CNBB e parlamentares dialogam sobre a política brasileira

Senadores, deputados federais e estaduais e vereadores falaram aos bispos do que esperam da Igreja e estes lhes apresentaram as expectativas da comunidade eclesial com os católicos eleitos para as casas legislativas

CNBB e parlamentares dialogam sobre a política brasileira
foto: CNBB

Com o objetivo de refletir sobre a realidade democrática, as prioridades e os desafios da política no Brasil e as possibilidades de contribuição da Igreja para o diálogo plural no ambiente político, em especial no Poder Legislativo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou, entre os dias 16 e 17, o 1o Encontro de Parlamentares Católicos a Serviço do Povo Brasileiro.

Cerca de 80 parlamentares – vereadores, deputados estaduais e federais e senadores – de diferentes partidos participaram da atividade realizada de modo on-line. Os nomes foram sugeridos pelos 19 Regionais da CNBB, pelas comissões episcopais pastorais e organismos ligados à Conferência.

Por uma ‘política melhor’

Na abertura dos trabalhos, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte (MG) e Presidente da CNBB, ressaltou que a Igreja incentiva a participação dos cristãos na vida pública, à luz de sua Doutrina Social; apoia tudo que possa promover a “política melhor”, como é pedido pelo Papa Francisco na encíclica Fratelli tutti; e que a realização do encontro é “uma aposta na eficácia do diálogo como instrumento de construção de entendimentos e respostas novas na reconstrução da sociedade brasileira nos trilhos da justiça e da paz, à luz dos valores e princípios do Evangelho de Jesus Cristo”.

Dom Giambattista Diquattro, Núncio Apostólico no Brasil, destacou que a fraternidade é uma virtude a ser aprimorada no Brasil. Ele pediu que os parlamentares cultivem a “beleza do conjunto”, o que requer paciência, fadiga, coragem, partilha, zelo e criatividade.

O senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado e do Congresso Nacional, enalteceu o histórico da CNBB na defesa da democracia. Ele ressaltou que a ação política deve dar atenção especial aos mais vulneráveis e desfavorecidos, e ser pautada nos valores da fraternidade, solidariedade e justiça social.

O conceito de “política melhor”, apresentado na Fratelli tutti, foi detalhado pela teóloga Maria Clara Lucchetti Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio. Ela lembrou que a política deve trabalhar para a construção do bem comum, pensando de modo generoso nas gerações presentes e futuras e não se submetendo à lógica da economia, do poder e da corrupção; além de integrar os diferentes e convergir para questões comuns por meio do diálogo.

Parlamentares querem maior proximidade com a Igreja

No segundo dia do encontro, de maneira intercalada, nove parlamentares falaram do que esperam da Igreja e nove bispos apresentaram as expectativas da comunidade eclesial com os católicos eleitos para as casas legislativas.

Foram anseios comuns dos parlamentares um maior contato com a Igreja e a realização mais frequente de formações sobre aspectos doutrinais.

O deputado federal Francisco Júnior (PSD-GO), por exemplo, espera que a Igreja seja como uma mãe e pastora, capaz de apontar os caminhos e referências para a sua atuação baseadas na Doutrina Social, mas também de acompanhar os mandatos, chamar a atenção quando algo está errado e incentivar quando há acertos.

A deputada federal Carmem Zanotto (Cidadania-SC) pediu que continuem a ser realizados encontros como este, a fim de refletir sobre como os parlamentares podem estar mais próximos na atuação de temas e projetos que unem os católicos.

Já Maria Francelizia da Silva, vereadora do PT em Itacoatiara (AM), disse entender que o mandato de um católico é uma extensão da atuação pastoral que deve ter no espaço político.

CNBB e parlamentares dialogam sobre a política brasileira
foto: CNBB

Pautas coerentes com o que professam

O ponto comum da fala dos bispos foi o pedido para que os parlamentares exerçam seus mandatos de modo coerente com a fé que professam.

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, exortou os parlamentares a serem  bons políticos, “no sentido de buscar ser coerentes nas opções pautadas pela honestidade e pela ética nas ações”.

Dom Ricardo Hoepers, Bispo de Rio Grande (RS) e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Família, da CNBB, ressaltou que os parlamentares devem pautar sua atuação na promoção, defesa e cuidado com a vida, da concepção à morte natural, e em favor das famílias.

O Cardeal Orani Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), exortou os parlamentares a proporem projetos que levem à promoção da dignidade humana.

Dom Guilherme Werlang, Bispo de Lages (SC) e Presidente do Grupo de Trabalho Pacto pela Vida e Pelo Brasil, da CNBB, afirmou que os parlamentares católicos devem agir em defesa da democracia, do diálogo, dos ecossistemas e dos biomas.

Dom Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus (AM), ressaltou que os políticos católicos devem ser os primeiros a conhecer a Palavra de Deus, o magistério da Igreja, a Doutrina Social, o magistério dos Papas e os documentos da CNBB.

O Cardeal Sergio da Rocha, Arcebispo de São Salvador (BA), destacou que os parlamentares católicos devem ser testemunhas cristãs no mundo da política, em harmonia com a fé que professam e manifestando a comunhão com a Igreja.

Dom Giovane Pereira, Bispo de Tocantinópolis (TO) e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, da CNBB, apontou que a busca do diálogo, da cultura do encontro e a atenção das demandas locais devem ser a base de atuação dos parlamentares.

(Com informações da CNBB)

O QUE DISSERAM OUTROS PARTICIPANTES

Amar ao próximo como a si mesmo foi o ensinamento maior de Cristo. E colocar isso em prática na política é fundamental se queremos garantir mais desenvolvimento social e qualidade de vida para todos’

Antonio Anastasia, senador (PSD-MG)

‘Sempre esperamos que a Igreja esteja atenta aos fatos pelos quais o Brasil está passando, como a necessidade de mais diálogo, a superação das polarizações e que traduza isso para a vida do povo’

Nelson Arns, senador (Podemos-PR)

‘Que possamos debater políticas públicas para a nossa gente, tendo como base a fraternidade e a amizade para construir um mundo melhor, pacífico e com mais justiça, como almeja Sua Santidade, o Papa Francisco’ Valderez Castelo Branco, deputada estadual em Tocantins (PP).

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