59ª AG CNBB: Perfil e curiosidades do episcopado brasileiro

O Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida do Santuário Nacional de Aparecida (SP) reúne nessa semana, de 29 de agosto a 2 de setembro, o episcopado brasileiro para a 59ª Assembleia Geral da CNBB. Estão presentes 296 bispos que estão na ativa nas 278 circunscrições eclesiásticas do Brasil (arquidioceses, dioceses, prelazias, eparquias, exarcados, ordinariato militar e administração apostólica pessoal) e 13 bispos eméritos. Além dos bispos, participam assessores das comissões episcopais pastorais, secretários (as) executivos dos regionais, convidados e uma grande equipe de trabalho, em vários setores de atuação. Ao todo, o evento reúne mais de 400 pessoas.

Segundo dados coletados numa pesquisa realizada pelo professor Fernando Altemeyer Junior, assistente doutor do departamento de Ciências Sociais da PUC-SP, o Brasil tem 465 bispos, sendo 308 na ativa e 157 eméritos, além de 12 administradores diocesanos. Enquanto organização eclesial, o Brasil tem 278 circunscrições eclesiásticas, sendo: 45 arquidioceses ou sedes metropolitanas, 1 arquieparquia de rito oriental, 220 dioceses, sendo 217 dioceses de rito latino + três do rito oriental, 8 prelazias territoriais, um exarcado apostólico de rito oriental, um ordinariato para fieis de rito oriental sem ordinário próprio, um ordinariato militar para todo o Brasil e uma Administração Apostólica pessoal.

Bispos mais jovens, em idade

Com 47 anos de idade, o bispo da diocese de Rubiataba-Mozarlândia (GO), dom Francisco Agamenilton Damascena, é o mais jovem em idade no episcopado brasileiro. Escolhido do clero da diocese de Uruaçu (GO), ele foi ordenado bispo em dezembro de 2020, com 45 anos de idade. Dom Agamenilton contou que sua primeira participação na Assembleia Geral foi em 2019, quando ainda era padre e foi administrador diocesano de Uruaçu (GO).

“Estou aqui, pela primeira vez como bispo, e destaco duas coisas. A primeira é que a providência divina me permitiu vir aqui como padre. Depois, vir na condição de bispo é um dom e uma responsabilidade. Ajudar Jesus a fazer o seu Evangelho acontecer aqui no Brasil, junto com meus irmãos bispos”.

Com um sorriso no rosto, dom Agamenilton contou que até já fez até as contas de quantas assembleias deve participar até atingir a idade da emeritude: “até os 75 anos, tenho 29 anos assembleias pela frente”. Chegando numa Conferência Episcopal prestes a completar 70 anos de história, dom Agamenilton disse sentir a acolhida dos irmãos bispos: 

“Sinto-me honrado de herdar uma bonita história e responsável de tocar o barco para frente, junto com meus irmãos que me acolheram desde a notícia da minha nomeação. Sentir o afeto, a fraternidade, a proximidade dos irmãos bispos é um fator muito relevante que me ajudou a dizer sim”. No outro extremo da idade, o bispo mais idoso do Brasil é o emérito da diocese de Limoeiro do Norte (CE), dom Manuel Edmilson da Cruz, que no próximo dia 3 de outubro completa 97 anos de idade e tem 56 de episcopado.

Bispos recém ordenados

No mês de agosto, os dois últimos padres nomeados pelo Papa Francisco no Brasil foram ordenados bispos. Dom Marcos José dos Santos, nomeado bispo da diocese de Cornélio Procópio (PR), foi ordenado no dia 13; e Dom Maurício da Silva Jardim, nomeado bispo da diocese de Rondonópolis–Guiratinga (MT), foi ordenado no dia 19.

Primeiro padre escolhido para o episcopado na Arquidiocese de Londrina (PR), dom Marcos afirma que participar dessa Assembleia é um momento de graça extraordinária para sua vida.

“Estou me inserindo dentro dessa caminhada tão rica da nossa Igreja, da CNBB, que está celebrando 70 anos de existência. Trata-se de uma grande mudança em minha vida. Uma mudança ontológica, que é a mudança sacramental, porque o episcopado confere um novo grau do sacramento da ordem, e é também uma mudança da vida, do pastoreio, da missão. Mas o mais bonito de tudo isso é que a graça de Deus me enriquece e me fortalece para essa nova missão que estou iniciando”, disse dom Marcos.

Desde 2016 na direção nacional das Pontifícias Obras Missionárias, dom Maurício já participava das Assembleias Gerais da CNBB. Este ano, no entanto, é a primeira vez que participa como membro do episcopado.

“A assembleia da CNBB é um encontro que favorece a comunhão, a participação e a colegialidade episcopal. As decisões aqui tomadas, as reflexões feitas, as análises de conjuntura social e eclesial, as votações, a carta ao Papa e a carta ao Povo de Deus são alguns dos momentos da assembleia que me ajudam muito. Estou ordenado bispo há apenas 10 dias e me sinto muito feliz e bem acolhido aqui no meio dos bispos da nossa Conferência Episcopal”, afirmou dom Maurício. O próximo Dia Mundial das Missões, 23 de outubro, foi a data escolhida para a sua posse canônica na diocese de Rondonópolis-Guiratinga (MT).

Desde a última Assembleia Geral, que aconteceu de 1º a 10 de maio de 2019, foram nomeados 36 novos bispos. Os dois bispos com maior tempo de ordenação, 56 anos, são o arcebispo emérito de Curitiba (PR), dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto, e o bispo emérito de Limoeiro do Norte (CE), Dom Manuel Edmilson da Cruz.

Comunhão com as Igrejas de Rito Oriental

Na Igreja do Brasil há quatro Igrejas de rito oriental: armênio, maronita, greco-melquita e ucraniano e ainda uma para os fiéis de ritos orientais sem ordinário próprio. São católicos, submissos ao Papa, possuem suas sedes próprias (como as dioceses), e seus bispos pertencem a CNBB.

A Igreja Católica do Rito Ucraniano é a única que possui duas circunscrições eclesiásticas: a Metropolia São João Batista, com sede em Curitiba-PR, e a Eparquia Imaculada Conceição, com sede em Prudentópolis-PR. Estão no Paraná, pois é onde está concentrada a maior comunidade de descendentes ucranianos do Brasil. São aproximadamente 600 mil pessoas, das quais mais de 90% são católicas.

O arcebispo da Metropolia Católica Ucraniana São João Batista, dom Volodemer Koubetch, afirma ser muito importante a participação dos bispos das Igrejas Orientais na Assembleia Geral da CNBB.

“Estar aqui é uma manifestação máxima, muito significativa, de sinodalidade. A CNBB congrega todas as dioceses do Brasil, com suas diferenças culturais, que já são uma riqueza. Nesse contexto de maioria da Igreja Católica do rito latino, entra essa minoria que somos nós, os Católicos orientais. Penso que nossa participação ajuda a enriquecer esse patrimônio religioso e cultural do Brasil, reforçando a sinodalidade. É um embelezamento da própria Igreja”, disse dom Volodemer.

Desde 2004, quando foi ordenado bispo, dom Volodemer participa das Assembleias Gerais da CNBB e das Assembleias do Regional Sul 2. Ele afirma que os temas sempre foram muito convergentes com a Igreja que pastoreia, assim como neste ano. “O tema principal desta Assembleia, que trata da sinodalidade, converge com aquilo que os bispos ucranianos já trataram em seu sínodo, que aconteceu na Polônia. Sinodalidade não é teoria, é prática, é união é entre ajuda, é solidariedade. É isso que vivemos aqui nessa Assembleia”, afirmou o arcebispo.

Outras curiosidades da Igreja do Brasil

Na história da Igreja Católica no Brasil já foram nomeados 1.206 bispos, entre 25/02/1551 até 28/08/2022. No mundo atualmente 5.614 bispos vivos, sendo 465 do Brasil. Eles são oriundos de 24 estados brasileiros e 18 países.

Na foto de capa, de Victoria Holzbach, parte dos bispos nomeados de 2019 até a 59ª AG CNBB. Outros bispos estão participando do curso Anual para Formação de novos bispos em Roma. Os bispos recém ordenados foram concelebrantes da missa da segunda-feira, 29 de agosto.

Por Karina de Carvalho/CNBB

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