Campanha Nacional coleta DNA de familiares de pessoas desaparecidas

Iniciativa é conduzida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ivanise Esperidião, das Mães da Sé, fala ao O SÃO PAULO, sobre como a medida pode ajudar na identificação de pessoas desaparecidas

Foto: Divulgação

Até sexta-feira, 18, o Ministério da Justiça e Segurança Pública realiza em todo o Brasil a Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas.

A iniciativa acontece nos 27 estados e no Distrito Federal, em parceria com as secretarias estaduais de segurança pública e a Polícia Federal.

Na capital paulista, as coletas estão sendo feitas no Instituto Médico Legal (IML), no centro – Avenida Dr. Eneas de Carvalho Aguiar, 600, e no IML Sul – Rua Irmã Gabriela, 42. É necessário fazer agendamento em http://www.policiacientifica.sp.gov.br/informacoes-agendamento.

Dúvidas podem ser esclarecidas pelo WhatsApp (11) 97549-9770.

O objetivo da ação é possibilitar a identificação de pessoas desaparecidas por meio de exames e bancos de perfis genéticos.

A coleta voluntária deve ser feita, preferencialmente, por parentes de primeiro grau da pessoa desaparecida, seguindo a ordem de preferência: pai e mãe; filhos; irmãos.

O DNA do próprio desaparecido também poderá ser extraído de itens de uso pessoal, tais como: escova de dentes, escova de cabelo, aparelho de barbear, aliança, óculos, aparelho ortodôntico, dente de leite, amostra de cordão umbilical. Esses materiais também poderão ser entregues nos pontos de coleta da campanha. É necessário, no ato da coleta, assinar um termo de consentimento.

Mais detalhes estão em uma página específica no site do Ministério da Justiça

Pelo fim de uma espera angustiante

Há 25 anos, Ivanise Esperidião da Silva Santos procura descobrir o paradeiro da filha Fabiana, que desapareceu em dezembro de 1995, quando estava com 13 anos de idade.

Ivanise transformou a dor em luta e fundou as Mães da Sé, em 1996. Até hoje, foram mais de 11 mil pessoas cadastradas desaparecidas, das quais mais de 5 mil foram encontradas.

Ivanise das Mães da Sé

A fundadora das Mães da Sé afirma que a coleta do material genética facilita que se encontre as pessoas desaparecidas, a partir do cruzamento de dados.

“Digamos que alguém veja a foto envelhecida da minha filha e encontre uma pessoa que tenha uma semelhança muito grande com a foto da progressão de idade dela. Já estando meu material genético armazenado no banco de dados, com a coleta do material daquela possível pessoa que possa ser a minha filha, será possível fazer esta checagem”, comenta.

Outra função dessa coleta é identificar as ossadas de pessoas que foram enterradas se identificação. Ivanise assegura que ainda que o desfecho da procura seja o de encontrar o familiar morto, isso representa o fim de uma espera angustiante.

“O que todas nós queremos é uma resposta. O que vai nos matando a cada dia é a dor da incerteza, de não saber o que fizeram com nossos filhos”, comentou.  “Se um dia encontrarem a ossada da minha filha, a minha busca chegou ao fim. É o ponto final que todas nós como mães queremos. O que nós não podemos é ficar na incerteza. Meu maior medo é o de morrer sem saber o que aconteceu com a minha filha”, afirmou ao O SÃO PAULO.

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