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Bispos do Brasil aprovam novas Diretrizes e apontam rumos para a missão da Igreja

Em Aparecida (SP), Assembleia Geral da CNBB é concluída com foco na evangelização, na realidade do país e na comunhão eclesial

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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) concluiu, na sexta-feira, 24, em Aparecida (SP), sua 62ª Assembleia Geral, realizada no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Após dez dias de trabalhos, o episcopado brasileiro encerrou o encontro com a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), além da publicação de mensagens dirigidas ao povo de Deus e ao povo brasileiro, consolidando um processo de discernimento pastoral marcado pela escuta, diálogo e reflexão sobre os desafios contemporâneos.

Tema central da Assembleia, as Diretrizes foram aprovadas após amplo processo de análise em plenário e nos grupos por regionais, que apresentaram contribuições ao texto ao longo da semana. Os bispos também aprovaram que as novas DGAE terão vigência de seis anos. O documento aprovado ainda passará por ajustes redacionais e revisões antes de sua publicação oficial. A etapa seguinte será a sua apresentação no Encontro de Coordenadores de Pastoral 2026, previsto para ocorrer de 20 a 24 de julho, em Brasília (DF).

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CENTRALIDADE DO EVANGELHO 

Durante a coletiva de imprensa conclusiva, o Cardeal Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre (RS) e Presidente da CNBB, explicou que “as Diretrizes não são um plano fechado, mas um instrumento de orientação que indica caminhos para a ação evangelizadora”. Segundo ele, o texto aprovado procura oferecer referências seguras para a missão da Igreja diante das mudanças culturais e sociais do tempo presente, sem perder de vista a centralidade do Evangelho.

Dom Jaime também sublinhou o processo de construção do documento, sublinhando seu caráter participativo. “É um texto que nasce de um caminho feito com muitas mãos, com escuta e discernimento, procurando responder aos desafios da realidade”, afirmou o Presidente da CNBB, destacando que a riqueza das Diretrizes está justamente na capacidade de articular unidade e diversidade, oferecendo orientações comuns que respeitam as diferentes realidades das Igrejas particulares.

Dom Ricardo Hoepers, Bispo Auxiliar de Brasília (DF) e Secretário-geral da CNBB, enfatizou que o documento aprovado representa um importante passo para a caminhada pastoral da Igreja no Brasil. “Foi um processo longo, com a participação de muitas instâncias, o que confere ao texto consistência e representatividade”, sublinhou, recordando ainda a importância da etapa de recepção. “Agora começa um outro momento, que é o de fazer com que essas Diretrizes cheguem às dioceses e sejam assumidas na prática pastoral”, disse. 

Ainda de acordo com os membros da presidência, as DGAE procuram responder a desafios concretos da realidade brasileira, como as mudanças no cenário religioso, o enfraquecimento dos vínculos comunitários e as diversas situações de vulnerabilidade social, reafirmando a necessidade de uma ação evangelizadora que una anúncio, formação e compromisso com a vida.

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CAMINHO SINODAL

Segundo apurou a reportagem do O SÃO PAULO, o texto aprovado é apresentado como um instrumento de implementação concreta do caminho sinodal na Igreja no Brasil, mais do que um simples conjunto de orientações gerais. O documento articula fundamentos teológicos, análise da realidade e indicações pastorais. A proposta parte da compreensão da Igreja como espaço de acolhida e encontro, desenvolve uma leitura dos “sinais dos tempos” e avança para um discernimento que integra comunhão, participação e missão.

O documento dedica especial atenção ao papel do povo de Deus em sua diversidade – leigos, ministros ordenados, vida consagrada e diferentes vocações –, com destaque também para a presença de grupos específicos na vida eclesial. Ao tratar dos caminhos da missão, as DGAE indicam eixos pastorais que passam pela centralidade da Palavra, pela iniciação à vida cristã, pela vida comunitária, pela liturgia e pelo serviço à vida plena, incluindo a atenção às questões socioambientais.

Outro elemento central é a imagem da Igreja como “tenda”, apresentada como referência para a ação evan-gelizadora. Essa metáfora, destacada no Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade, inspira uma Igreja aberta, capaz de acolher e escutar, ao mesmo tempo em que se mantém firmemente enraizada na fé. Nesse sentido, as Diretrizes reforçam que a missão evangelizadora é constitutiva da Igreja e não pode ser reduzida a ações pontuais ou meramente assistenciais, insistindo na centralidade do anúncio de Jesus Cristo.

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MENSAGENS

Ao final da 62ª Assembleia Geral, a CNBB divulgou sua “Mensagem ao Povo de Deus”, marcada pela esperança pascal e pelo chamado à comunhão. No texto, os bispos reafirmam o compromisso de evangelizar e recordam que toda a Igreja é corresponsável pela missão, independentemente do ministério exercido. Inspirados pelas palavras de Jesus – “Como o Pai me enviou, eu também vos envio” –, destacam a necessidade de uma Igreja que escuta, acolhe e serve, fortalecida pela oração e pela unidade, em atitude permanente de fidelidade ao Evangelho.

Na “Mensagem ao Povo Brasileiro”, os bispos expressam atenção à realidade social do País, reconhecendo tanto sinais de esperança quanto desafios urgentes. O texto aponta para um cenário marcado por desigualdades, pobreza e agravamento da violência, que atingem especialmente os mais vulneráveis, e conclama toda a sociedade a assumir responsabilidades na promoção da dignidade humana e da justiça social. Ao mesmo tempo, valoriza iniciativas de solidariedade, defesa da vida e compromisso com o bem comum como sinais concretos de transformação e esperança.

Em ambas as mensagens, o episcopado brasileiro convida à superação das divisões e ao fortalecimento do diálogo, ressaltando que a fé cristã deve ser fermento de unidade e reconciliação. Os bispos encorajam os fiéis e toda a sociedade a perseverarem na construção de uma cultura de paz, fundada na fraternidade, na escuta e no respeito mútuo, reafirmando que a esperança cristã se traduz em compromisso concreto com a vida, especialmente junto aos pobres e sofredores.

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