Com informações de Vatican News, ACI Digital e Portal A12)

*Notícia produzida sob a supervisão de Daniel Gomes

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