Campanha Agosto Dourado conscientiza sobre os benefícios da amamentação exclusiva até os 06 meses de vida

Todas as noites, cerca de duas horas após amamentar a filha Isabela, a advogada Júlia Fialho Bassalo coloca a touca e a máscara de proteção, higieniza cuidadosamente as mãos e os seios e, com o auxílio de uma bomba extratora, inicia a retirada do leite que será destinado à doação.
Essa rotina, que já a acompanha há seis meses, teve início após ela ver a postagem de uma amiga nas redes sociais sobre o baixo volume de leite materno disponível no Hospital do Trabalhador, em Curitiba (PR), e decidir se tornar doadora.
Todo o contato com o posto de coleta foi feito pelo WhatsApp. Segundo a advogada, a equipe realizou orientações sobre os cuidados de higiene, além de solicitar exames de sangue, a carteirinha de pré-natal e o preenchimento de um questionário.
Desde então, semanalmente, uma equipe vai até sua casa para entregar os kits de coleta e recolher o leite extraído.
“É incrível saber que posso ser fonte de alimento para a minha filha e para outros bebês que precisam! Falo sempre da doação de leite materno e do quanto deveria ser mais divulgada para que todas as mulheres saibam que essa boa ação é importante, necessária e incrível!”, expressou Júlia.
PANORAMA NACIONAL
O leite materno doado por Júlia soma-se às 100.238 doações registradas pela Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano da Fundação Oswaldo Cruz (rBLH/Fiocruz) no primeiro semestre de 2026.
Entre janeiro e junho, a Rede coletou 132.096 litros de leite humano e distribuiu 95.227 litros, mediante prescrição médica, para recém-nascidos prematuros e bebês de baixo peso, internados em unidades neonatais em todo o País.
No mesmo período, a rBLH/Fiocruz realizou 1.584.714 atendimentos, entre acompanhamentos individuais, atividades em grupo e visitas domiciliares voltadas à promoção, à proteção e ao apoio ao aleitamento materno.
DIAS DE CONSCIENTIZAÇÃO
A Semana Mundial do Aleitamento Materno, realizada de 1º a 7 de agosto, reforça a importância da amamentação e da doação de leite humano como estratégias fundamentais para a saúde infantil.
O período especial ocorre em consonância com a campanha Agosto Dourado. Em 2026, a 35ª edição da iniciativa tem como tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona”, definido pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (WABA).
A campanha destaca o impacto da amamentação na nutrição, na segurança alimentar e na redução da pobreza, além de reforçar a importância do fortalecimento das redes de apoio em toda a sociedade.
MAIS QUE ALIMENTO

A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade por considerá-lo o alimento mais importante para a saúde do bebê.
“Afora os benefícios nutricionais, o leite materno fornece células de defesa como os anticorpos, imunoglobulinas, lactoferrina e lisozimas que protegem o bebê de infecções, como as diarreias, infecções respiratórias, infecções de ouvido, entre outras. No nível intestinal, o leite materno estimula o crescimento de bactérias benéficas, contribuindo para a formação de uma microbiota adequada”, explicou Marina Carvalho de Moraes Barros, doutora em Medicina e pediatra na UTI Neonatal do Hospital São Paulo.
BENEFÍCIOS PARA A MÃE
O aleitamento materno também traz inúmeros benefícios para a mulher, conforme explicou a médica. Por isso, recomenda-se que seja iniciado ainda na sala de parto, logo após o nascimento, pois a sucção do bebê estimula a liberação da ocitocina, hormônio responsável pela contração do útero e pela redução do sangramento pós-parto.
“Tão importante quanto os benefícios para a saúde, é o fortalecimento do vínculo mãe-bebê proporcionado pelo aleitamento materno, fundamental para o desenvolvimento psíquico do bebê. O aleitamento materno também está associado a menor risco de diabetes tipo 2, hipertensão arterial e câncer de mama e reduz a chance de a mulher engravidar nos primeiros meses após o parto, embora o aleitamento não deva ser considerado como método contraceptivo”, frisou Marina.
COMBATER OS MITOS
A especialista realçou que o Brasil apresenta boas taxas de aleitamento materno se comparado a vários países e registrou avanços nas últimas décadas. No entanto, lembrou que esses índices ainda estão abaixo do ideal, principalmente em relação ao aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e que, em muitos casos, o desmame ocorre em razão do retorno da mãe ao trabalho e por mitos e dúvidas sobre a amamentação.
“As duas principais causas de desmame são a dor ao amamentar e a sensação de ‘leite fraco’. O leite fraco é um mito frequente que precisa ser combatido. O leite materno é adequado às necessidades do bebê e a sua composição vai se alterando conforme essas necessidades. Se o bebê não está ganhando peso, pode haver dificuldades na amamentação (posição do bebê e da mãe ou a pega) e não problemas com a qualidade do leite. Outro mito é de que a amamentação dói. A amamentação pode trazer algum desconforto, sobretudo no início, mas que desaparece com o tempo. Se há dor, fissura ou sangramento pelo mamilo, há um problema na pega, e a mãe precisa, então, de orientação para o aleitamento materno, para sanar esses problemas”, pontuou a pediatra.
Segundo a especialista, algumas mães acreditam produzir pouco leite porque os bebês mamam com frequência, mas isso ocorre porque o leite materno é digerido mais rapidamente do que as fórmulas infantis, fazendo com que o bebê sinta fome em intervalos menores. Além disso, mamadas frequentes estimulam a produção de leite.
O IMPACTO DA DOAÇÃO

Em relação à doação de leite humano, Marina ressaltou que podem doar as mães que produzem mais leite do que seus filhos conseguem consumir. Dessa forma, a doação não compromete a alimentação de seus bebês.
A médica destacou ainda que o processo é simples e que até pequenas quantidades fazem a diferença, especialmente para os recém-nascidos prematuros, que muitas vezes recebem apenas 5, 10 ou 15ml de leite a cada três horas.
“A doação de leite por uma única mulher traz um impacto muito positivo na nutrição dos prematuros, uma vez que a alimentação enteral se inicia com pequenos volumes, às vezes, de 1 a 2ml a cada três horas. Assim, mesmo que a mãe tenha um pequeno volume, já será útil e benéfico para o bebê. Qualquer quantidade de leite já faz a diferença!”, concluiu Marina.
Em caso de dúvidas sobre como realizar a doação de leite, acesse rblh.fiocruz.br ou entre em contato pelos telefones:
0800 026 8877 | (21) 2554-1703 | WhatsApp: (21) 98508-6576.




