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Visita do Papa Leão XIV à França é um convite à redescoberta da fé

Visita do Papa Leão XIV à França é um convite à redescoberta da fé - Jornal O São Paulo
Vatican Media

Conhecida como o país europeu mais resistente a expressões de fé nos espaços e na vida pública, a França acolheu a visita do Papa Leão XIV com grande entusiasmo. A imagem de 800 mil pessoas presentes na missa campal em Paris no sábado, 26, é uma das mais marcantes dos quatro dias da visita apostólica.

Sacerdotes ouviam Confissões nas ruas da renomada avenida Champs-Élysées. Jovens e catecúmenos – pessoas que estão em preparação para receber o Batismo – se tornaram protagonistas da passagem do Pontífice pela França. Idosos, doentes e migrantes tiveram a chance de ver e ouvir o Papa de perto.

Cheia de vida, a Catedral de Notre-Dame foi o símbolo dessa fé que, para muitos, parecia sucumbir na França, mas que se apresentou viva, redescoberta. O enorme incêndio em 2019 deixou a Catedral em ruínas, mas, agora, restaurada, Notre-Dame sobrevive para acolher um Papa, pela primeira vez desde então.

Em seus poucos dias na França, o Pontifice encontrou um país acolhedor e positivo. Ele correspondeu ao carinho recebido com gestos de proximidade com as pessoas que saudou, mostrando-se confortável também em momentos informais. Leão XIV enxergou, na França, muitas pessoas buscando reconstruir sua “catedral” interior, ou seja, abrir espaço em suas vidas para Deus. E Maria, a “Notre-Dame”, apareceu em diferentes oportunidades na viagem como ícone de abertura e acolhimento de Deus.

A FÉ VIVIDA A CADA DIA

A visita do Papa Leão XIV à França foi, portanto, um convite ao país a redescobrir a fé. A mensagem do Papa norte-americano foi, de certa forma, uma síntese de ensinamentos de seus dois últimos antecessores, Bento XVI e Francisco.

O primeiro, Bento XVI, ao longo de seus oito anos como Papa, fez uma forte defesa da fé na Europa, dizendo que, sem Deus, o ser humano jamais se sentiria completo. O segundo, Francisco, procurou promover a fé na vida cotidiana, a santidade aplicada no dia a dia e destacou aqueles que vivem nas “periferias existenciais e geográficas” do mundo. Ele criticou duramente a “cultura do descarte”.

Nessa mesma tradição, o Papa Leão XIV lembrou à França que, sem Deus, o ser humano perde seu rumo. “Quem vive com Deus é livre: livre de tudo o que obscurece a vida, tornando-a vazia e sem sentido”, afirmou aos jovens que, emocionado, ele encontrou em Paris, na sexta-feira, 25. 

Por outro lado, ao longo da visita, fez uma forte defesa da vida em todas as suas condições e estágios, e disse que as leis devem corresponder ao direito primordial à vida. À luz da fé cristã – disse ele na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) – “cada pessoa aparece como uma criatura desejada e amada por Deus”.

Em sua fala na Unesco, defendeu os princípios do desenvolvimento humano integral, entre os quais a necessidade de se garantir a todos o acesso à educação. Também apontou para os riscos da inteligência artificial, como já detalhado em sua encíclica Magnifica humanitas, e defendeu o multilateralismo: a colaboração entre os países para o bem comum.

Em Metz, última etapa da viagem, falou sobre a migração e a necessidade de se alcançar uma cultura do encontro, partindo das pessoas de fé. Se, por um lado, a Europa precisa reencontrar suas raízes cristãs, por outro, deve manter-se aberta ao diálogo e à pluralidade. “Acolher uma pessoa significa integrá-la como se fosse parte da própria família, oferecendo-lhe a oportunidade de desenvolver seus talentos, suas habilidades e sua sensibilidade, mas, também, de se integrar ao espírito da casa que a acolhe”, completou.

DIGNIDADE E VIDA

Em Lourdes, falou sobre a importância de valorizar os doentes, que, na sua fragilidade, cumprem um papel na Igreja e na sociedade, e não podem ser descartados: uma clara crítica à eutanásia. “Nenhuma lei humana deve fazer com que vocês percam a certeza de sua dignidade”, disse ele aos doentes, no domingo, 27. 

“Pelo contrário, é justamente em nome dessa dignidade inalienável da pessoa humana que a tentação de tirar a vida sob o pretexto de uma falsa compaixão deve ser firmemente rejeitada. É impossível considerar normal tirar a vida. O que é legal não é necessariamente moral”, declarou. O Papa também se mostrou aberto a ouvir e acompanhar pessoalmente as vítimas de abusos, a quem dedicou um momento exclusivo na viagem, gesto que sinaliza que feridas provocadas por esse tipo de trauma existem, dentro e fora da Igreja, mas precisam ser trazidas à luz, cuidadas e curadas.

No ensinamento da Igreja, a fé é um dom de Deus. Na visão de Leão XIV, Deus está disposto a oferecê-la a quem se dispuser a recebê-la. O Pontífice encorajou a França a abrir-se de novo, recomeçar a sua busca ou abrir-se pela primeira vez. Na vigília com os jovens, disse o Sucessor do Apóstolo Pedro: “É verdade que a sociedade em que vivemos parece ser indiferente a Deus. Mas o Senhor não é indiferente a nós. É isso o que importa, e o que sempre nos dá esperança.”

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