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Bispos destacaram sinodalidade, desafios sociais e diretrizes evangelizadoras na primeira coletiva da 62ª Assembleia da CNBB

Bispos destacaram sinodalidade, desafios sociais e diretrizes evangelizadoras na primeira coletiva da 62ª Assembleia da CNBB - Jornal O São Paulo
ASCOM CNBB

A primeira coletiva de imprensa da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (AG CNBB) foi realizada na manhã desta terça-feira, 15 de abril, no Centro de Eventos Padre Víctor Coelho de Almeida, no Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida, São Paulo. Participaram da atividade o presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler; o presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano, Dom Lizardo Herrera; e o bispo emérito da Diocese de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, e diretor espiritual do Colégio Pio Brasileiro, em Roma, Dom Armando Bucciol.

Ao abrir a coletiva, Dom Jaime Spengler agradeceu aos profissionais presentes e destacou o papel essencial da comunicação na missão da Igreja, ressaltando que “Deus é comunicação” e que, diante da disseminação de desinformação, o compromisso com a verdade torna-se ainda mais urgente. dom Jaime também sublinhou o significado do reencontro presencial dos bispos, após a suspensão da AG anterior em razão do falecimento do Papa Francisco. Segundo o prelado, o momento é marcado por entusiasmo e pela necessidade de tratar um acúmulo de temas importantes.

Entre os principais pontos da pauta está a discussão e possível aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), que, tradicionalmente atualizadas a cada quatro anos, podem ter seu período ampliado.

Ao serem aprovadas, as DGAE passarão pelo processo de recepção e implementação nas comunidades, o que exige tempo, além de estar diretamente ligado a dinâmica do Sínodo sobre a Sinodalidade, que pede mudanças graduais e profundas na vida eclesial.

Memória do Papa Francisco e desafios da Igreja

Ainda durante a fala, dom Jaime recordou o legado do Papa Francisco, destacando o caráter de alegria presente em seus documentos e ensinamentos. Ele ressaltou que a vivência cristã deve ser marcada pelo júbilo e pela esperança, em contraste com posturas negativas ou desanimadas.

O presidente da CNBB ainda comentou a atual situação internacional, especialmente os conflitos no Oriente Médio, manifestando preocupação com a escalada da violência e defendendo a necessidade de reconciliação e superação de ciclos de ódio.

No âmbito nacional, dom Jaime destacou a importância do momento sociopolítico brasileiro, reforçando que a política deve ser compreendida como serviço ao bem comum. O prelado alertou para as desigualdades sociais no país e apontou a necessidade de uma conversão social que promova justiça e equidade.

Outro ponto enfatizado foi a forte participação das comunidades na construção das novas Diretrizes. De acordo com dom Jaime, houve ampla escuta, envolvendo tanto lideranças quanto fiéis que, mesmo sem vínculo direto com estruturas eclesiais, contribuíram com reflexões e propostas. Essa dinâmica, segundo o arcebispo, está em sintonia com o caminho sinodal vivido pela Igreja, especialmente na América Latina, cuja tradição de escuta e participação já se expressava desde documentos como, por exemplo, o de Aparecida.

Unidade, desafios sociais e missão do CELAM

O presidente do CELAM, Dom Lizardo Herrera, destacou a importância da unidade entre os episcopados da América Latina e do Caribe, especialmente diante de desafios comuns como migração, desigualdade social, corrupção, violência e polarização.

Na oportunidade, Dom Lizardo ressaltou que o organismo continental acompanha de perto o processo sinodal e busca fortalecer a comunhão entre as conferências episcopais. Segundo o prelado, a missão da Igreja passa pela escuta, pelo discernimento e pela ação conjunta, sempre orientada pelo Evangelho.

Dom Lizardo também enfatizou a necessidade de formação das novas gerações, sobretudo no campo da Doutrina Social da Igreja, para promover uma cultura política voltada ao bem comum. Ele alertou para os riscos de interesses individuais na política e defendeu a formação de lideranças comprometidas com a justiça social e o cuidado com os mais pobres.

Espiritualidade, missão e coragem evangélica

Bispos destacaram sinodalidade, desafios sociais e diretrizes evangelizadoras na primeira coletiva da 62ª Assembleia da CNBB - Jornal O São Paulo

Dom Armando Bucciol, por sua vez, apresentou a proposta espiritual que norteará o retiro dos bispos – que acontece na tarde de hoje, 15, e durante todo o dia de amanhã, 16. Com foco no seguimento de Jesus Cristo crucificado e ressuscitado, o bispo destacou temas como zelo pastoral, evangelização, parresia (coragem evangélica) e serviço, enfatizando que, na lógica cristã, autoridade significa serviço, inspirada no gesto de Jesus que lava os pés dos discípulos. Também ressaltou a importância de uma vivência autêntica da liturgia, profundamente enraizada no Evangelho.

Ao dirigir-se aos profissionais da imprensa, Dom Armando destacou o papel fundamental da comunicação na formação da consciência crítica da sociedade, alertando para os riscos da manipulação da informação e incentivando os jornalistas a ajudarem o público a compreender melhor a realidade social.

A Assembleia Geral segue até o dia 24 de abril, reunindo todo o episcopado brasileiro em um espaço de discernimento, comunhão e definição de rumos para a ação evangelizadora no Brasil.

Fonte: CNBB

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