Cardeal Scherer fala sobre a sinodalidade em live da Paulinas Sepac

Arcebispo São Paulo também comentou sobre a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, da qual participa entre os dias 21 e 28

Cardeal Scherer fala sobre a sinodalidade em live da Paulinas Sepac

A Paulinas Sepac (Serviço à Pastoral da Comunicação) realizou a live “Nos Caminhos da Comunicação”, na quarta-feira, 17, transmitida em seu canal do Youtube. O objetivo foi refletir sobre o tema da sinodalidade.

A live foi mediada pela Irmã Helena Corazza, jornalista e Doutora em Ciências da Comunicação e contou com a participação do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo e 1o Vice-Presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam). Entre os dias 21 e 28, ele participará, na Cidade do México, da 1a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe.

Dom Odilo explicou os conceitos de sínodo, sinodalidade e Igreja sinodal e evidenciou o significado do processo sinodal convocado pelo Papa Francisco.
O Arcebispo também destacou a experiência vivida durante o sínodo arquidiocesano, convocado em 2017, como um gesto concreto da sinodalidade à qual toda a Igreja é chamada a refletir e aprofundar a experiência de fé e de sua missão.

Itinerário

Ao contextualizar os termos sínodo, sinodalidade e Igreja sinodal, Dom Odilo recordou que a palavra sínodo do grego sin (juntos) e odo (caminho), significa: “caminhar juntos na missão”.

“O sínodo é um organismo da Igreja instituído pelo Papa Paulo VI, em 1965, no fim do Concílio Vaticano II”, pontuou, ressaltando que “a experiência do sínodo foi vivida nesse Concílio que buscou evidenciar a experiência de Igreja que vive a comunhão, que busca superar divisões, que caminha na unidade e que procura discernir o melhor caminho para realizar a missão, enfim, uma Igreja que tem comunhão e participação”, disse, lembrando que os documentos apontam o Vaticano II como um “grande Sínodo” .

O Sínodo, afirmou o Arcebispo, é um “organismo da Igreja que busca se reunir para retomar e continuar a reflexão sobre os grandes temas do Concílio, seja para aplicar, atualizar, avaliar as grandes questões do Concílio”, contou, mencionando ainda, que o Sínodo já celebrou dezesseis Assembleias Ordinárias e outras extraordinárias, como por exemplo, sobre a juventude, sobre a Amazônia, sobre a família, sobre a nova evangelização, sobre a Palavra de Deus na vida e missão da Igreja entre outras.

Igreja sinodal

“Se observarmos todas as Assembleias dos Sínodos retomam os grandes temas dos documentos do Concílio Vaticano II. Aqui, evidencia-se o conceito de Igreja sinodal, que caminha refletindo em comunhão a busca de corresponder a sua missão, que não é individual, mas, sim, uma Igreja em comunhão de discípulos de Jesus no itinerário de anunciar e testemunhar o Evangelho”.

Ao se referir ao conceito de sinodalidade, o Arcebispo pontuou que esse pode ser “um conceito bonito, mas, que, por vezes, torna-se apenas um conceito abstrato. O Papa nos convida para a experiência do caminho sinodal. E, muito além, de, simplesmente, falar de sinodalidade, Francisco nos convida a uma experiência de Igreja sinodal”, enfatizou. Em síntese, prosseguiu, o “Sínodo é sobre a sinodalidade, faz parte da Igreja desde os primórdios e se traduz como unidade, colegialidade e comunhão eclesial”.

Apelos do Papa

O Arcebispo recordou, ainda, os apelos do Pontífice em relação ao processo do sínodo “este deve ser em primeiro lugar: uma grande escuta do Espírito Santo; não uma escuta de espectadores, mas uma escuta de discípulos de Jesus que tem como norma a Palavra de Deus, como lei divina a caridade e que tem o encargo de anunciar e testemunhar o Evangelho ao mundo”.

Reforçou também, que desde o início do pontificado, o Papa tem alertado sobre o “clericalismo”, isto é, a ideia equivocada de que a Igreja pertence ao clero. Este é um conceito presente na opinião pública segundo o qual o clero é como o “dono da Igreja” e os fiéis como “os seus beneficiários”.

 “A Igreja não é uma ONG [organização não governamental] que tem donos. É uma instituição que tem o próprio Cristo que se doou, derramando o seu sangue. O Papa convoca a todos a partir da proposta de uma Igreja não clerical, mas sinodal. O apelo é para sermos  uma Igreja sinodal – que vive em comunhão de fé, amor, esperança, caridade, união, alegria do Evangelho – com a participação de todos, e, todos juntos abraçados à missão, à Igreja, pois o conceito de missão não é apêndice, mas, é inerente a natureza da Igreja”.

Dom Odilo comentou, ainda, para alguns equívocos recorrentemente ditos a respeitos do Sínodo: “não é um parlamento, tampouco um processo político para formar maiorias. Não é o momento de fazer discursos, e sim, um evento de Igreja animado pelo Espírito Santo. Não é uma pesquisa de opiniões, mas, o momento para ouvir o Espírito através das realidades da vida. Não é um exercício de busca de maioria, mas, é abrir-se a ação do Espírito para discernir juntos, o bem maior para a vida e missão da Igreja”.

Assembleia Eclesial

O Arcebispo também falou sobre a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe. “O Celam [Conselho Episcopal Latino-Americano] solicitou ao Papa Francisco que convocasse uma nova conferência geral. O Papa ponderou a necessidade de continuar as reflexões da Conferência de Aparecida, muito ricas e importantes para a vida e a missão da Igreja em nosso continente. Então, pediu que se organizasse um evento eclesial, não apenas episcopal, para avaliar os frutos já produzidos, as lacunas ainda existentes na aplicação do Documento e as novas questões a serem enfrentadas pela evangelização, com a participação do Povo de Deus. Assim, a Assembleia Eclesial começou a ser preparada desde o início de 2020.
O tema desta Assembleia Eclesial é ‘Somos todos discípulos missionários em saída’, um convite a empreender um itinerário participativo para discernir novos caminhos, na busca de responder os desafios pastorais da Igreja na América Latina e no Caribe, à luz da V Conferência de Aparecida.

Na Arquidiocese

O Arcebispo também destacou a experiência do sínodo arquidiocesano, convocado em 2017, ressaltando que o mesmo é um exemplo concreto da sinodalidade à qual toda a Igreja é chamada a refletir.

“O Sínodo é uma experiência secular. São Carlos Borromeu, no século XVI – início do século XVII, realizou em Milão, cinco sínodos. Aqui no Brasil, ainda, não temos o costume de fazer sínodos diocesanos. Em São Paulo, o sínodo arquidiocesano já está implantado e permanece vivo. Houve o primeiro momento de preparação, oração e tomada de consciência”.


“Estamos realizando uma experiência de juntos ouvir a voz de Deus sobre a nossa realidade enquanto Arquidiocese; para, então, ouvir o povo e ouvir a voz de Deus por meio das circunstâncias que circundam a vida da sociedade, da Igreja, da humanidade, para então, entender o que o Espírito Santo está nos interpelando sobre a nossa missão”.

Oração

Outro aspecto elucidado por Dom Odilo é que o Sínodo é feito de muita oração: “a oração é um gesto sinodal”. Desse modo, o Cardeal pediu: “unamo-nos em oração ao Espírito Santo por essa grande reunião eclesial”, concluiu.

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