
“Eu não sentia nada, nenhum incômodo e não tinha histórico familiar. Quando ouvi o diagnóstico, tive medo, incertezas de não saber o que estava por vir com o tratamento, quais complicações poderia ter”.
O relato é de Débora Pieretti, 56, que recebeu o diagnóstico de câncer de mama aos 45 anos, após participar de uma campanha de mamografia no Metrô de São Paulo.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que o Brasil deve registrar cerca de 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano, no período de 2026 a 2028.
O câncer de mama, excluindo os tumores de pele não melanoma, é o tipo de câncer que mais acomete mulheres no Brasil e no mundo. Como medida preventiva, o Ministério da Saúde passou a recomendar o acesso à mamografia, via Sistema Único de Saúde (SUS), para mulheres de 40 a 49 anos – mesmo que não haja sinais ou sintomas de câncer de mama.
“A determinação entrou em vigor porque essa faixa etária concentra 23% dos casos da doença e a detecção precoce aumenta as chances de cura. Até então, a orientação era que o exame fosse feito a partir dos 50 anos”, explicou Viviane Esteves, mastologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Em 2025, de acordo com dados do Ministério da Saúde, foram realizadas 4,4 milhões de mamografias pelo SUS.
INFORMAÇÃO E AUTOCUIDADO

Débora relatou à reportagem do O SÃO PAULO que o diagnóstico ainda que no estágio inicial exigiu diferentes etapas no tratamento. “Tudo foi muito rápido e me questionei: ‘Por que comigo?’ Vi minha vida se transformando. Passei por uma quadrantectomia – procedimento cirúrgico que consiste na retirada de parte da mama –, quimioterapia e radioterapia”.
Atualmente curada e com acompanhamento médico periódico, Débora ajuda outras mulheres com câncer de mama por meio do Instituto Amor em Mechas (foto acima) (https://amoremmechas.com), por ela fundado em 2017.
“Um dos efeitos da quimioterapia é a queda dos cabelos, uma mudança que, além dos aspectos físicos, mexe com a autoestima das mulheres. Nestes anos, já distribuímos mais de 9,5 mil kits e há quase 150 mulheres na lista de espera por uma peruca. Aceitamos doações de cabelos para a confecção de perucas. É um trabalho de muito amor”, disse.
Viviane Esteves sublinhou a importância do Outubro Rosa e de programas de diagnóstico precoce, incentivando o autocuidado pessoal, a realização de exames periódicos e da mamografia para o diagnóstico precoce dos casos de câncer de mama. Segundo a mastologista, atualmente
“cerca de 74% das mulheres realizam exames de rastreamento para câncer de mama e do colo do útero”.
OUTUBRO ROSA

Criada para ampliar a conscientização sobre o câncer de mama, a campanha Outubro Rosa busca chamar a atenção para a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento.
“Nos últimos dez anos, a incidência de câncer de mama no Brasil aumentou. Em 2016, a estimativa era de 57.960 novos casos por ano. Para o triênio, a estimativa anual continua alta. Esse crescimento está relacionado a múltiplos fatores, entre eles o envelhecimento da população e a adoção de hábitos de vida pouco saudáveis, mas com campanhas de conscientização, o intuito é reduzir esse índice”, destacou Viviane.
A campanha Outubro Rosa tem como principal objetivo “informar e conscientizar a população sobre os sinais e sintomas do câncer de mama, a idade adequada para a realização da mamografia e a importância da prevenção. As práticas e hábitos saudáveis podem reduzir em até 30% a incidência de câncer de mama”, frisou a especialista.
De acordo com o estudo “Mortes evitáveis por meio da prevenção primária, detecção precoce e tratamento curativo do câncer no mundo”, publicado em março deste ano pela revista científica The Lancet, do total de casos totais de câncer no Brasil em 2022, cerca de 253,2 mil devem resultar em mortes em até cinco anos, mas deste total 109,4 mil poderiam ser evitadas, seja por mudanças nos hábitos de vida, seja pelo diagnóstico precoce e acesso a tratamento adequado.
Durante este mês, instituições de saúde, organizações sociais e diferentes setores da sociedade promovem ações para divulgar informações sobre o câncer de mama, incentivar a atenção aos sinais e sintomas e orientar as mulheres a procurar os serviços de saúde. “Há um aumento de até 33% na realização de mamografias no mês de outubro em comparação com a média do restante do ano”, destacou Viviane.

“A oncologia de precisão se torna também uma oncologia da misericórdia, porque o esforço para personalizar o tratamento revela uma atenção não somente à doença, mas ao doente e às suas características, ao modo como reage aos remédios, às informações mais dolorosas e ao sofrimento”.
(Papa Francisco, em audiência com pacientes e médicos da Associação Italiana de Oncologia Médica, em setembro de 2019)“O serviço prestado aos pacientes oncológicos é uma via de santificação como a própria doença, uma manifestação concreta da caridade de Cristo”.
(São João Paulo II, em mensagem aos enfermos e pacientes do Instituto Nacional do Câncer, em setembro de 1997)
ATENÇÃO AOS SINAIS DO CÂNCER DE MAMA
✓ Nódulo (caroço) persistente na mama, no pescoço ou nas axilas
✓ Saída espontânea de líquido dos mamilos;
✓ Lesão na pele da mama ou aspecto de casca de laranja;
✓ Aumento progressivo da mama;
✓ Mudança no formato do mamilo;
Importante: Ao notar qualquer uma destas alterações, procure uma Unidade Básica de Saúde. Quanto mais cedo houver o diagnóstico do câncer de mama, maiores são as chances de cura.
PADROEIROS DOS PACIENTES COM CÂNCER

São Peregrino Lazziozi (1265-1345), em decorrência do estilo de vida sacrificado, foi acometido por varizes na perna direita, que se transformaram em chagas malignas. Os médicos que cuidavam dele decidiram amputar sua perna direita. Na noite anterior ao procedimento, ele arrastou-se até uma sala, prostrou-se aos pés do Crucificado, suplicou a Jesus que o libertasse do mal e adormeceu. Pela manhã, sua perna estava curada. É venerado como protetor contra o mal do câncer.
São Leopoldo Mandic de Castelnuovo (1866-1942), presbítero da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, experimentou em sua própria carne a experiência de uma doença oncológica, um tumor do esôfago, e viveu a prolongada enfermidade com serena fé. Em 2020, foi reconhecido pela Santa Sé como padroeiro dos pacientes afetados por câncer.





