São João de Ávila: missionário e profundo conhecedor das Sagradas Escrituras

“Homem de  Deus,  unia  a oração  constante à atividade apostólica”, disse o Papa Bento XVI, sobre um dos mais influentes santos da Espanha do século XVI

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São João de Ávila, um dos mais influentes santos da Espanha do século XVI, foi inscrito no Calendário Romano por meio de um decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, promulgado pelo Papa Francisco no início do mês e assinado pelo Cardeal Robert Sarah, até então Prefeito da Congregação, e por Dom Arturo Roche, Secretário. A memória litúrgica do Santo será celebrada em 10 de maio.

“Com efeito, a sabedoria que caracteriza estes homens e mulheres não lhes diz unicamente respeito, uma vez que se tornando discípulos da divina Sabedoria, tornaram-se, por sua vez, mestres de sabedoria para toda a comunidade eclesial. Nesta perspectiva, os santos e as santas ‘doutores’ são inscritos no Calendário Romano Geral”, consta no decreto pelo qual também foram inscritos nesse calendário São Gregório de Narek, Santa Hildegarda de Bingen e os irmãos Marta, Maria e Lázaro.

Sacerdote e Pregador

João de Ávila nasceu em 6 de janeiro de 1499, em Almodóvar del Campo, filho único de Alonso Ávila e de Catalina Gijón, pais cristãos e com uma elevada posição econômica e social. Com 14 anos, foi estudar Direito na Universidade de Salamanca, mas abandonou os estudos devido a uma experiência profunda de conversão.

Com o propósito de se tornar sacerdote, em 1520, foi estudar na Universidade de Alcalá de Henares. Em 1526, recebeu a ordenação presbiteral e celebrou a primeira missa na paróquia do seu povoado e, com o objetivo de partir como missionário para as Índias, decidiu distribuir a sua herança entre os mais necessitados.

Depois, foi para Sevilha para esperar o momento de embarcar, mas enquanto se preparava para viajar, dedicou-se a pregar na cidade e nas localidades. Ali, encontrou-se com o venerável Servo de Deus Fernando de Contreras, doutor em Alcalá e prestigioso catequista.

O Arcebispo conseguiu convencê-lo a ficar na Andaluzia e permanecer em Sevilha. Enquanto se dedicava à pregação e à direção espiritual, continuou os estudos de Teologia. Obteve o título de Mestre.

Escritor e Teólogo

Em 1531, por causa de uma pregação, foi aprisionado injustamente. No cárcere, começou a escrever a primeira versão da sua obra “Audi, filia”. Foi absolvido em 1533, continuou a pregar, mas preferiu se transferir para Córdoba, incardinando-se na diocese. Pouco depois, em 1536, chegou a Granada, ali permaneceu e continuou sua obra de evangelização.

João de Ávila foi um ilustre teólogo, também inventou e patenteou algumas obras de Engenharia. Especialmente preocupado pela educação, fundou vários colégios menores e maiores que, depois do Concílio de Trento, se transformariam em seminários conciliares. Criou, ainda, a Universidade de Baeza (Jaén), referência durante séculos para a formação qualificada de clérigos e seculares.

Depois de ter percorrido a Andaluzia e outras regiões do centro e do oeste da Espanha, já enfermo, em 1554, se retirou definitivamente numa casa simples em Montilla (Córdoba), onde exerceu o seu apostolado, elaborando algumas de suas obras. O Arcebispo de Granada quis levá-lo como assessor-teólogo para as duas últimas sessões do Concílio de Trento; dado que não podia viajar por falta de saúde, redigiu os Memoriales, que tiveram grande influência naquela reunião eclesial.

Doutor da Igreja

Vatican Media

João de Ávila foi contemporâneo, amigo e conselheiro de grandes santos, como Santo Ignácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus (Jesuítas); Santa Teresa de Jesus e São Pedro de Alcântara. Atribui-se também a ele a conversão de São Francisco de Borja e São João de Deus. O Santo, que faleceu em Montilla, no dia 10 de maio de 1569, foi beatificado em 1894 e canonizado no dia 31 de maio de 1970.

O Papa Bento XVI proclamou o religioso  espanhol  como  “doutor  da Igreja” no dia 7 de outubro de 2012, em missa que precedeu o início da Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos. A Igreja Católica atribui oficialmente o título de doutor da Igreja àquelas pessoas que têm uma autoridade teológica e doutrinal, em razão da certeza de seu pensamento, a santidade de suas vidas e a relevância de suas obras.

“Profundo conhecedor das Sagradas Escrituras, era dotado de um ardente espírito missionário. Soube adentrar, com uma profundidade particular, nos mistérios da Redenção operada por Cristo para a humanidade.  Homem de  Deus,  unia  a oração  constante à atividade apostólica. Dedicou-se à pregação e ao aumento da prática dos sacramentos, concentrando seus esforços para melhorar a formação dos futuros candidatos ao sacerdócio, dos religiosos, religiosas e dos leigos, em vista de uma fecunda reforma da Igreja”, disse Bento XVI sobre São João de Ávila, na ocasião.

(Com informações da Santa Sé)

*Texto produzido sob a supervisão de Daniel Gomes

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