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Assembleia Geral da CNBB avança com análise das Diretrizes e reflexão sobre a realidade do País 

Retiro espiritual, coletiva sobre as diretrizes, análise de conjuntura e apresentação dos próximos passos do Sínodo marcaram os primeiros dias do encontro do episcopado em Aparecida (SP)

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Imprensa CNBB

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) prossegue, em Aparecida (SP), com a realização de sua 62ª Assembleia Geral, iniciada no dia 15, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Nas primeiras etapas do encontro tiveram destaque o retiro espiritual, as análises de conjuntura e o aprofundamento das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), tema central desta Assembleia. 

A abertura dos trabalhos foi marcada pelo retiro espiritual conduzido por Dom Armando Bucciol, Bispo Emérito da Diocese de Livramento de Nossa Senhora (BA), que propôs aos participantes um itinerário de oração e reflexão centrado no ministério episcopal. Em suas meditações, destacou que “somos chamados ao anúncio e ao serviço”, sublinhando a unidade entre evangelização e caridade pastoral. Também insistiu na necessidade de uma presença próxima junto ao povo de Deus, recordando que o anúncio do Evangelho deve ser acompanhado por gestos concretos de cuidado e serviço. 

A conclusão do retiro ocorreu com procissão mariana até a Basílica, seguida de adoração eucarística, na qual se rezou de modo especial pela paz. A adoração foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo. Em seguida, foi celebrada a Eucaristia, presidida por Dom Armando, encerrando a etapa espiritual que fundamenta os trabalhos da Assembleia. 

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DIRETRIZES 

Após o retiro, os bispos iniciaram o aprofundamento do tema central. Divididos por regionais, eles analisam o texto das DGAE, apresentando contribuições que deverão ser incorporadas à redação final. O processo evidencia a preocupação de que o documento reflita a diversidade das realidades eclesiais do Brasil e ofereça orientações concretas para a missão da Igreja. 

Durante coletiva de imprensa realizada no sábado, 18, Dom Leomar Antônio Brustolin, Arcebispo de Santa Maria (RS) e Coordenador da Equipe de Elaboração das Diretrizes, destacou o caráter orientativo do texto. “As Diretrizes são linhas da ação evangelizadora. Não são um planejamento, mas caminhos indicativos de onde devemos andar”, afirmou. Segundo ele, o processo de construção foi marcado por escuta e discernimento, buscando responder aos desafios concretos da realidade brasileira. 

Dom Leomar comentou, ainda, que o documento contempla questões atuais que interpelam a ação da Igreja, como a violência, o cuidado com a Casa Comum e a promoção da paz. “A cultura da paz é indispensável. A CNBB tem uma história forte no combate às injustiças e continua assumindo a missão de educar para a paz”, frisou. Ele também indicou que o texto busca reconhecer sinais de esperança presentes na realidade, como o crescimento de adultos que procuram o Batismo. 

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RESPOSTA AO SÍNODO 

Dom Pedro Carlos Cipolini, Bispo de Santo André (SP), que também compõe a Equipe de Elaboração das Diretrizes, destacou que o documento está em sintonia com o caminho eclesial mais amplo. “Estas diretrizes se configuram como uma resposta ao Sínodo sobre a Sinodalidade, convocado pelo Papa Francisco. A sinodalidade não é apenas um objetivo pastoral, mas também o modo como essas Diretrizes foram construídas, a partir da escuta, da participação e da comunhão”, explicou. 

Dom Pedro enfatizou ainda o caráter de serviço das Diretrizes à vida das dioceses: “As Diretrizes são um serviço da Conferência Episcopal às dioceses. Não são impostas, mas buscam a unidade na evangelização, pois a missão confiada por Jesus deve ser realizada em comunhão, não de forma isolada”. Ao tratar do sentido da evangelização, acrescentou: “A Igreja não impõe, ela propõe Jesus Cristo e o que Ele ensinou. A transformação da sociedade acontece a partir da conversão das pessoas”. Segundo ele, esse anúncio está diretamente ligado à promoção da dignidade humana: “Anunciar o Evangelho é também promover a vida, defender a dignidade do ser humano, como fez o próprio Cristo”. 

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ASSEMBLEIA UNIVERSAL 

Na segunda-feira, 20, Dom Joel Portella Amado, Bispo de Petrópolis (RJ) e membro da delegação brasileira no Sínodo dos Bispos, apresentou ao episcopado o cronograma de implementação que se estende até 2028, com etapas progressivas nas dioceses, regionais e em âmbito nacional, culminando na assembleia universal em Roma. 

O Bispo explicou que esse percurso se configura como um “caminho ascendente”, sustentado pela articulação entre as Igrejas particulares, os organismos nacionais e o Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam). Segundo ele, a comissão responsável acompanhará as dioceses com encontros presenciais e virtuais, favorecendo o diálogo e a partilha de experiências. Ao enfatizar a dimensão eclesial desse processo, orientou que as assembleias diocesanas envolvam amplamente todo o povo de Deus – bispos, presbíteros, religiosos e leigos – e reforçou a importância de que todas as dioceses realizem novas assembleias no período indicado. “A sinodalidade é uma prática que vai se aprendendo. Prática que se aprende praticando”, concluiu. 

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ANÁLISE DE CONJUNTURA 

Outro ponto de destaque na programação foi a análise de conjuntura social, política e eclesial do Brasil, realizada no terceiro dia da Assembleia. Nesse momento, os bispos refletiram sobre os principais desafios que marcam a realidade atual, incluindo as desigualdades sociais, a polarização, as transformações culturais e as mudanças no cenário religioso. A reflexão também considerou os impactos dessas questões na vida das comunidades e na ação pastoral da Igreja. 

A partir dessa leitura da realidade, os bispos buscam situar as Diretrizes em um contexto concreto, de modo que o documento ofereça orientações capazes de responder às necessidades do povo. A análise de conjuntura contribui, assim, para integrar a reflexão pastoral com os desafios vividos pela sociedade brasileira, favorecendo um discernimento atento aos sinais do tempo. 

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ESCUTA 

No programa “Encontro com o Pastor” do dia 15, na rádio 9 de Julho, Dom Odilo destacou a dimensão da Assembleia: “São quase 500 bispos do Brasil, sendo que mais de 300 vêm para participar da Assembleia”. O Cardeal Scherer ressaltou que, além das celebrações, o encontro é marcado por “muitas reuniões para ouvir” e para a apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelos diversos organismos da CNBB. 

Ao explicar a natureza da instituição, o Arcebispo de São Paulo afirmou: “A conferência é dos bispos […] é uma conferência de pessoas”, sublinhando o caráter colegial do exercício pastoral. Sobre o tema central, comentou que as Diretrizes deverão ajudar cada diocese a realizar sua missão diante das novas realidades, especialmente no contexto de mudanças no cenário religioso do País. 

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